Ex-aluno da Poli cria aplicativo com foco em gerenciamento de tarefas

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Foto: Divulgação Aplicativo para smartphones gera lembretes inteligentes

O uso do celular para registrar compromissos e tarefas não é novo. Mas as listas de pendências, geralmente, não ajudam a determinar prioridades e se adequar às novas situações que vão surgindo ao longo do dia. Um aplicativo desenvolvido por um ex-aluno da Escola Politécnica (Poli) da USP busca solucionar esse problema ao gerar lembretes inteligentes – baseado, por exemplo, no clima, local, horário ou ligações recebidas, ele entende que determinada tarefa tornou-se mais importante.

A ideia original do engenheiro de computação Thiago Koji Masuki era desenvolver um aplicativo para smartphones chamado Latr, que ajudasse os usuários a manter o controle de tarefas importantes, criando e compartilhando lembretes baseados em diferentes condições. Por exemplo, lembrar de conversar com um cliente daqui a uma semana, pegar um guarda-chuva em um dia chuvoso ou, ainda, ligar para um amigo quando chegar em casa.

Buscando desenvolver sua visão empreendedora e vivenciar novas experiências, Thiago, hoje com 25 anos, foi até a Califórnia dar início a uma startup com o Latr como foco. Embora não tenha se tornado um projeto bilionário, como almejam sempre os profissionais da tecnologia, o engenheiro avalia que a viagem valeu a pena. Segundo Masuki, a oportunidade lhe proporcionou muitas lições, inclusive a de valorizar mais as oportunidades, as pessoas e a vida no Brasil. A experiência, conta, transformou sua vida pessoal e profissional.

Do Butantã ao Vale do Silício

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Masuki afirma não ter sido um aluno exemplar, mas que aproveitou as oportunidades da graduação para se desenvolver também fora do âmbito acadêmico. Frequentou festas, participou da equipe de natação e, com ela, ajudou a estabelecer uma parceria com uma ONG para desenvolver uma competição esportiva beneficente.

A partir do terceiro ano, relembra, começou a estagiar através do curso cooperativo da Poli. Foram quatro meses de aula e quatro meses de estágio sem férias. No final do curso, o aluno já sai com dois anos de experiência na área. “Na prática, o principal que se aprende na Poli não são as matérias, e sim a habilidade de identificar e resolver problemas”, acredita.

Depois de formado, o ex-aluno foi efetivado na empresa em que estagiava. Mesmo com o emprego e o término recente da graduação, Thiago optou por cursar o MBA oferecido pelo Laboratório de Sustentabilidade em TIC (LaSSu) da Poli, coordenado pela professora Tereza Cristina Carvalho. Durante o curso, a participação em diversos projetos o direcionou, principalmente, ao segundo dos três pilares que regem a sustentabilidade – desenvolvimento econômico, social e ambiental. “Quando descobri o programa oferecido pelo LaSSu, encontrei uma oportunidade de aprendizado na minha área de formação, aliada àquilo que sempre tive como um ideal”, afirma.

Entre os projetos, Thiago destaca o Encontro Internacional de Design para o Desenvolvimento Social (IDDS). O IDDS reúne participantes de diversos países e áreas de atuação para criar tecnologias e empreendimentos que melhorem a vida de pessoas em situação de pobreza.  Cerca de um mês após de conhecer o programa, Thiago já fazia parte da coordenação do evento. O encontro aconteceu durante todo o mês de julho, em 2012, sendo uma parte no centro de São Paulo e outra em três comunidades de baixa renda nas cidades de São Paulo, São José dos Campos e Embu das Artes.

Foi neste programa que conheceu seu sócio e co-fundador do Latr. No decorrer do evento, os dois desenvolveram uma boa dinâmica de trabalho. Esse foi o princípio da ideia da startup, que surgiu logo depois.

Mudança de foco

Foto: Divulgação
Foto: DivulgaçãoO foco atual é expandir as funções do app

Masuki passou cinco meses na Califórnia para desenvolver a empresa e o aplicativo. Algumas empresas conseguem girar em torno de uma só ideia, mas, em geral, um aplicativo apenas não é suficiente para sustentar funcionários e equipamentos, exigindo outros tipos de iniciativas. Buscando uma ideia para expandir a atuação da startup, os sócios perceberam que cinco meses eram muito pouco para um projeto tão ambicioso.

“Ao mesmo tempo, eu estava sentindo muita falta do Brasil. Eu não compartilhava da cultura americana e não me via morando lá a longo prazo”, relata o jovem empreendedor. Essa percepção gerou uma mudança nos planos dos sócios, que direcionaram seus esforços no desenvolvimento de sensores sem fio com o uso de tecnologia Bluetooth, que se integrassem com aplicativos mobile.

Com essa ideia atrelada ao aplicativo, os sensores poderiam sugerir avisos em celulares e tablets de acordo com condições adversas. Thiago lembra a história do tio de seu sócio, dono de uma sorveteria, que perdeu todo o estoque por uma falha na geladeira. Nesse caso, o aplicativo seria acionado se houvesse uma alteração anormal de temperatura percebida pelos sensores e haveria tempo para encontrar uma solução, provavelmente obtendo um prejuízo menor.

Atualmente a equipe da empresa aumentou, incluindo quatro pessoas que trabalham remotamente. Thiago está há duas semanas no Brasil e, aqui, dá continuidade à sua busca por novos projetos e oportunidades dentro da área de desenvolvimento social.

Mais informações: email koji@latrapp.com, com Thiago Koji Masuki 

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