Professor do IAG é responsável por comitê brasileiro de nova missão espacial europeia

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Cientistas e engenheiros brasileiros de algumas das principais universidades e centros de pesquisas em astronomia do país terão participação ativa na missão espacial PLATO (Planetary Transits and Oscillations of Stars), da Agência Espacial Europeia – ESA, que tem seu lançamento previsto para 2024.

Segundo o professor Eduardo Janot Pacheco, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, e responsável pelo Comitê PLATO no Brasil, a exploração de planetas em torno de estrelas além do Sol (planetas extra-solares, ou “exoplanetas”) é um dos temas mais interessantes da ciência do século 21. Ele explica que um dos objetivos desta pesquisa é descobrir e entender as propriedades de outros mundos semelhantes à Terra em nossa vizinhança.

Atualmente, nenhum exoplaneta do tipo da Terra, situado na zona habitável e em torno de uma estrela semelhante ao nosso Sol, foi descoberto e totalmente caracterizado. PLATO vai ser um pioneiro nesta busca por novos e promissores mundos. As descobertas confirmadas de planetas parecidos com a Terra em distâncias comparáveis à da Terra e em torno de estrelas semelhantes ao nosso Sol, será produzido após terem sido recolhidos três anos de dados observacionais. Reunido em Paris, nos dias 19, 20 de fevereiro, o Comité de Programas Científicos (SPC) da ESA votou e escolheu PLATO como a nova missão “M” ou “de porte médio”.

Brasil no PLATO

O professor Janot conta que, entre os cientistas brasileiros que integram a missão, estão engenheiros de algumas das principais universidades e centros de pesquisas em astronomia do país. Entre outras, ele cita a USP, Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Observatório Nacional, Universidade Mackenzie e Fundação Mauá de Engenharia. Veja neste link uma lista provisória dos participantes da missão.

Os cientistas brasileiros têm interesses em temas de engenharia, como sistemas eletrônicos (hardware) a serem utilizados no desenvolvimento dos software de voo e de controle de atitude, processamento embarcado de sinais e correções de “jitter” nas curvas de luz. Em astrofísica, assuntos dos mais variados serão abordados pelos brasileiros: sismologia estelar, estrelas variáveis, anãs brancas, rotação estelar, evolução comparada do Sol, galáxias próximas, e exoplanetas (determinações orbitais e marés).

O consórcio que conduzirá a missão é dirigido pela doutora Heike Rauer da DLR (a agência espacial alemã). Ela prevê que o PLATO começará um capítulo completamente novo na exploração de planetas extra-solares. “Vamos encontrar planetas que orbitam sua estrela na zona ‘habitável’, região que pode propiciar a existência de vida: são planetas onde se espera que exista água líquida, e onde a vida como a conhecemos pode ser mantida”. PLATO irá medir os tamanhos, massas e idades dos sistemas planetários que irá encontrar. Por isso, comparações detalhadas com nosso próprio Sistema Solar poderão ser feitas.

PLATO é um tipo de telescópio espacial completamente novo: ele vai usar uma rede de telescópios, em vez de uma única lente ou espelho. Utilizará também câmeras de alta qualidade, e terá a vantagem de observar continuamente a partir do espaço, sem a interrupção causada pelo nascer do Sol e sem sofrer os efeitos causados pela turbulência atmosférica. Isso permitirá que PLATO descubra planetas menores que a Terra e planetas a distâncias de suas estrelas semelhantes à distância Terra-Sol.

O professor Pacheco lembra ainda que a missão espacial PLATO segue os passos do satélite franco-europeu-brasileiro CoRoT, o primeiro do qual a astronomia brasileira participou, sob a liderança da USP, e que já não está mais voando. “O país adquiriu com isso know-how em engenharia de software espacial e participou fortemente dos avanços científicos em física estelar e na descoberta e análise de exoplanetas, usufruindo também de colaborações com cientistas europeus”, afirma o cientista. “Os resultados e a experiência obtidos com o CoRoT vão balizar as pesquisas com o PLATO, que avançará na precisão que vamos obter sobre os novos exoplanetas, sobretudo os parecidos com a Terra,que são os mais interessantes para a astrobiologia.”

Com informações do comitê dirigente do PLATO

Mais informações: email eduardo.janot@iag.usp.br

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