Biobanco da FORP recebe doações de dentes para uso em pesquisas

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Do Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto

Embora nem todos saibam, os dentes também podem ser doados e o campus da USP de Ribeirão Preto tem um local específico para receber este material: o Biobanco de Dentes Humanos que funciona no prédio da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP. A FORP recebe, em média, 80 doações por mês. Os dentes são utilizados por alunos de graduação em Odontologia em laboratórios e também em diversas pesquisas acadêmicas.

“As doações são fundamentais para a continuidade das pesquisas. Se não tivermos dentes, os estudos ficam parados. O dente é um órgão humano que não deve ser jogado fora, descartado”, afirma Silmara Aparecida Milori Corona, supervisora do Biobanco.

O Biobanco de Dentes Humanos da FORP foi criado em 2012 e é responsável pela arrecadação, manipulação, preservação, estocagem e utilização dos dentes doados. Todos os procedimentos são executados de acordo com as normas da vigilância sanitária e que envolvem a realização de pesquisas científicas.

Os dentes doados passam primeiro por um processo de limpeza e desinfecção; depois, são codificados e armazenados em local adequado. São fornecidos a alunos e pesquisadores somente após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Instituição. Além disso, há um seguro sistema de identificação que permite a recuperação de dados e o sigilo das informações do doador.

“Os dentes antes eram armazenados de maneira aleatória, sem identificação de quem doava. Agora, com o Biobanco, o doador pode, por exemplo, saber qual foi o destino do seu dente doado e conhecer o benefício proporcionado pela pesquisa que o utilizou”, explica Silmara.

Comércio ilegal

A construção de um Biobanco de Dentes Humanos, além de contribuir para manutenção de material direcionado a pesquisas e ao ensino de futuros dentistas, também contribui para inibir o comércio ilegal de dentes, prática que já foi comum.

“Era frequente, no passado, que os alunos de Odontologia procurassem por coveiros em cemitérios para obter dentes. Isso é crime”, afirma Silmara. Hoje, alunos de graduação e pós-graduação utilizam dentes humanos, de forma racional, no treinamento acadêmico. E os pesquisadores ligados à Universidade não se privam da realização de seus projetos de forma ética, “contribuindo para o desenvolvimento do ensino e da pesquisa”.

Campanhas

Atualmente são realizadas campanhas com os graduandos para orientar sobre a necessidade de doação. O objetivo é que quando eles se formarem, possam solicitar autorização aos pacientes para que doem à Faculdade os dentes extraídos no consultório.

Campanhas também são dirigidas a profissionais (auxiliares e cirurgiões-dentistas) que trabalham em Unidades Básicas de Saúde. Elas alertam sobre a necessidade de encaminhar os dentes extraídos ou esfoliados, acompanhados do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido assinado pelo doador ao Biobanco. Nestas unidades, são realizadas coletas semanais de material ou de acordo com a demanda.

Os dentes também são recolhidos diariamente nas clínicas de cirurgia, pediatria e no DAPE (Desmistificando o Atendimento Odontológico a Pacientes com Necessidades Especiais) da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto da USP.

Doações

Todo dente pode ser doado, seja ele hígido (sem cáries, sem restaurações), cariado, restaurado, de leite ou permanente. No período de 2002 a 2011, foram feitas mais de 10 mil doações, que agora integram o Biobanco.

As doações podem ser feitas pessoalmente no Biobanco  de Dentes Humanos  ou enviadas pelo correio, em frasco hermético contendo gaze umedecida com água, acompanhado do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, ao endereço da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto: Avenida do Café s/n, Bairro Monte Alegre, CEP:14040-904.

O Biobanco atende de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.

Mais informações: (16) 3602-0274 ou por email biobanco@forp.usp.br

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