Telemedicina usa tecnologia para ampliar alcance do atendimento médico

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Foto: Francisco Emolo / Jornal da USP
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Professor Chao Lung Wen, da FMUSP

Além da distância geográfica, populações que vivem longe dos grandes centros urbanos encontram também barreiras socioeconômicas, como o difícil acesso aos serviços de saúde. A proposta da telemedicina, conhecida também como telessaúde, surgiu como uma maneira de superar estas barreiras e prestar assistência a distância, ampliando o alcance do atendimento e, principalmente, da informação.

Desde 1997, a telemedicina é tema de uma disciplina coordenada pelos professores Chao Lung Wen, Raymundo Soares de Azevedo e Wu Tu Hsing, na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP). Com o auxílio de laboratórios, salas de videoconferência e outras ferramentas audiovisuais, como o projeto Homem Virtual, a disciplina de Telemedicina mostra aos estudantes como o atendimento médico pode ser aplicado em casos em que a distância entre o profissional e o paciente é um fator crítico.

O uso das tecnologias de informação e comunicação permite oferecer tratamento médico especializado a pessoas que vivem em locais distantes ou com poucos profissionais. A presença de uma central de telemedicina em um determinado hospital de emergência, longe de centros especializados, por exemplo, torna possível a comunicação com profissionais de outras localidades, permitindo tirar dúvidas sobre diagnóstico, procedimentos clínicos, tratamentos, entre outras. Desta forma, é possível ampliar as ações de profissionais e agentes comunitários de saúde, integrando-os aos serviços oferecidos por hospitais e centros de referência.

Foto: Francisco Emolo / Jornal da USP
Foto: Francisco Emolo / Jornal da USP

O professor Chao Lung Wen conta que em 1997, com a popularização da internet, começou a ser discutida a ideia de usar a tecnologia na saúde. Diante dos resultados do modelo de telemedicina empregado nos Estados Unidos desde 1960, concluiu-se que o Brasil estava pronto para avançar no uso de telemedicina em uma política de saúde e de formação em medicina.

Wen explica que esse modelo tem como prioridade a prevenção, vantajosa tanto para o paciente, que evita os processos dolorosos envolvidos na doença, como para o Estado e para os hospitais particulares, que têm seus custos reduzidos. “Para que eu vou fazer um transplante de fígado se eu posso evitar cirrose? Para que eu vou fazer quimioterapia se eu posso evitar que as pessoas tenham câncer de pele ou câncer de mama?”, questiona.

Desafios

Um grande desafio enfrentado pela telemedicina, conta o médico, é a cultura. “Você tem um processo cultural do professor, um dos estudantes, e também a falta de infraestrutura de apoio”. Mesmo com o pioneirismo da FMUSP, foram necessários anos até a importância da telemedicina ganhar reconhecimento. Segundo Wen, nos primeiros cinco anos, a implantação da telemedicina foi difícil, pois poucas pessoas acreditavam no projeto. “Era como falar em criação de órgãos a partir de impressoras 3D”, compara.

Somente a partir de 2002 começou uma mudança de pensamento. Em 2003, surgia o projeto Homem Virtual, iniciativa que, a partir de imagens tridimensionais das estruturas do corpo humano, visava orientar pacientes, treinar agentes promotores de saúde e atuar como um complemento à educação médica. No ano seguinte, o núcleo de telemedicina recebeu uma doação de um banco, que foi fundamental para a consolidação de vários projetos, conta Wen. E, em 2005, o governo federal começava a estruturar a telemedicina.

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Foto: Francisco Emolo / Jornal da USP

“Acho que a USP deveria reconhecer cada vez mais os seus professores com talentos educacionais. Nós temos uma grande falha de só valorizar a pesquisa”, lamenta. É necessário fortalecer o uso de educação tecnológica complementar aos estudantes em nível departamental, acredita Wen. “Se somos uma Universidade, nossos estudantes deveriam poder navegar nos ambientes educacionais das diferentes unidades, caso contrário, nós não somos universidade”, argumenta.

Segundo o coordenador da disciplina de telemedicina da FMUSP, outra grande dificuldade é popularizar a matéria entre os alunos da graduação, já que se trata de uma matéria optativa. Muitos acreditam que telemedicina é sobre informática e, assim, perdem o interesse. “Telemedicina é o uso de tecnologia para aumentar e potencializar atividades de educação, assistência e pesquisa. Quando os alunos entenderem isso, vamos começar a trabalhar com mais intensidade”, afirma.

Para conseguir obter bons resultados, de acordo com Wen, é preciso conhecer o cenário da saúde brasileira e quais são as iniciativas que os governos em nível federal, estadual e municipal estão fazendo em telemedicina como políticas públicas de saúde. Para acompanhar as atividades e os projetos vinculados a disciplina na página do professor Wen.

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