Busca ativa de pacientes faltosos reduziu abandono de tratamento de HIV

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Hérika Dias / Agência USP de Notícias

O longo e ininterrupto tratamento contra o HIV induz, muitas vezes, o paciente a abandonar as consultas médicas e o tratamento com medicamentos. Para diminuir essas taxas, a equipe multidisciplinar do Centro de Saúde Escola (CSE) Sumarezinho, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, desenvolveu um trabalho para identificar e criar um dispositivo de busca ativa, ou seja, de contato direto com os pacientes faltosos.

Do total de 366 pacientes cadastrados no Ambulatório de Moléstias Infecciosas do CSE ao longo de 2013, foram detectados 62 faltosos. Após a intervenção da equipe do ambulatório, 34 retornaram ao tratamento (55%). “O abandono é caracterizado pelo não comparecimento do paciente com HIV na consulta médica e na farmácia, onde é feita a retirada dos antirretrovirais, por um período de 180 dias. As consultas são marcadas, em média, a cada dois meses, e a entrega de medicamentos é feita mensalmente”, explica a técnica de enfermagem Shirlei Aparecida Vitor.

Ela é uma das autoras do trabalho, juntamente com os médicos Maria Janete Moya e Fernanda Guioti Puga, o farmacêutico Dilson Silva Junior, o técnico de enfermagem Sidney Gomes de Carvalho, a visitadora sanitária Rosana Moreira de Oliveira, e a estudante de enfermagem Mayara Fálico, da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP.

Segundo a técnica de enfermagem, entre os motivos associados à desistência dos pacientes estão a depressão, uso de álcool/drogas, falta de expectativa com o tratamento, ausência de sintomas ou falta de entendimento sobre a doença.

A busca ativa desses pacientes possui algumas restrições. Nem sempre a equipe pode entrar em contato com as pessoas em tratamento.  “Temos acesso somente àqueles que autorizaram a comunicação por meio da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), entregue no início do tratamento na unidade de saúde”, esclarece Shirlei.

Trabalho

Para iniciar o contato com os pacientes faltosos, a equipe construiu uma planilha de acompanhamento contendo nome, dados pessoais, número do prontuário/Hygia (sistema que efetua a gestão da saúde pública em municípios e estados), Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) consentindo ou não, data da última consulta e do próximo retorno, informações sobre tratamento de tuberculose/tuberculose latente, terapia antirretroviral e classificação da vulnerabilidade.

De acordo com Shirlei, o arquivo fica protegido e disponibilizado apenas para os membros da equipe do ambulatório. As informações da planilha são atualizadas diariamente e seus dados são comparados com os relatórios de atraso de entrega de medicamentos do Sistema de Controle Logístico de Medicamentos (Siclom).

Após a identificação do paciente faltoso ou em abandono e com TCLE consentido, a equipe geralmente entra em contato por telefone ou visita domiciliar. “Tentamos estabelecer vínculo entre o profissional de saúde e os usuários, utilizando linguagem acessível e simples, explicando a importância da adesão ao tratamento e tentando estimulá-los a retomar o tratamento”, afirma a técnica de enfermagem.

Ela ainda ressalta que “o contato dos pacientes deve ser um trabalho contínuo, pois o tratamento é longo, para a vida toda, e os usuários devem saber e serem estimulados ao engajamento no programa”.

Mais informações: (16) 3602-0019

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