Na ECA, Games for Change debate jogos como prática social e pedagógica

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Entre os dias 8, 9, 10 e 11 acontece em São Paulo o Festival Games for Change, iniciativa da organização sem fins lucrativos de mesmo nome que, há oito anos, estimula e apoia a discussão e criação de jogos de impacto social.

Realizando pela primeira vez um evento na América Latina – em um iniciativa que começou esse ano na Metodista em São Bernardo do Campo, passou pelo X Simpósio Brasileiro de Games e Entretenimento Digital em Salvador e integrou eventos em colégios e universidades como UNITAU, UFSCAR e Fatecs -, a Games for Change em parceria com a Cidade do Conhecimento na USP formam a primeira rede latino-americana a valorizar a relação entre jogos, aprendizagem e transformação social.

Sob direção de Gilson Schwartz, professor do Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes (ECA)  da USP, e produção executiva de Mario Lapin, o festival tem como objetivo promover a pesquisa, a criação e a disseminação de jogos digitais que transformem positivamente a sociedade. “O importante é provocar a discussão sobre o que é bom e positivo, sobre as fronteiras entre brincar e pensar, brincar e fazer”, ressalta Schwartz.

Contando com palestras, concursos e divulgação de projetos que promovem educação e ludicidade, o festival se divide entre a ECA, Paço das Artes, Museu da Imagem e do Som de São Paulo (MIS) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie. Durante os três dias, estudantes, professores, artistas e game designers discutem não apenas o impacto dos jogos no mundo contemporâneo, mas também como sua criação pode influenciar na formulação de novos jeitos de se pensar o mundo.

Do virtual para o real

Dentre os conceitos centrais debatidos durante os quatro dias está a “gamificação”, que é o uso de técnicas de game design e mecânica para resolver problemas e envolver o público. O termo foi cunhado pela game designer Jane McGonigal, especializada em jogabilidade imersiva e em jogos de realidade alternativa (ARGs). “Já se fala em gamificação do próprio mundo”, explica o professor Schwartz. “Os impactos psíquicos, sociais e cognitivos dos games tornaram-se um dos temas de maior urgência na academia, nos governos e nas famílias. A indústria do game vem sistematicamente superando em tamanho de mercado e valor de faturamento o próprio cinema em escala mundial”.

Sabrina Carmona, especialista em produção de jogos formada pela PUC-SP, revela que o conceito “pode ser usado não apenas para ampliar a diversão dos jogadores, mas também em iniciativas que estimulem reflexão e até projetos que auxiliam a reabilitação física de pacientes debilitados por acidentes”. As possibilidades são várias e vão além do lazer que, apesar de importante, não é o único foco dos produtores de jogos atualmente.

“Queremos mudar o paradigma de ensino”, revela Dorival Rossi, professor de design da UNESP Bauru. “Os jogos educativos não podem ser apenas transposições dos livros para um game. O propósito ao discutir jogos é destacá-los como novas formas de se transmitir conhecimento”.

Ganhando território conforme a tecnologia avança, a realidade dos games deixou de ser restrita apenas a uma faceta mercadológica para se tornar uma indústria de importância estratégica, comercial e comportamental. “O objetivo de eventos como esse é ampliar as oportunidades de emprego, formação, geração de conteúdo e riqueza nesse universo cada vez mais amplo da economia digital criativa”, destaca Schwartz.

Ciente de que o desenvolvimento de jogos deve ser considerado uma prática pedagógica avançada, os organizadores do Festival Games for Change destacam que refletir sobre o jogar pode também qualificar o jovem para as competências necessárias em todas as indústrias e setores da economia, que vão além do próprio segmento dos videogames.

A programação completa do Festival pode ser acessada neste link.

Para saber mais sobre a organização Games for Change no Brasil visite o site: http://gamesforchange.org.br

Conheça o  “Jogo da Vida em Trânsito”, lançado pela ECA e pela Fundação Volkswagen

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