Volta ao trabalho após acidentes de trânsito ajuda pacientes

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Marcela Baggini e Tauana Boemer / Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto

Após avaliação da qualidade de vida de pessoas que sofreram acidentes de trânsito, estudo realizado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP aponta que retornar ao trabalho melhora não só aspectos gerais de saúde, mas também os sociais e mentais.

Foram analisados 102 pacientes, todos vítimas de traumas moderados ou graves, que trabalhavam e tinham mais de 18 anos e que foram atendidos na Unidade de Emergência do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC/UFTM). “Nosso objetivo foi investigar se essas pessoas que retornam ao trabalho seis meses depois do acidente apresentaram melhor estado de saúde do que aquelas que não retornaram nesse período”, conta a pesquisadora Luciana Paiva.

A pesquisa, desenvolvida entre 2011 a outubro de 2012, contou com duas avaliações: a primeira foi no dia em que o paciente teve alta e, a segunda, seis meses depois. Entre o grupo analisado, 52% retornaram ao trabalho após um semestre. Apenas 4,9% mudaram de cargo em decorrência das condições pós-traumáticas.

Outros resultados obtidos durante o estudo foram que a maioria dos pacientes sofreu acidente com motocicletas, no período noturno, durante os finais de semana. As extremidades inferiores e superiores das vítimas foram as regiões mais traumatizadas e o tempo médio de permanência hospitalar foi de 11 dias. Entre os pacientes analisados, 97,1% necessitaram de tratamento cirúrgico.

Ao voltar a exercer suas funções, além de melhora nos aspectos mentais, sociais e físicos, os pacientes apresentaram melhor avaliação nos domínios: dor, vitalidade e capacidade funcional. “De maneira geral, o estudo indicou melhora da qualidade de vida para as vítimas de acidente de trânsito, ao longo da reabilitação”, afirma Luciana.

Estatísticas

Todos os anos, cerca de 1,3 milhão de pessoas do mundo morrem em acidentes de trânsito. Entre essas vítimas, boa parte sofre lesões não fatais e outras apresentam algum tipo de incapacidade. Eles também são a principal causa de morte entre os 15 e 29 anos de idade.

Dados da Organização Mundial de Saúde e do Denatran mostram que no Brasil, os custos médios relacionados às vítimas envolvidas em acidentes de trânsito sem nenhuma lesão estão em torno de R$ 1.040,00; o atendimento à vítima com lesões leves ou graves custa em média R$ 36.305,00 e, aqueles que acabam morrendo, se aproximam de R$ 270.165,00.

Em todo o mundo, aproximadamente metade das vítimas (46%) que morrem em decorrência dos acidentes de trânsito são pedestres, ciclistas ou motociclistas. Dados gerais, bem como na pesquisa, apontam que homens estão mais propensos a se envolver em acidentes de trânsito. Luciana detectou que 78,4% eram do sexo masculino, com baixa escolaridade e idade média de 33 anos.

Orientada pela professora Lídia Aparecida Rossi, da EERP, Luciana traz em seu estudo informações para orientar a prática de equipes multiprofissionais na prevenção de fatores que afetam a qualidade de vida e possibilitam o retorno ao trabalho. “Atualmente, os acidentes de trânsito representam um grave e complexo problema de saúde pública, pois podem ter implicações sociais e econômicas”, ressalta a pesquisadora. “Predominantemente, as vítimas são pessoas jovens e economicamente ativas. As lesões decorrentes desses acidentes causam perdas econômicas significativas para as vítimas, suas famílias e, como conseqüência, para o país em geral”, completa.

O doutorado Qualidade de vida relacionada à saúde e retorno ao trabalho de vítimas de acidentes de trânsito, foi defendido em 2013.

Mais informações: (16) 3602.3402

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