Análise de movimento por imagem ajuda a conhecer mecanismos de lesões em atletas

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Keite Marques / Assessoria de Comunicação da EESC

Prevenir lesões musculares e melhorar o rendimento esportivo em atletas amadores e profissionais. Foi nesse contexto que a pesquisa realizada pela fisioterapeuta Michelli Belotti Bersanetti, aluna de mestrado  do Programa de Pós-Graduação Interunidades Bioengenharia da USP — oferecido conjuntamente pela Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) e Instituto de Química de São Carlos (IQSC) —, avaliou a força dos músculos do punho de um jogador de tênis de campo.

Para desenvolver o estudo, a pesquisadora usou como referência o movimento forehand do tênis, que é executado movendo a raquete com a palma da mão virada para frente. Prosseguindo, definiu as características biomecânicas do gesto e calculou as forças atuantes somadas ao peso da raquete e da recorrência do movimento.

Orientada pelo pesquisador Orivaldo Lopes da Silva, a aluna conseguiu identificar qual instante do golpe oferecia maior probabilidade de provocar a epicondilite lateral, uma das lesões mais comuns apresentadas por tenistas nos músculos extensores do punho e antebraço.

Para mensurar o impacto foi realizada a avaliação cinemática de um tenista durante a simulação repetitiva do forehand com seis câmeras de vídeo que emitem luz infravermelha e capturam a luz refletida por marcadores reflexivos, distribuídos em pontos específicos no corpo do atleta.

Michelli conseguiu quantificar, por intermédio de seu trabalho, que a força exercida pela musculatura do punho do tenista é intensa e aumenta o nível de probabilidade de lesão física, podendo resultar no afastamento do atleta para o tratamento e recuperação. “Com essa conclusão a pesquisa definiu que o padrão do movimento reconhecido como de alto risco de lesão deve ser alterado ou adaptado ao atleta”, explicou.

Outras modalidades

O orientador destacou que o estudo pode ser aplicado também em outras modalidades esportivas para identificar os impactos físicos específicos sofridos por atletas. “A metodologia pode ser utilizada por treinadores ou fisioterapeutas alterando apenas as configurações de análise para avaliação de desempenho”, definiu.

Coincidindo com os preparativos da Copa do Mundo neste ano e a realização das Olimpíadas em 2016 no Brasil, seria possível identificar, por exemplo, qual o principal ponto de força realizado por um ginasta ou um jogador de futebol ao exercer um movimento padrão nos membros inferiores durante as competições esportivas.

Silva ressaltou que em outros países esse tipo de estudo já é usado para analisar o esforço aplicado em pontos específicos dos atletas por modalidade na busca de minimizar lesões e melhorar o rendimento físico. “Muitos atletas de elite estrangeiros já são submetidos à análise de movimento por imagem pelos treinadores. Na Itália, por exemplo, já há um centro de pesquisa que aplica a técnica de biomecânica para modelagem da força exercida na caixa torácica de um nadador de alto desempenho”, avaliou.

A pesquisa foi fruto da dissertação de mestrado sob o título Avaliação biomecânica do mecanismo de lesões associadas à prática do tênis de campo, defendida no último dia 24 de fevereiro.

Mais informações: email mibersanetti@yahoo.com.br

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