Experimento em São Carlos identifica nova espécie de inseto

Publicado em Meio ambiente por em

Júlio Bernardes / Agência USP de Notícias

Um experimento de criação de insetos em laboratório realizado em São Carlos (interior de São Paulo) levou à identificação de uma nova espécie, denominada Metapelopia corbii. A partir de uma desova recolhida em um córrego, o professor Juliano Corbi, do Departamento de Hidráulica e Saneamento (SHS) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP, conseguiu desenvolver as larvas e obter os animais adultos. Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) classificaram o inseto e sugeriram o nome do professor para identificar a espécie. Encontrado em rios e córregos, o Metapelopia corbii é uma espécie da família Chironomidae e foi encontrado em uma área bem preservada.

Corbi realizou a coleta da desova em 2006, no Córrego do Fazzari, curso d’água que percorre uma área de vegetação do cerrado pertencente à UFSCar. “A amostra foi recolhida durante o trabalho de campo para uma pesquisa de doutorado sobre insetos aquáticos como indicadores de qualidade da água”, conta. “A desova, com tamanho entre 2 e 3 milímetros (mm), ficou presa na rede de coleta e foi levada para criação em laboratório, com o objetivo de identificar a espécie do inseto, e se era conhecida ou não”.

A criação aconteceu em duas bandejas de laboratório com 30 centímetros (cm) de largura por 30 cm de comprimento, e 10 cm de profundidade, feitas com material atóxico. “A desova foi colocada sobre uma camada de areia e as bandejas foram enchidas com água pura (deionizada). A cada três dias, as larvas eram alimentadas com ração de peixe, e havia um cuidado para evitar que fungos contaminassem a criação”, afirma o professor da EESC. “O desenvolvimento do inseto, que compreende as fases de larva, pupa e adulta, levou 60 dias. Uma tela foi colocada ao redor das bandejas para permitir que os insetos adultos fossem recolhidos para análise”.

Classificação da espécie

Como as larvas do inseto não eram similares a outras espécies conhecidas, o material (larvas, pupas e adultos), foram encaminhadas ao Laboratório de Entomologia Aquática da UFSCar, onde a equipe da professora Susana Trivinho Strixino realizou um trabalho de taxonomia (classificação da espécie). “As lâminas também continham detalhes como a forma das antenas e das asas, detalhes importantes para descrição da espécie identificada”, aponta. “Os pesquisadores da UFSCar concluíram que se tratava de um inseto desconhecido e relataram a descoberta em um artigo aceito para publicação na revista científica internacional EDP Sciences, neste ano”. No texto é sugerido o nome a espécie como Metapelopia corbii, em referência ao trabalho de Corbi na coleta e criação do inseto em laboratório.

Metapelopia corbii adulto é um inseto semelhante ao pernilongo, e pertence à família Chironomidae. “Ele é encontrado na beira de rios, córregos e lagos, não sendo vetor de nenhuma doença”, descreve Corbi. “A larva do inseto mede cerca de 0,5 mm, enquanto o adulto tem aproximadamente 0,8 mm. O desenvolvimento das larvas em laboratório dura 60 dias e os adultos vivem entre 2 e 3 dias”. As lâminas com o inseto estão depositadas na coleção entomológica do Laboratório de Entomologia Aquática da UFSCar.

O professor ressalta que o fato de o Metapelopia corbii ter sido localizado em uma área preservada pode fazer com que ele se torne um indicador de condições ambientais favoráveis nos rios. “A descoberta também é importante porque se trata da identificação de mais uma espécie que compõe a biodiversidade brasileira”, ressalta.

Em 2007, o mosquito Paratanytarsus corbii, também da família Chironomidae, foi encontrado pelo professor durante pesquisas em campo. “A criação em laboratório é um processo complicado, pois as espécies são retiradas de seu ambiente natural, e apesar dos experimentos buscarem reproduzir as condições do habitat de origem, nem sempre as larvas sobrevivem”, conclui Corbi.

Mais informações: email julianocorbi@yahoo.com.br, com o professor Juliano Corbi

.