ECA perde um de seus docentes pioneiros, professor Eduardo Peñuela

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Maria Eugênia Gouveia / Laboratório Agência de Comunicação da ECA

Um dos pioneiros da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, professor Eduardo Peñuela Cañizal, faleceu no dia 13 de abril, aos 80 anos.

O professor Peñuela fez o curso de graduação e pós-graduação na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FFLCH) da USP, estudando os poetas Gabriela Mistral (chilena) e César Vallejo (peruano). A paixão pela literatura e a influência dos romances de Miguel Angel Asturias e Carlos Fuentes, incutiram no professor o amor pelo indigenismo e, sobretudo, o amor pela liberdade.

Esses autores, segundo o professor Eduardo em uma entrevista para o ECANotícias, em 2003, o “incentivaram a lutar pela representação paritária e pela participação de estudantes, funcionários e docentes na escolha de chefes de departamento, diretores e reitor. Posso dizer, enfim, que meus contatos com a USP foram intensos e se revestiram do encanto de quem vive a ilusão de que a liberdade é possível, pouco importando se nesses contatos, mediados por atitudes ideológicas não isentas, às vezes, de fanatismo, se desenharam acenos do que os submissos chamam doidice e os metidos a sábios denominam, com solene ponderação, imprudência. Mas se meus primeiros contatos com a USP foram doidos e imprudentes, tenho de confessar, porém, que não me arrependo deles, pois mesmo carregando nas costas os frios aconselhamentos do tempo, continuo amarrado à convicção de que minha entrega à USP só poderia trilhar essa vereda”.

Em 1965, na qualidade de assistente do professor Julio Garcia Morejón, o primeiro diretor da ECA, acabou participando da implantação da Escola de Comunicações Culturais (ECC). Na ocasião, em virtude de uma greve de estudantes, foi convidado ministrar a disciplina de literatura Hispano-Americana, que fazia parte da grade curricular da recém-criada ECC, no lugar do professor contratado.

Essa disciplina foi o início da trajetória acadêmica do professor na ECA. Participando ativamente da instalação do curso de Cinema e na criação do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão (CTR), na época formado pelos cursos de Teatro, Cinema, Rádio e TV.

Foi chefe do CTR durante muitos anos, inclusive em pleno período militar, quando a ECA foi a primeira Escola pública a entrar em greve e pedir a saída do diretor. Nesse período, realizou, também, com a direção de Roberto Santos, o primeiro longa feito por uma universidade brasileira: As três Mortes de Solano.

Na pós-graduação, contribuiu para a criação do primeiro “Programa de Ciências da Comunicação”, no país, em 1973, sendo coordenador do programa por vários anos. Também foi eleito, em três oportunidade, para representante da Área de Comunicação junto à CAPES.

Publicou vários livros no Brasil e um no exterior, e o que mais lhe agradou foi Surrealismo. Rupturas Expressivas, e também o estudo que fez sobre o romance Vidas Secas, um dos ensaios que compõem Duas Leituras Semióticas, editado pela Perspectiva.

Foi diretor da ECA no período de 1993 a 1997, implantando o Projeto da Biblioteca, que temos hoje. Outro ponto que o professor Peñuela ressaltou, na época, foi seu desempenho à frente da disciplina “Poética da Imagem”. “Mudei minha cabeça e consegui, também, transformar a de muitos alunos”.

Formou aproximadamente 44 mestres e/ou doutores, dentre os quais os seguintes docentes da ECA: Eduardo Leone, Jeanne Marie M.Freitas, Maria Dora Mourão, Ana Maria Balogh e Ivan Santo Barbosa.

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