IAG sedia evento de astrobiologia; curso tem transmissão online

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Luiza Caires e Bruna Pellegrini, especial para o USP Online

De onde veio a vida no Universo? Tal pergunta tem tido diversas teses como respostas, elaboradas há vários anos por biólogos, físicos, geólogos, químicos, oceanógrafos e astrônomos. Um campo de pesquisa trata especificamente da origem, evolução e futuro da vida na Terra, somando o conhecimento de todas essas áreas. É a Astrobiologia, ciência que investiga também a eventual existência de vida fora do nosso planeta.

Até o dia 20, a USP abriga a Escola São Paulo de Astrobiologia (Spasa), primeira iniciativa brasileira de um curso focado nesse ramo da ciência. O evento está sendo promovido pelo Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) de Astrobiologia do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Com a participação de cerca de 80 estudantes de graduação e pós-graduação, incluindo pós-doutorandos em biologia, física, astronomia, química, geociências e áreas correlatas, o evento reunirá renomados pesquisadores do país e do exterior para discutir tanto temas gerais da astrobiologia, como o que tem sido  estudado em pesquisas de ponta. As palestras estão sendo exibidas ao vivo pela internet, pelo site do evento.

“A Escola de Astrobiologia faz parte das Escolas São Paulo de Ciência Avançada da Fapesp, que são eventos de bastante prestígio. A ideia é sempre trazer pesquisadores que sejam muito competentes na sua área e atrair bons alunos do estado de São Paulo, ou até estrangeiros, para estudarem o tema desenvolvendo pesquisas aqui”, explica o pós-doutourando em Astrobiologia do Instituto de Química (IQ) da USP, Fabio Rodrigues, membro do Comitê Organizador do evento.

Teoria e prática

O início do curso é dedicado à teoria, e os dois dias do final do evento foram separados para uma viagem de campo. Durante as manhãs, no início da Escola, os participantes assistirão a mini-cursos com fundamentos de Astronomia, Biologia, Química, Geologia e outras disciplinas, para entenderem como cada uma dessas áreas tem a ver com Astrobiologia. O objetivo é atingir um nível de conhecimento e linguagem que permita que participantes de diferentes áreas sejam capazes de dialogar entre si. Além disso, os participantes são incentivados a apresentar suas pesquisas atuais. Uma área de pôsteres científicos fica aberta durante o evento.

Ainda na fase teórica, os períodos da tarde são destinados para palestras com nomes expoentes da Astrobiologia – com pelo menos 15 palestrantes estrangeiros. Um dos destaques é Steven Dick, pesquisador do Museu Nacional de Espaço e Ar Smithsonian, nos Estados Unidos. Antigo historiador chefe da Nasa (a Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço dos Estados Unidos), ele aborda a história da Astrobiologia, mas também formas para transmitir o que se faz em ciência para o público em geral, a fim de que compreendam a importância de se buscar vida fora da Terra”, conta Douglas Galante, pós-doutourando do IAG e também membro do Comitê Organizador do evento.

Steven Benner, da Fundação para a Evolução Molecular Aplicada, dos Estados Unidos também dá palestra bastante esperada pelo participantes, conta Rodrigues. “Benner é um dos principais pesquisadores do mundo em química pré-biótica, área que investiga as primeiras moléculas que foram e são importantes para a existência da vida”.

Do Brasil, o time de cientistas conta com cerca de 20 nomes. Dentre eles, está o físico do Darthmouth College, Marcelo Gleiser, que expõe ao público as diferenças entre a vida simples e complexa e expectativas, levando em conta a Teoria do Big Bang e o surgimento da vida.

Cavernas

Para transpor a teoria, os alunos farão uma pequena viagem de campo, afim de que relacionem o que sabem sobre Astrobiologia, com um ambiente propício para tal análise. “Vamos levar o pessoal para um Parque Estadual com cavernas, na divisa do Paraná com São Paulo. A ideia é que mesmo quem tenha focado seu trabalho mais para a teoria, faça um trabalho de campo”, diz Fabio Rodrigues.

Ele explica que o trabalho em campo em caverna é uma rotina já conhecida por estudiosos da Astrobiologia. “Nas cavernas, há uma condição um pouco mais extrema para a vida. E o que o queremos é exatamente isso: um local em que possam ser discutidas estratégias de sobrevivência na Terra.”

A USP e a Astrobiologia

Para além do curso que está sendo oferecido esta semana, os integrantes do Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP) de Astrobiologia no IAG querem consolidar o nome da USP nessa área. “Trouxemos muitos pesquisadores internacionais de renome, porque estamos empenhados em fazer a USP pioneira no Brasil no que diz respeito ao reconhecimento da importância da Astrobiologia”, esclarece Douglas Galante.

O NAP de que Galante faz parte também já formalizou colaborações com a Rede Europeia de Astrobiologia, prepara-se para assinar parceria com Instituto de Astrobiologia da Nasa e ambiciona criar uma rede latinoamericana de Astrobiologia. “Além de um esforço multidisciplinar, este é um desafio internacional: precisamos estudar os ambientes da Terra inteira, conhecer a vida em todo o planeta, para começar a pensar na vida fora dele”, indica o pesquisador.

Ainda não existe um curso de pós-graduação em Astrobiologia no Brasil. O IAG tem apenas uma disciplina de graduação específica na área. “Estamos trabalhando, para que no longo prazo, ofereçamos um curso de pós, capaz de dar uma visão geral desse ramo da ciência para o pesquisador. E esperamos que a USP seja, mais uma vez, pioneira nessa missão.”

Serviço

A Escola São Paulo de Astrobiologia (Spasa 2011) acontece de segunda-feira (12) até o dia 20 no Auditório Abrahão de Moraes do IF – Rua do Matão, Travessa R, 187, Cidade Universitária, São Paulo.

O evento tem transmissão online em www.astro.iag.usp.br/~spasa2011/online.html.

Mais informações pelo site www.astro.iag.usp.br/~spasa2011, telefone (11) 3091-2815 ou email spasa2011@astro.iag.usp.br.

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