Estudo aponta deficiências no transporte rodoviário de carga

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Fernando Pivetti / Agência USP de Notícias

Um pesquisa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP realizou um levantamento sobre as dinâmicas e processos do transporte rodoviário de carga (TRC) no Brasil. A falta de informações dos caminhoneiros, a ausência de dados consistentes das atividades e as questões enfrentadas pelos empresários do setor são os principais problemas apontados no estudo.

O projeto buscou avaliar o transporte rodoviário de carga a partir de uma perspectiva geográfica, na qual foram analisados aspectos da organização das atividades e as transformações estruturais ocorridas após o processo de globalização. Para o autor da pesquisa, o geógrafo Daniel Monteiro Huertas, o tema TRC ainda é pouco explorado nos estudos acadêmicos. “Até o início do projeto, o TRC ainda não havia sido explorado de modo satisfatório pela geografia brasileira, sobretudo se levarmos em consideração a magnitude de sua presença no território nacional e os impactos espaciais decorrentes desta atividade”.

Durante a fase de análise do estudo, Huertas realizou pesquisas bibliográficas e documentais sobre o assunto paralelamente à realização de trabalhos de campo, com coleta de informações, entrevistas formais e informais e aplicação de questionários. “Foram 12 viagens que perfazem cerca de 27 mil quilômetros percorridos em ônibus, automóvel particular, carona em caminhão e barco, além de 7 trechos por via aérea”.

No total, foram realizadas 44 entrevistas em 31 cidades de 18 Estados, divididas entre empresas transportadoras, órgãos de representação patronal e de motoristas autônomos, terminal de carga, empresa de agenciamento de carga, órgão governamental, empresa de seguro e gerenciamento de risco, grande varejista e inúmeras abordagens informais a autônomos.

Dentre as principais respostas obtidas pelos levantamentos, o pesquisador destaca a centralização do Estado paulista na tomada de decisões em todo o território nacional, os problemas com a falta do chamado frete-retorno, carga transportada na viagem de volta dos veículos, e a hiperexploração do caminhoneiro autônomo. “O trabalho deles [autônomos] passa por um processo perverso de precarização e insegurança”.

Problemas e soluções

Huertas acredita que o estudo abre portas para novas linhas de pesquisa relacionadas ao tema do transporte rodoviário. Para ele, do ponto de vista governamental, o estudo contribui para subsidiar políticas públicas e criar incrementos de normas e regulamentações relacionadas à temática. “Abrimos uma ampla agenda de pesquisas de âmbito acadêmico, permitindo a geração e extensão de conhecimento crítico e inovador sobre questões que atingem a pauta econômica e política do país, além de proporcionar uma leitura macroestrutural do território brasileiro”.

O pesquisador aponta ainda a sensibilização da sociedade para as condições precárias de trabalho e geração de renda do amplo universo composto por motoristas empregados (com vínculo empregatício) e motoristas autônomos (aqueles que possuem o seu próprio veículo) como uma das principais contribuições do projeto.

Mais informações: email dmh@usp.br, com Daniel Huertas

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