Time paulista busca apoio para disputar competição de Biologia Sintética

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Foto: Divulgação iGEM

Uma competição de bioengenharia que acontece no final de outubro já está mobilizando muitos alunos da USP e de outras universidades. Quando o Massachusetts Institute of Technology (MIT) criou em 2003 o International Genetically Engineered Machine (iGEM), disputar um evento como esse nem sequer passava pela cabeça do grupo de alunos que agora tenta tornar o sonho viável.

O Team SP conta com estudantes dos campi da USP em São Paulo, São Carlos e Ribeirão Preto, além de alunos da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). São cerca de 30 membros com a proposta de conquistar uma premiação no torneio mais tradicional de bioengenharia da Biologia Sintética do mundo.

O projeto deste ano consiste num biodetector para disfunção renal. O biodetector pode ser definido com uma bactéria modificada geneticamente capaz de detectar a concentração de uma molécula denominada cistatina C no sangue dos pacientes. Esta substância está diretamente relacionada ao funcionamento dos rins, portanto o dispositivo seria capaz de identificar de modo mais rápido do que os métodos tradicionais um mau funcionamento destes órgãos.

Pequeno, barato e eficaz

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Equipe brasileira Team SP sonha com o iGEM

Aluno do quinto ano do curso de Ciências Físicas e Biomoleculares da USP em São Carlos, Danilo Zampronio é um dos principais idealizadores e desenvolvedores do projeto. Ele conta que a proposta é desenvolver um biodetector que “seja barato, que consiga detectar os estágios mais precoces da doença e que também tenha um caráter portátil, ou seja, não precisa nem de eletricidade”. Assim, seria possível levar o dispositivo para qualquer lugar, mesmo com pouca infraestrutura disponível. Com o diagnóstico muito mais disseminado – e precoce – o tratamento poderia ser mais eficaz.

O Brasil dispõe atualmente de cerca de 650 unidades médicas para tratamento de diálise e transplante de rins. Porém, mesmo com alguns diagnósticos relativamente baratos, ainda se gasta muito dinheiro com os equipamentos específicos necessários.

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Esquema de biodetector – clique para ampliar

“O governo gasta aproximadamente R$ 1,4 bilhão com tratamento para rins. Isso corresponde a aproximadamente 10% de toda a renda destinada à saúde no Brasil. E os métodos de tratamento atuais só detectam o problema num estágio muito avançado, um estágio 3 numa escala que vai de 0 a 5. Nesse estágio, o rim já perdeu cerca de 40% da função dele e essa queda no funcionamento do órgão é silenciosa”, ressalta o aluno.

Após conseguirem o valor necessário para a inscrição, o grupo agora busca os recursos para as próximas etapas. No entendimento dos integrantes, o ideal seria levar quatro pessoas que pudessem apresentar o projeto e representá-lo na competição em Boston e, para isso, seria necessário arrecadar mais de R$ 10 mil. Na tentativa de obter os recursos, além de recorrer a qualquer interessado em fomentar a pesquisa e a extensão universitária, eles estão contando com o apoio de pessoas que já tem um pouco mais de experiência na competição e fazem parte do SynBio.

SynBio

O SynBio Brasil é uma comunidade criada por iniciativa acadêmico-estudantil que pretende discutir e fomentar a Biologia Sintética. A participação é aberta para alunos e docentes, inclusive de fora da USP, buscando reunir pessoas de diversas áreas para estimular a troca de conhecimento interdisciplinar. Além disso, está entre as propostas do grupo gerar times que possam participar de competições como o iGEM, além da Olimpíada de Conhecimento USP; grupos de desenvolvimento de metodologias e equipamentos (Do It Yourself Biology); e projetos de educação (BioBuilder) e empreendedorismo.

Nas edições de 2012 e 2013 do iGEM, sediado em São Paulo, o SynBio formou times próprios ou em parceria com outras universidades, mas dessa vez está exercendo um papel de orientação. Além da experiência de competição, o grupo foi bem sucedido na campanha de crowdfounding e conhece os caminhos a trilhar para participar com êxito da competição.

Imagem: Divulgação SynBio

“O pessoal de São Paulo está atuando como uma consultoria, passando seu know-how para evitar possíveis problemas que possamos ter. Alguns estão ajudando diretamente no projeto, na parte de modelagem do sistema, mas a maior força que eles estão dando é na tarefa de conseguir patrocínio: procurar pelas pessoas certas e agendar reuniões”, conta Danilo.

Outra integrante do SynBio, Viviane Siratuti, reforça que o objetivo do grupo também é democratizar o acesso à ciência. “Para discutir, mas também para ampliar o acesso ao grupo, organizamos reuniões semanais divididas em uma apresentação sobre um assunto interessante e depois um bate papo descontraído, onde muitas vezes surgem novas parcerias para projetos.”

As reuniões do SynBio ocorrem toda quarta-feira, às 18h30, na sala A5 do conjunto de auditórios Ana Rosa Kucinski, o “Queijinho” (em frente ao Instituto de Química da USP, na Av. Prof. Lineu Prestes, 748, Cidade Universitária, São Paulo).

As contribuições para o Team SP podem ser feitas neste link.

Mais informações: email synbiobrasil@gmail.com

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