ICMC recebe delegação da Universidade de Bath e debate relação academia-indústria

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Denise Casatti / Assessoria de Comunicação ICMC

A relação academia-indústria foi o ponto central dos debates realizados no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, durante a visita de uma delegação de pesquisadores da Universidade de Bath, localizada na Inglaterra. “Estamos buscando fortalecer essa relação com a indústria no ICMC e podemos aprender muito com a experiência da Universidade de Bath”, destacou o diretor do Instituto, José Carlos Maldonado, durante a recepção à delegação, no último dia 29 de abril.

O presidente da Comissão de Relações Internacionais do ICMC, Paulo da Veiga, apresentou as principais linhas de pesquisas existentes no Instituto, destacando que há 151 parcerias estabelecidas com empresas em vigência hoje no ICMC. Veiga lembrou também que, durante o primeiro semestre de 2013, uma delegação de pesquisadores do Instituto visitou Bath e outras seis universidades britânicas: Lancaster, Manchester, York, Bangor, West of England e Strathclyde Glasgow.

Já o professor José Cuminato explicou como funciona o Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão do Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Indústria (CEPID-CeMEAI), sediado no ICMC, ressaltando que, para ampliar as parceiras entre a academia e a indústria no Brasil, é preciso mudar a visão de mundo que predomina no ambiente acadêmico. “A maioria dos nossos alunos sabem muito mais matemática do que, de fato, precisariam para resolver os problemas reais. No entanto, quando se deparam com esses problemas, muitos deles não conseguem resolvê-los. O ideal seria que esses alunos tivessem a oportunidade de passar algum tempo atuando na indústria, mas é difícil convencer alguns acadêmicos de que isso não é uma perda de tempo”, afirmou Cuminato.

O chefe do Departamento de Matemática da Universidade de Bath, Ivan Graham, afirmou que cerca de 60% dos estudantes de graduação de Bath passam o terceiro ano da faculdade trabalhando em instituições financeiras, institutos de pesquisa, comércio, na própria Inglaterra ou em outros países europeus. No total, a Universidade conta aproximadamente com 15 mil alunos, incluindo 3,5 estudantes estrangeiros. “A Inglaterra tem uma tradição grande na área da matemática aplicada à indústria e nós, do Departamento de Matemática de Bath, somos um dos departamentos ingleses que têm mais experiência nisso”, afirmou o brasileiro Paul Milewski, que é professor em Bath.

Outro diferencial de Bath está relacionado à busca por romper as barreiras existentes entre áreas de conhecimento como a matemática pura, a matemática aplicada, a estatística e a probabilidade. “Em Bath, nós não nos dividimos em grupos de pesquisa. As parcerias entre os pesquisadores são fluídas, estabelecidas de acordo com os interesses inerentes a cada projeto”, explicou Milewski.

Além disso, Cuminato falou sobre a recente criação do Programa de Mestrado Profissional em Matemática,Estatística e Computação Aplicadas à Indústria (MECAI). As aulas da primeira turma do novo Programa terão início em agosto. Coincidentemente, a Universidade de Bath criou recentemente um novo centro de doutorado de estatística e matemática aplicada, chamado EPSRC Centre forDoctoral Training in Statistical Applied Mathematics (SAMBa). A troca de experiências, informações e a possibilidade de intercâmbio de estudantes da pós-graduação poderão fortalecer as iniciativas das duas instituições.

Do encontro entre as universidades também participaram o professor de Bath Andreas Kyprianou; o professor Rolf Jeltsch, do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH Zürich), da Suíça, que atualmente é professor visitante no ICMC; e os professores André Carvalho, Antonio Castelo Filho, Eduardo Fontoura, Fabrício Simeoni, Francisco Louzada Neto, Francisco Mônaco, Gustavo Nonato, Leandro Franco e Murilo Tomé, todos do ICMC.

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