Especialistas debatem impactos e futuro da tecnologia na sociedade

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Fabiana Grieco | Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Fabiana Grieco | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

A internet e as tecnologias de comunicação provocaram mudanças importantes na forma como o homem enxerga, interpreta e se relaciona com o mundo. Buscando promover a troca de ideias e conhecimentos sobre essa nova sociedade em termos de cultura, cidade e tecnologia é que acontece nesta quinta-feira, dia 22 de maio, na Tenda Cultural Ortega y Gasset da USP, o Inventando Futuros, encontro organizado pela Escola do Futuro, núcleo da USP que pesquisa novas tecnologias de comunicação aplicadas à educação.

O evento marca os 25 anos da Escola e traz especialistas para discutir inclusão digital, a cultura do remix, o cenário transmídia, entre outros temas. “Nós queremos realizar um encontro entre a academia e a comunidade para que as pessoas de fora da Universidade também possam pensar a questão da influência da tecnologia nos vários setores da sociedade, como a tecnologia na cultura, na educação, no jornalismo, e a possibilidade de inclusão digital”, explica Fabiana Grieco, pesquisadora associada da Escola do Futuro e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação (PPGCOM) da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Dividido em duas partes, o evento começa com o debate Metrópole e Cultura no século XXI – o mundo em transe digital, que contará com a presença de convidados das áreas da comunicação e da educação. Fabiana, que integra a organização do evento, conta que a intenção é mostrar perspectivas para o futuro da tecnologia na sociedade. “A temática ‘inventando futuros’ tem a ver com a possibilidade de enxergar novas tendências para a tecnologia e sua relação com outras áreas do conhecimento. Por isso, nós vamos juntar especialistas que possam debater as possibilidades desse setor”, afirma. A segunda parte do evento será destinada à apresentação de projetos elaborados pelo Coletivo Escola do Futuro da USP e por seus parceiros.

Grandes momentos da web

Escola do Futuro comemora 25 anos | Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Escola do Futuro comemora 25 anos | Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O desenvolvimento da web na sociedade, explica Fabiana, pode ser divido em dois grandes momentos, a partir dos quais são elaborados os estudos e as políticas públicas. O primeiro momento envolve as iniciativas que visavam ampliar o acesso à internet, ou seja, buscavam a inclusão digital. “Foi o momento em que nós ainda nem falávamos em portais online. A discussão era centrada em como iriam ser colocados computadores nas escolas, e para isso era necessária a montagem de toda uma estrutura física específica nesses espaços. Era preciso fazer cabeamento e levar a ferramenta [o computador] para que os alunos e professores tivessem um primeiro contato com a internet”, conta Fabiana.

Naquele contexto, o computador era ainda uma grande novidade, mas hoje esse perfil já mudou e fala-se, até mesmo, em uma fase 3.0 da web. Atualmente, a principal preocupação nessa área não é mais apenas a implantação do computador ou de outros aparelhos na sala de aula, mas a maneira pela qual essas tecnologias serão utilizadas dentro ou fora dela.

“Existe hoje um empoderamento da tecnologia pelos jovens, que agora fazem uso dessas ferramentas [redes sociais, blogs, enciclopédias digitais, etc.] quando e onde eles bem entendem. Por isso, nesses assuntos o professor agora possui muito mais um papel de mediador do que de detentor do conhecimento”, diz Fabiana. Segundo a pesquisadora, esse é um dos assuntos estudados por Fredric Litto, fundador da Escola do Futuro e presidente da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), e que estará no debate do dia 22 de maio.

A Escola do Futuro e a literacia digital

A Escola do Futuro é um núcleo de pesquisa que, desde seu princípio, busca trabalhar com propostas inovadoras nas questões relacionadas a educação e tecnologia. Para tal, o núcleo se desenvolveu a partir de dois eixos que serão apresentados na exibição de projetos no Inventando Futuros.

Publicações são resultados das parcerias feitas pela Escola do Futuro | Foto: Marcos Santos/USP Imagens
Publicações são resultados das parcerias feitas pela Escola do Futuro | Foto: Marcos Santos/USP Imagens
De um lado, são realizados projetos de intervenção em comunidades, ações práticas que atingem diretamente a população. Um dos exemplos mais importantes desse eixo é o Acessa SP, projeto de inclusão digital desenvolvido em parceria com o Ibope e a Telefônica Vivo.

(Leia mais sobre o projeto em Premiado, Acessa SP colhe frutos de parceria com Escola do Futuro)

Paralelamente aos projetos de intervenção, o núcleo também desenvolve pesquisas acadêmicas em grupos de estudos, como o Observatório da Cultura Digital, criado em 2007 pela coordenadora científica da Escola do Futuro, Brasilina Passarelli – que também estará presente no debate do dia 22. “Nesse Observatório nós produzimos dados de pesquisa na área da inclusão digital e das tecnologias na sociedade. Uma das principais linhas do grupo são as pesquisas voltadas às literacias digitais”, conta Fabiana Grieco.

O conceito de literacia digital corresponde a todo o conjunto de competências e habilidades necessárias para que uma pessoa consiga usufruir de maneira completa uma nova ferramenta. “Para educação, é comum se usar o termo alfabetização. Nós não o utilizamos, mas o princípio é bem próximo. Nós enxergamos que existe uma forma de lidar com a nova tecnologia, de tal maneira que não se pode soltar qualquer um na frente do computador e esperar que essa pessoa saiba utilizar a ferramenta. É preciso que uma série de habilidades anteriores sejam desenvolvidas e que a pessoa se familiarize com a nova linguagem tecnológica e digital da ferramenta. É a esse processo de aprendizagem que damos o nome de ‘literacia digital’, e para cada aparelho diferente existe uma literacia diferente”.

Serviço

Para participar do Inventando Futuros, o interessado deve enviar um email com nome completo para inventandofuturosusp@gmail.com. Todos os participantes poderão solicitar um atestado de participação, que será enviado por email posteriormente.

O evento acontece no dia 22 de maio, das 14 às 18 horas, na Tenda Cultural Ortega y Gasset, localizada na rua da Praça do Relógio, s/n, Cidade Universitária, Butantã – São Paulo, SP. A entrada é gratuita e aberta ao público. A programação do evento pode ser consultada neste endereço.

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