Fóssil de crocodilo ‘guloso’ é encontrado em São Paulo

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Breno Berlingeri Campos / Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campos de Ribeirão Preto

Foto: Rodolfo Nogueira Reprodução do Aplestosuchus sordidus 
Foto: Rodolfo Nogueira
Reprodução do Aplestosuchus sordidus 

Pesquisadores do campus de Ribeirão Preto da USP, do Museu de História Natural, de Nova Iorque (Estados Unidos), e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Rio Claro, acabam de publicar a descrição de mais uma espécie de crocodilo, o Aplestosuchus sordidus que significa abominável crocodilo guloso.

O animal, do grupo dos Baurussuquídeos, grupo de crocodilos terrestres carnívoros e, que teria cerca de dois metros de comprimento, ganhou esse nome, porque na sua cavidade abdominal foi encontrado outro crocodilo, do grupo Esfagessaurídeos, crocodilos menores e de dieta onívora ou herbívora.

Segundo o professor Max Langer, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, esta é a primeira vez que conteúdos abdominais bem preservados são registrados para crocodilos fósseis, e a primeira evidência de predação entre diferentes espécies fósseis desses animais.

90 milhões de anos

Foto: Divulgação Esqueleto do Aplestosuchus sordidus. Detalhe na figura A mostra detalhes do conteúdo abdominal encontrado
Foto: Divulgação
Esqueleto do Aplestosuchus sordidus. Em sua cavidade abdominal foi encontrado outro crocodilo.

Os fósseis foram coletados na região de General Salgado, no interior do Estado de São Paulo, em outubro de 2013. São de animais que habitaram a região no período Cretáceo, há cerca de 90 milhões de anos.

Na cavidade abdominal do Aplestosuchus sordidus, havia um conjunto de quatro pequenos ossos cranianos (frontal, parietal, palpebral e jugal), bem como três dentes isolados. “Apesar dos danos eventualmente causados pela corrosão gástrica, comparações anatômicas com outros animais do grupo comprovam a associação dos ossos e dentes aos crocodilos Esfagessaurídeos e sugerem que os restos correspondem a um animal de cerca de 60 centímetros de comprimento.”

Langer diz que a descoberta reflete a grande diversidade de crocodiliformes no centro-sul do Brasil durante aquela época. Este grupo, que inclui os crocodilos modernos e seus parentes extintos, teve cerca de 20 espécies descritas na Formação Adamantina, Cretáceo Superior do Triângulo Mineiro e Oeste de São Paulo. “Essa diversidade é concomitante com uma relativa escassez de fósseis de dinossauros, fatos que podem estar correlacionados.”

A descrição da nova espécie foi publicada na Revista PLos ONE, no dia 8 de maio, e os fósseis estão depositados na coleção permanente do Laboratório de Paleontologia da FFCLRP.

Mais informações: (16) 36023844, com o professor Max Langer

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