Mostra no Cinusp presta homenagem a Gordon Willis

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Claudia Costa / Jornal da USP

Foto: Reprodução
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Considerado um mestre absoluto da fotografia de cinema, Gordon Willis protagonizou uma revolução naquilo que até então se entendia por filmagem. Seu trabalho com as sombras e a subexposição em O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, rendeu-lhe o apelido de “Príncipe das Trevas”. Ao longo dos anos 1970 e 80, fez parcerias ainda com diretores como Woody Allen, Alan J. Pakula e James Bridges, e embora tenha sido indicado ao Oscar de Melhor Fotografia duas vezes, por O Poderoso Chefão – Parte III, de Coppola, em 1991, e por Zelig, de Woody Allen, em 1984, conquistou apenas um prêmio honorário da Academia, em 2010, por sua “insuperável maestria em luz, sombra, cor e movimento”. Aposentado desde o final dos anos 1990 – o último filme que fotografou, Inimigo Íntimo, de Alan J. Pakula, foi lançado em 1997 –, Willis faleceu no último dia 18 de maio, prestes a completar 83 anos de idade, recebendo inúmeras manifestações de pesar no meio cinematográfico.

Em sua homenagem, o Cinusp exibe entre os dias 2 e 13 de junho, na Cidade Universitária e no Centro Universitário Maria Antonia, uma mostra que inclui dez filmes marcantes de sua carreira. São títulos fundamentais para entender a evolução de sua técnica e exemplos da diversidade temática e estilística dos filmes que tiveram sua direção de fotografia. Entre os destaques, está a trilogia O Poderoso Chefão, na qual foi tão questionado sobre sua filosofia. Quando lhe perguntavam sobre sua decisão de manter os olhos de Marlon Brando sob as sombras, Willis dizia que o padrão hollywoodiano “quanto mais, melhor” não era razão suficiente para orientar suas opções estéticas, fazendo questão de deixar claro que seu trabalho com a subexposição nas cenas de interiores não era mera rebeldia e sim fazia parte de um processo de reflexão sobre o conjunto do filme, desde o roteiro.

Outro destaque da programação é Zelig (EUA, 1983), parceria com Woody Allen, um pseudodocumentário sobre a vida de Leonard Zelig, um homem capaz de modificar sua própria aparência para agradar a outras pessoas, que teria se tornado uma celebridade na Nova York dos anos 1920. Intercalando depoimentos de figuras famosas – reais ou não – e de autoridades a supostas imagens e sons de arquivo, simulando perfeitamente a estrutura e a aparência de um documentário autêntico, é um dos trabalhos mais originais da carreira de Woody Allen e do cinema de comédia, definindo um subgênero, o mockumentary. Neste filme, Willis utilizou câmeras e lentes antigas para tornar indistintas as imagens de arquivo “autênticas” daquelas filmadas por Allen, conquistando por esse trabalho a primeira de suas duas únicas indicações ao Oscar de Melhor Fotografia. Ainda serão exibidos Manhattan (EUA, 1979), terceiro e mais marcante fruto da parceria com Woody Allen, com uma rica textura das imagens em preto e branco; e Todos os Homens do Presidente (EUA, 1976), dirigido por Alan J. Pakula, que, segundo Willis, foi um dos filmes mais difíceis que fez, já que exigia múltiplos focos para acomodar muitas ações em extensos planos-sequência.

Serviço

cinusp_logo_novo_baixa3A mostra Gordon Willis (1931-2014) será exibida entre os dias 2 e 13 de junho, no Cinusp (rua do Anfiteatro, 181, favo 4 das Colmeias, Cidade Universitária, tel. 3091-3540); e Sala Carlos Reichenbach do Centro Universitário Maria Antonia (r. Maria Antonia, 294, 1º andar, Consolação, tel. 3123-5200). A entrada é franca.

Mais informações: http://www.usp.br/cinusp/

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