ICMC e Prefeitura de São Carlos discutem capacitação de professores e criação de centro de dados

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Denise Casatti / Assessoria de Comunicação do ICMC

Unir esforços em prol de projetos para ampliar o uso das novas tecnologias na cidade de São Carlos e a qualidade da educação nas escolas municipais foi o principal objetivo da reunião que aconteceu na tarde desta quarta-feira, 28 de maio, no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos.

“O ICMC está à disposição da Prefeitura para apoiar ações que estejam relacionadas à nossa área de atuação. Todos têm a ganhar com essa parceira”, afirmou o diretor do ICMC, José Carlos Maldonado. Nos últimos quatro anos, em média, apenas 5% dos alunos que ingressaram nos cursos de graduação oferecidos pela USP em São Carlos residem na cidade, os outros 95% são provenientes de outros municípios brasileiros. Considerando-se os dados apenas de 2014, o índice de ingressantes que residem em São Carlos cai para 1,21%. “Podemos atuar junto às escolas da cidade, fortalecendo o ensino e ampliando as possibilidades para os jovens são-carlenses”, completou Maldonado.

Uma das propostas discutidas nesse sentido é o apoio do Instituto na capacitação dos professores da rede de ensino municipal por meio do oferecimento de cursos de extensão, de especialização e de programas de mestrado. Nesse contexto, o ICMC já oferece o Mestrado Profissional em Matemática em Rede Nacional (PROFMAT), um programa de pós-graduação gratuito em matemática, sob coordenação da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). O programa é voltado especialmente para os professores de escolas públicas que, ao serem aprovados no processo seletivo de ingresso, podem solicitar bolsas de estudos à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

“Apenas um terço dos professores que participam do PROFMAT no ICMC são de São Carlos”, afirmou a coordenadora do programa no ICMC, Ires Dias. Segundo a professora, outra dificuldade encontrada pelos professores matriculados no PROFMAT é a falta de tempo para se dedicar aos estudos. Por isso, uma das propostas discutidas durante a reunião foi a possibilidade da Prefeitura Municipal liberar cerca de 8 horas semanais da carga horária de trabalho do professor que se dedica ao programa, tempo para ser destinado às atividades do PROFMAT. “Isso já seria um grande estímulo, além, é claro, de uma futura revisão nos planos de carreira, possibilitando que houvesse um aumento salarial superior a 5% para quem obtém o título de mestre”, considerou a professora.

Outra proposta discutida foi a da criação de um Centro de Estudos e Dados Urbanos, onde seria possível empregar novas tecnologias para o gerenciamento e monitoramento de informações sobre a cidade, auxiliando a gestão pública. “Não é difícil implantarmos um sistema de rastreamento nos ônibus municipais e disponibilizarmos à população, nos pontos de ônibus, a informação sobre quanto tempo o veículo vai demorar para chegar”, exemplificou o professor do ICMC Gustavo Nonato.

Outro exemplo nesse sentido é a ampliação do número de sensores colocados nos leitos dos rios e córregos que circundam a cidade, juntamente com a instalação de câmeras de filmagem, permitindo a identificação da elevação do nível dos rios e a prevenção de enchentes. “Um centro desse tipo precisa ter um viés empresarial, por isso, é necessário articular essa ação não só com a prefeitura, mas também junto às empresas”, adicionou Nonato.

Durante a reunião, também foram debatidos outros projetos de parceria como o apoio do ICMC na informatização e na implantação de laboratórios de ciências nas escolas municipais. “Vamos lutar para levar os projetos que discutimos aqui adiante, buscando recursos no BNDES, na FAPESP e em outras instituições de apoio. O Brasil precisa desesperadamente de iniciativas como essas”, finalizou o Secretário Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia, José Galizia Tundisi.

Também participaram da reunião o diretor de Políticas Científicas da Prefeitura de São Carlos, Péricles Trevisan; o vice-diretor do ICMC, Alexandre Nolasco de Carvalho; e as professores do Instituto Roseli Romero e Márcia Federson.

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