No IRI, ministro comenta status da diplomacia brasileira

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Foto: Marcos Santos / Marcos Santos
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O Ministro de Estado das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado

Para estreitar as relações com o Itamaraty e oferecer uma oportunidade aos alunos de dialogar com importante nome da área, o Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP promoveu, no dia 6 de junho, a conferência Política Externa, Desenvolvimento e Integração Regional. O encontro foi organizado pelo Grupo de Análise de Conjuntura Internacional (GACINT) do IRI, que trouxe como convidado o Ministro de Estado das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo Machado.

Na presença de outras autoridades, professores, jornalistas e alunos, foram tratados os assuntos mais relevantes para a política externa do Brasil no momento, oferecendo-se  a oportunidade para que os presentes fizessem questões ao ministro.

Luiz Alberto celebrou a oportunidade de conversar com a Universidade. “O contato com a academia é sempre algo relevante para o Itamaraty. Isto ajuda a arejar as ideias e [permite] o intercâmbio de pontos de vista. Valorizo muito oportunidades como esta”, afirmou.

Ao longo da conversa, o ministro destacou dados positivos da atuação da política externa brasileira na atual conjuntura. Machado lembrou que “hoje, o Brasil é um dos 11 únicos países do mundo que mantêm relação com todos os membros associados da ONU [Organização das Nações Unidas]”. Segundo ele, isso coloca o país em um nível de influência internacional bastante satisfatório.

O Brasil é um dos 11 únicos países do mundo que mantêm relação com todos os membros associados da ONU.

Ainda sobre o assunto, o líder do Itamaraty chegou a recomendar: “poder é capacidade de influenciar. Nesse sentido, o Brasil é tão capaz de influenciar quanto países com o chamado hard power que acredito que valha um grande campo de estudos que comprovem o que na prática já se sente.”

Defendendo-se da crítica da mídia sobre as relações internacionais do país em alguns casos regionais e mundiais, Luiz Alberto Figueiredo Machado justificou-se dizendo que “felizmente, a política externa brasileira não é feita através da mídia, mas sim dos canais diplomáticos oficiais.”

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Machado (centro): Brasil deseja que sua posição de destaque na diplomacia mundial seja oficialmente reconhecida

Ministro do governo de Dilma Rousseff desde 2013, Machado citou as principais pautas de atuação do Itamaraty atualmente. Dentre elas, elencou o combate à fome e à miséria, o desenvolvimento sustentável e as mudanças climáticas, mas fez questão de ressaltar um novo fator: a governança da internet.

Felizmente, a política externa brasileira não é feita através da mídia, mas sim dos canais diplomáticos oficiais.

O diplomata afirmou que além de ser o país que mais reduziu a emissão de gases do efeito estufa, “o Brasil também passou a ser referência internacional quando o assunto é a internet. Atualmente, na ONU, Brasil e Alemanha estão encabeçando a defesa de um marco conceitual que estabelece que todo crime no mundo real é também um crime no mundo virtual”, ressaltou o ministro, defendendo a inclusão do assunto entre os estudados pelos alunos de Relações Internacionais da USP.

Além disso, Machado sugeriu como a política interna do Brasil reflete nas relações exteriores. Segundo ele, o país aprendeu que “é possível crescer e dividir o bolo ao mesmo tempo, fazendo com que a própria inclusão social retroalimente o nosso crescimento”. Essas políticas adotadas pelo governo atraem, de acordo com o ministro, a atenção de outros países também para a política internacional brasileira.

Conselho de Segurança

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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Ausência do Brasil no Conselho de Segurança da ONU foi questionada pela plateia

Desejo antigo do Itamaraty, a inclusão do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU também foi assunto abordado na conferência. Ele defendeu a adesão do Brasil ao bloco que tem o poder de vetar as deliberações da Organização, pois a ONU já estaria passando por um processo de reformulação natural. “Nós não estamos forçando nada. O Brasil deseja, apenas, que a sua posição de destaque na diplomacia mundial seja oficialmente reconhecida.”

Em nenhum dos cenários imagináveis
o Brasil está fora do Conselho.

Após ser questionado sobre o fato dos EUA já terem defendido abertamente a inclusão da Índia no Conselho, mas não terem apoiado o Brasil ainda, o ministro reagiu alegando naturalidade. Segundo ele, assim como os americanos já apoiaram a Índia, outros países já apoiaram o Brasil, e o mais importante desse contexto é que esse processo de reformulação vai acontecer. “Isso já é certo. E em nenhum dos cenários imagináveis o Brasil está fora do Conselho”, resumiu.

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