Gravidez não planejada é fruto de má educação sexual, diz estudo

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Marcela Baggini / Serviço de Comunicação Social da Prefeitura USP do Campus de Ribeirão Preto

A maioria das gestações não planejadas é resultado do uso incorreto de métodos contraceptivos. Esse é um dos resultados da pesquisa Gravidez não planejada: a experiência das gestantes de um município do interior do Estado de São Paulo. Os resultados do estudo foram apresentados em dezembro do ano passado como defesa de mestrado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. A responsável pela pesquisa, enfermeira Natália Canella Sanches, diz que, ao mesmo tempo em que as mulheres conheciam e faziam uso de anticoncepcionais, elas sabiam que não realizavam o procedimento de forma correta.

“Relataram não fazer o uso diariamente, por esquecimento. Com o uso incorreto, sabiam que corriam o risco de engravidar.” A dissertação de mestrado de Natália foi orientada pela professora Fabiana Villela Mamede e acompanhou 11 gestantes da cidade de Sertãozinho, interior de São Paulo, mas, garante a pesquisadora, “os resultados podem se estender para outras regiões do estado, uma vez que a gravidez não planejada é constantemente observada”.

Outro fato apontado pelo estudo foi o alto nível de estresse que as gestantes sofrem nesses casos. Estresse esse agravado por questões como a perda do companheiro, do emprego e da não aceitação da família. “Também houve a negação por parte da própria gestante, que viu a gravidez como algo negativo em sua vida, relatando ter passado por momentos de desespero e choque, devido a toda mudança de planos”.

Sonhos deixados de lado

Como a amostra pesquisada continha mulheres com idade entre 18 e 49 anos, foi possível detectar que as mais jovens, ainda dependentes dos pais, não têm autonomia financeira suficiente e sofrem mais com a não aceitação dos familiares. Por outro lado, aquelas que já estão inseridas no mercado de trabalho tendem a abrir mão do emprego.

Para Natália, a gravidez não planejada faz com que os sonhos sejam colocados de lado. “Com isso, o bebê assume a condição de maior importância na vida da gestante, que deixa os estudos e trabalho de lado para ocupar uma nova função social.” As consequências da gestação não planejada não são apenas relacionadas a aspectos sociais, mas também a saúde da mulher, já que os níveis de ansiedade e depressão tendem a aumentar.

“Nós analisamos os níveis biopsicossociais, que são os impactos da gravidez na parte física, emocional, socioeconômica e familiar. Todos os aspectos foram afetados”, conta Natália. Segundo a pesquisadora, os profissionais da saúde devem promover continuamente ações junto a essas mulheres, com o intuito de ensiná-las como deve ser feita a prevenção. “Acredito que gestações assim são frutos de uma frágil educação sexual presente na sociedade”, conclui.

Mais informações: (16) 3942-5230, 98255-1000, email nataliacanela@yahoo.com.br

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