Estudo da FEARP sugere estratégias para alavancar mercado fruticultor brasileiro

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O desenvolvimento de uma proposta de plano estratégico para ampliar a competitividade do Brasil no mercado global de alimentos e, em especial, de agronegócios que envolvem a exportação de frutas frescas foi tema de uma pesquisa desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Administração de Organizações da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP pelo engenheiro agrônomo José Guilherme Ambrósio Nogueira sob orientação do professor Marcos Fava Neves.

Dados coletados para a pesquisa demonstram que embora a importância do agronegócio para a economia brasileira seja grande, a indústria nacional de frutas exporta pouco. Dados do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf) para o segmento de frutas frescas indicam que a exportação média é de 0,5% sobre a produção total brasileira e raramente chega a 3%, para produtos específicos, como é o caso do melão e da uva.

Segundo o pesquisador José Guilherme Ambrósio Nogueira, o objetivo do plano é fazer com que o Brasil se aproxime de níveis de exportação similares aos que já atingiram África do Sul, Espanha, alguns países do Caribe e o Chile, na América do Sul. Com um estudo aprofundado de relatórios e levantamentos do Brasil e exterior, o pesquisador pôde identificar quais os principais pontos e fatores críticos de sucesso para a internacionalização, bem como identificar os potenciais países compradores das frutas brasileiras.

Após esta etapa, por meio de uma análise que envolveu 36 empresas do setor, Nogueira pôde classificar empresas em diferentes graus de internacionalização: não exportadora, em desenvolvimento, intermediária, experiente e internacionalizada. Desta forma, foram identificadas diferentes necessidades como verticalização, orientação para marketing, infraestrutura e competências para atender o mercado internacional e grau de competitividade. Para o engenheiro “ficou claro durante o estudo que todos esses fatores são responsáveis pelo sucesso no mercado internacional e tanto o produtor como instituições devem atuar de forma integrada para atender esse objetivo”, afirma Nogueira.

Objetivos de curto prazo

O plano desenvolvido prevê objetivos de curto e de longo prazo para que as ações sejam direcionadas no momento certo e também para o local correto. No curto prazo, o plano estratégico prevê medidas que devem ser tomadas no âmbito interno das empresas, visando ao desenvolvimento de seu grau de internacionalização com projetos de capacitação da mão de obra para comercialização, estruturação de website para o setor e elaboração de material de comunicação bilíngue para as empresas.

Dentro do ambiente para a comercialização, os pontos a serem trabalhados seriam a promoção de projetos junto a compradores internacionais por meio de rodadas de negócios, participação em feiras internacionais, melhoria da imagem institucional do setor (como realizado pelo café da Colômbia) e missões de prospecção, ou seja, atividades de exploração de mercado, desenvolvidas de acordo com o interesse de um grupo de empresas de um mesmo setor ou de setores afins.

Para empresas experientes e já internacionalizadas o plano sugere ações como, campanhas cooperadas com varejistas de alimentos e, no caso de empresas já internacionalizadas, até mesmo campanhas integradas com outros setores para a redução de custos e visando um melhor desenvolvimento de seus produtos em canais de distribuição similares.

Objetivos de longo prazo

A longo prazo, as ações são variadas e têm como meta atingir nos próximos cinco anos um maior nível de capacitação produtiva das empresas resultando em frutas com melhor qualidade. O plano inclui nesta fase o planejamento da produção através de capacitação e desenvolvimento de mão de obra especializada, e também a implementação de projetos de ordem institucional para a melhoria de competitividade do setor, através da melhoria da infraestrutura logística para as frutas brasileiras, sistemas de Inteligência de mercado para que as empresas possam planejar e acessar mercados prioritários e desoneração tributária (como aplicado a países do pacto Andino – Peru e Bolívia).

Fatores como registros de defensivos agrícolas para a produção de diversas frutas também se mostraram de grande necessidade para a exportação de frutas. Isso porque para muitas frutas não existem defensivos registrados o que se torna uma barreira junto a mercados de países compradores que requerem a certificação do produto com boas práticas agrícolas e de qualidade.

Com informações da Assessoria de Imprensa da FEARP

Mais informações: email zeguian@gmail.com

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