FAU disponibiliza acervo digitalizado da Revista Acrópole

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Com informações da FAU e da Assessoria de Imprensa da USP

Foto: Reprodução
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A Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP digitalizou a coleção completa da Revista Acrópole, especializada em arquitetura e urbanismo, que circulou entre os anos de 1938 e 1971. Ao todo são 391 fascículos e mais de 23 mil páginas disponíveis no website, lançado no dia 25 de junho.

O projeto de digitalização foi uma iniciativa da Biblioteca da FAU, detentora de uma das poucas coleções completas da revista, e contou com o apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) e das herdeiras do diretor-proprietário da Revista Acrópole e da Editora Max Gruenwald & Cia., Manfredo Gruenwald.

O objetivo da equipe – formada pelo professor da FAU e diretor do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP, Hugo M. Segawa, pela professora Marcia Rosetto, pela bibliotecária Dina Elisabete Uliana e pela estagiária Carla Catarine Moura Queiroz – foi o de garantir a preservação da coleção, ampliar o acesso a esse importante acervo, subsidiar a pesquisa na área de Arquitetura e Urbanismo realizada no país e consolidar conhecimento e competências específicas com a elaboração de diretrizes técnicas e operacionais para digitalização e disponibilização de periódicos de interesse histórico e científico.

Além da reprodução integral em meio digital da coleção, o projeto também realizou a conversão dos textos e imagens digitalizadas, permitindo busca direta e acesso online, a criação de um banco de dados para o arquivamento da coleção digital e a organização do website para a busca dos registros e textos completos.

História

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Site mostra todas as edições da revista, que circulou entre os anos de 1938 e 1971.

Editada entre os anos de 1938 e 1971, a revista Acrópole é uma publicação especializada em arquitetura que apresenta as realizações desenvolvidas não só por arquitetos paulistas, mas também nacionais e internacionais. Em 34 anos de publicação, a revista registrou projetos de edifícios, urbanização, paisagismo, desenho industrial, comunicação visual, arquitetura de interiores e detalhamento arquitetônico, além de textos teóricos, pesquisas, resenhas e notícias de interesse para os profissionais da área.

Nos anos 1950 e, sobretudo na década de 1960, não havia arquiteto ou estudante de arquitetura que não consultasse ou colecionasse a revista, relata Hugo Segawa. “Recordo-me do testemunho de arquitetos gaúchos, jovens profissionais na virada para os anos 1960, que dialogavam com os arquitetos paulistas sem ao menos se conhecerem, folheando as páginas da revista; ou um estudante de arquitetura na segunda metade dos anos 1960 que assinava a Acrópole e a consultava como se fosse um tratado da arquitetura”, relembra.

De acordo com o professor, Acrópole era uma revista comercial, que sobrevivia de publicidade, mas paradoxalmente, pode ter sido ao mesmo tempo uma revista de vanguarda, de tendência, de ideologias e convicções. “Decerto foram os muitos arquitetos-consultores e colaboradores que, ao longo da longeva existência (a maior entre as congêneres de meados do século passado) delinearam as diversas personalidades da Acrópole ao longo de mais de três décadas, compondo um impressionante e surpreendente testemunho de época”, registra Segawa.

O projeto

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Em 2012, a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da USP lançou o Edital de Preservação de Acervos e Patrimônio Cultura, e a Biblioteca da FAU, responsável pelo desenvolvimento e manutenção do Índice de Arquitetura Brasileira (IAB), indexação dos periódicos que realiza desde a década de 1960, planejou a expansão do IAB aproveitando o potencial das tecnologias. Com o projeto “Digitalização e Acesso Online à Revista Acrópole: Conservação e Preservação da Memória da Arquitetura e Urbanismo”, a FAU obteve o recurso da Pró-Reitoria.

Para Hugo Segawa, recuperar e abrir esta coleção é “trazer de corpo inteiro um testemunho de um rico período, à espera de desvendamentos por parte de pesquisadores com olhares das mais distintas disciplinas”.

O diretor do MAC destaca ainda que, mais do que a digitalização em si, o objetivo foi desenvolver um modelo metodológico de digitalização para esse tipo de material para orientar a futura digitalização e disponibilização de outros conteúdos de publicações periódicas especializadas de igual relevância tanto na USP, como em outras instituições.

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