Experiências que valem a pena

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matheustop

Sempre estudei em escola pública, do “prezinho” ao ensino médio. No final do terceiro ano, prestei vestibular na Unesp, em Artes Visuais, mas não passei. Pra quem fez escola pública, eu até fui razoavelmente bem na prova, mas, na hora da prova específica, entrei lá “boiando”, não fazia ideia.

Depois que eu não passei no vestibular, fui conversar com a minha tia, que sempre ajudou muito a minha família, e ela concordou em me ajudar a pagar o cursinho. No começo, foi uma experiência chocante. Tinha muita coisa que eu nunca tinha visto na escola.

Quando fui prestar vestibular, escolhi Geografia na Unesp, e Relações Públicas na USP, mas não fui aprovado em nenhum dos dois. Na Unesp, eu fiquei na lista de espera, mas eu sabia que mesmo que eu passasse, não teria condições de morar fora de São Paulo. Também não estava convicto de que eu queria Geografia.

Só prestei pra Geografia mesmo por causa de uma professora do ensino médio, a Yná. Ela dava aula de verdade. Ela não escrevia na lousa pra gente copiar, não mandava ‘ler a página 15’. Não, ela falava a aula inteira e você tinha que acompanhar. Então, a aula dela era boa e eu me interessava pela matéria. Fica mais fácil de prestar atenção assim.

O que eu mais valorizo na USP é essa riqueza de experiências que a gente tem com as entidades como o centro acadêmico e a atlética, além do convívio com tantas pessoas tão diferentes.

Eu fui falar com a minha tia que queria fazer o cursinho pela segunda vez. Ela disse “meu, você vai entrar, tenho fé que você vai entrar. Vou pagar o cursinho”. Eu passei a ter aula de manhã, ia pra casa, almoçava, e depois voltava para o cursinho pra ficar estudando. No final do ano, tentei Relações Públicas na Unesp e na USP. Passei nas duas. Outros dois amigos da escola entraram também, em Geografia e em História.

O que eu diria pra um aluno de escola pública é que na maior parte da minha vida eu não fui um bom aluno, mas eu tô aqui. Não é impossível. Eu não me arrependo de nada, faria um terceiro ano de cursinho se fosse preciso. O que eu mais valorizo na USP é essa riqueza de experiências que a gente tem com as entidades como o centro acadêmico e a atlética, além do convívio com tantas pessoas tão diferentes. Isso pra mim é muito enriquecedor. Vale muito a pena.

Leia o depoimento da professora de Matheus:
Yná Andrighetti – Da repressão ao reconhecimento
“A gente faz o melhor possível, mas nem sempre consegue. O mérito é dele”.

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