Capacete na cabeça

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Meu pai é engenheiro civil. Cresci no “barro”, no meio da obra, com capacete na cabeça. Acho que ele me influenciou muito a seguir essa carreira, então, desde pequena eu sabia que queria ser engenheira.

Sempre quis fazer uma universidade pública, mesmo porque meus pais não têm condições de bancar uma faculdade particular. Meus pais me influenciaram muito nisso: minha mãe sempre dizia que a gente morava aqui em São Paulo e que a USP era a melhor. A USP sempre teve fama de ser a melhor. Cresci com isso na cabeça.

Eu morava em Suzano, cursava o ensino médio de manhã, fazia curso técnico de administração à tarde e, aos sábados, frequentava o cursinho da Poli. No terceiro ano, nós mudamos para São Paulo e eu entrei no cursinho à tarde, mas não passei no vestibular naquele ano. Foi só quando eu saí do ensino médio que comecei a me dedicar mais aos estudos. Mesmo estudando na melhor escola pública de Suzano, não era o suficiente para passar na Fuvest. No primeiro ano de cursinho, levei uma pancada forte, porque o cursinho serve para você revisar o que já viu, mas eu tava aprendendo tudo aquilo.

Fiz cursinho durante todo o ano seguinte, mas não consegui passar na USP, passei na UFABC. No começo, eu não queria estudar lá, eu queria a USP, mas meus pais insistiram, diziam que não valia a pena jogar aquela oportunidade fora. Então, eu cursava a faculdade de manhã e fazia cursinho à tarde.

Não é impossível, por mais que a gente ache que tudo está contra nós, que nunca vai chegar a nossa vez, mas chega sim

Foi uma época complicada: eu levava quase duas horas de ônibus para chegar na faculdade, que fica em Santo André, depois mais uma hora e meia para chegar no cursinho, almoçava, e ficava lá até às 18h30. Chegava em casa e estudava. Eu dormia pouco e estudava muito. Foi difícil, mas valeu a pena: hoje eu tô na Poli.

Quem me influenciou no ensino médio foi a professora Lúcia, de Biologia. Eu conversava muito na sala, então, ela olhava pra mim e falava ‘você tem potencial, mas fica aí conversando’. A gente conversava algumas vezes; eu dizia que queria estudar na USP e ela falava ‘assim você não vai conseguir’ e eu pensava: ‘vai ser fácil, eu faço cursinho de sábado’, mas não deu certo. Ela tinha razão.

O que eu diria pra um aluno de escola pública que quer estudar em uma universidade pública? Não desista. Não é impossível, por mais que a gente ache que tudo está contra nós, que nunca vai chegar a nossa vez, mas chega sim. Precisa ter dedicação, não desistir, que no final dá tudo certo.

Leia o depoimento da professora da Vitória:
Lúcia Kato – Incentivo que faz diferença
“Muitos alunos têm grande potencial. Eles precisam acreditar na sua própria capacidade e em seus sonhos”.

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