Time de programação em São Carlos está em busca de alunos

Publicado em Tecnologia por em

Denise Casatti / Assessoria de Comunicação do ICMC

O Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos, está em busca de mais alunos para comporem equipes de programação. O objetivo é manter o ICMC entre os melhores times quando o assunto é Maratona de Programação. É o caso da Ñtemtempabobagi, que está entre as 69 melhores equipes do mundo. Formada pelos cientistas de computação Bianca Oe, Bruno Adami e Luis Fernando de Abreu – sob a regência do técnico Filipe Nascimento –, a equipe alcançou essa colocação depois de enfrentar 122 concorrentes na última edição da Maratona Mundial de Programação (International Collegiate Programming Contest – ICPC), ocorrida na Rússia, em junho. Mas antes de chegar lá, eles venceram 585 concorrentes e conquistaram a primeira colocação na Maratona Brasileira de Programação.

Quem quiser fazer parte dessa história de sucesso, precisa se inscrever, até 14 de agosto, por meio de formulário eletrônico disponível aqui. Podem participar alunos de graduação e pós-graduação da USP, em São Carlos, independentemente do curso em que estejam matriculados. Também é preciso ter iniciado os estudos universitários em 2010 ou posteriormente, levando-se em conta a entrada no primeiro curso de graduação, ou ter nascido a partir de 1991. Confira os critérios neste site.

O processo seletivo será realizado em duas etapas. Cada prova conterá cerca de sete problemas a serem resolvidos de forma individual durante quatro horas. Na primeira prova, que ocorrerá dia 17 de agosto, um número específico de alunos será selecionado para ir diretamente à fase regional da Maratona, a ser realizada dia 13 de setembro. Aqueles que não forem selecionados na primeira prova terão uma nova chance na segunda etapa, que acontece dia 23 de agosto.

As regras que definem a classificação final, após as duas etapas, serão divulgadas depois do período de inscrições. No final do processo, os 15 melhores colocados estarão classificados para formar equipes compostas por três alunos para representar a USP em São Carlos na Maratona de Programação. Dependendo da performance dos candidatos, poderão ser selecionados até 18 alunos. Detalhes como os horários e locais das provas serão enviados por e-mail aos inscritos.

Treinamento e muito esforço

A chegada do ICMC ao primeiro lugar no pódio brasileiro da Maratona de Programação e a ida da equipe ao ICPC é resultado de um trabalho que vem acontecendo desde 1996. “É notável o crescimento do ICMC nos últimos anos, quando o Instituto saltou de posições intermediárias (15º a 27º) para as primeiras posições do ranking”, constata o professor do ICMC Gustavo Batista.

De acordo com o professor, entre os motivos que levaram a essa evolução está a criação do Grupo de Estudos da Maratona de Programação (GEMA) em 2007, o qual realiza, durante todo o ano, treinamentos em laboratório e reuniões semanais. “Acredito que, assim como levou tempo para dominarmos a competição nacional, também levará tempo para que possamos nos sair melhor no mundial. Vamos precisar participar duas, três, quatro vezes até que possamos compreender melhor como funciona essa prova e quais são suas tendências”, opina.

A prova deste ano do ICPC, segundo Bruno Adami, foi a mais difícil de todos os tempos: o time campeão resolveu apenas 7 dos 12 problemas propostos. “Nossa equipe foi bem e, este ano, os times brasileiros se esforçaram para treinar juntos com a finalidade de elevar o nível do nosso país na competição. O resultado final mostra que a colaboração é o caminho para conseguirmos um resultado expressivo no futuro”, afirma Bruno.

Nesse contexto, fica a dica do técnico Filipe Nascimento: “Treine muito e não se sinta frustrado facilmente. Se fosse fácil, não haveria competições”. A recomendação dos competidores para quiser treinar antes das provas é resolver exercícios disponibilizados no site SPOJ, participar de disputas no CodeForces eTopCoder. Como livro de apoio, indicam Competitive Programming.

Vantagem no currículo

Mas, afinal, qual vantagem um estudante tem ao participar desse tipo de competição? “Antes de entrar para a maratona, eu tinha sido reprovado em quatro matérias. Depois, não reprovei em nenhuma. Estudar ficou mais fácil e comecei a gostar disso”, confessa Adami. Ele e seus colegas de equipe participam das maratonas desde quando começaram a cursar Ciências de Computação no ICMC.

Segundo o professor Gustavo Batista, a maioria das grandes empresas da área de tecnologia, como Google e Facebook, por exemplo, aplicam em seus processos de seleção questões muito similares às que aparecem nas maratonas de programação. Dessa forma, participar das disputas passa a ser também uma vantagem competitiva no mercado de trabalho.

Não é à toa que todos os membros da equipe do ICMC que foram à Rússia carregam a marca do Google ou do Facebook em seus currículos. Todos eles se formaram em 2013. Luis Fernando de Abreu estagiou durante três meses no Facebook em Palo Alto, nos Estados Unidos e, atualmente, faz mestrado no ICMC. Bianca também é mestranda no Instituto e, assim como Bruno Adami, estagiou no Google nos Estados Unidos. Mas Bianca Oe passou sua temporada de três meses na empresa em Mountain View, enquanto Adami ficou em Nova York. Após esse período de estágio, ele foi contratado e, em breve, vai se mudar para Belo Horizonte.

Mais informações: email seletiva-icmc-2014@googlegroups.comsite http://maratona.ime.usp.br/,  Facebook https://www.facebook.com/groups/gemaicmc/

.