O câncer além da doença: pacientes recebem apoio em laboratório do IP

Publicado em Comportamento, USP Online Destaque por em

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O sofrimento associado ao diagnóstico do câncer extrapola os já conhecidos efeitos orgânicos dos tratamentos mais comuns da doença, como a quimioterapia – que provoca queda de cabelos, náuseas e dores. O paciente, e também seus familiares, enfrentam sentimentos de revolta, medo, insegurança e ansiedade que precisam ser levados em conta durante o processo de superação da doença, inclusive porque podem permanecer até mesmo após o fim do tratamento. É essa dimensão psicológica do câncer o foco da Psico-Oncologia e das atividades do Chronos, laboratório do Instituto de Psicologia (IP) da USP dedicado ao atendimento dessas pessoas por meio da psicoterapia.

No Chronos, sigla para Centro Humanístico de Recuperação em Oncologia e Saúde, mas também uma referência ao deus do tempo da mitologia grega, os especialistas que realizam o atendimento dedicam-se, igualmente, a conhecer a doença, e é isso o que diferencia o profissional da Psico-Oncologia. “Precisamos conhecê-la ao máximo, saber sobre os tratamentos e os efeitos colaterais”, explica Elisa Maria Parahyba Campos, professora do Departamento de Psicologia Clínica do IP e coordenadora do Chronos. O domínio dessas informações é importante pois cada tipo de câncer envolve determinadas características e reações, que podem influenciar o estado emocional dos pacientes. E ao lidar com os medos das pessoas, é preciso saber se eles são reais ou fantasiosos para poder orientá-las.

O primeiro contato com o laboratório acontece, em geral, por meio da página do Chronos e, principalmente, pelo boca a boca, conta Elisa. Também há casos de pacientes encaminhados por outros médicos e pela própria clínica-escola do IP. Quando surge uma demanda, o grupo se reúne, discute o caso e decide quem vai “assumi-lo”. O responsável, então, entra em contato com o paciente e agenda uma primeira entrevista, para compreender qual a situação da pessoa e o que se pretende obter com a terapia.

Psicoterapia breve

portal20140815_2O atendimento dura aproximadamente um semestre: trata-se de uma psicoterapia breve, focada na questão da doença, em que cada caso vai ditar como será o acompanhamento. Há situações específicas, como, por exemplo, o agravamento da doença, em que o atendimento pode ser estendido por mais um período.

Quando é possível, também são realizados atendimentos em grupo. “Esse é o ideal, porque as pessoas se identificam umas com as outras e veem que não são as únicas que estão passando pelo problema”, conta a coordenadora do Chronos. Segundo Elisa, muitos relatam o medo da morte e, por isso, os psicólogos procuram esclarecer os pacientes a respeito da doença, inclusive sobre os índices de mortalidade, por vezes superestimados pelo doente.

E em alguns casos, quem mais precisa de apoio são os parentes. “Muitas vezes ele está mais desestruturado que o próprio paciente. A pessoa que está próxima fica muito abalada, então nós atendemos também por meio dessa psicoterapia breve, damos espaço para a pessoa colocar para fora a angústia”, explica.

Além dos atendimentos realizados no Instituto de Psicologia, o Chronos também atua em parceria com o Serviço de Psiquiatria e Psicologia Hospitalar do Hospital Universitário (HU) da USP.

Psico-oncologia

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

O laboratório coordenado por Elisa conta com alunos de pós-graduação da USP e também de outras instituições, que passam a conhecer o Chronos por meio da Jornada de Psicologia da Saúde, Psicossomática e Psico-Oncologia, evento organizado anualmente em conjunto com o Laboratório Sujeito e Corpo (SuCor) do IP. Neste ano, acontece a sétima edição do evento, programado para o mês de outubro.

A Psico-oncologia busca compreender as relações entre o desenvolvimento da doença e o estado emocional do paciente. Sabe-se que distúrbios como a depressão, por exemplo, podem afetar o sistema imunológico, podendo, assim, influenciar o avanço do câncer. Segundo Elisa, o atendimento psicológico contribui muito com o tratamento, ao atuar em benefício de seu bem estar.

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