Brasil amplia as exportações para mercados asiáticos, aponta estudo da Esalq

Publicado em Pesquisa por em

Da Assessoria de Comunicação da Esalq

Pesquisa da Escola Superior Luiz de Queiroz (Esalq), da USP em Piracicaba, revela que o Brasil conseguiu, nos últimos vinte anos, ampliar a participação de mercado (market share) e o valor exportado para o Leste e Sudeste Asiático, caracterizando um desempenho positivo. O trabalho do pesquisador Mateus Silva Chang mostra que o País vem aumentando o seu fluxo de exportações por possuir uma forte agroindústria e extração de minerais, tendo capacidade para suprir as necessidades de importação de matérias primas e gêneros alimentícios dos países das duas regiões.

A China e o Japão são os principais destinos dos produtos nacionais exportados para o Leste e o Sudeste Asiático. No ano de 1990 os dois países eram responsáveis por 59,84% das compras da região. Nas duas últimas décadas, tal participação apresentou uma tendência de crescimento, culminando em 76,66% no ano de 2010. A pesquisa, orientada pela professora Heloisa Lee Burnquist, do Departamento de Administração, Economia e Sociologia (LES) da Esalq, explorou o perfil das exportações para esses países a fim de compreender a forma de evolução das relações comerciais no período de 1990 a 2000, com foco no padrão de especialização e de competitividade dos produtos brasileiros exportados.

No plano da política comercial, o mercado brasileiro tem procurando comercializar com o maior número possível de nações. “Uma ampliação do fluxo de comércio com outras nações, bem como a diversificação de parceiros comerciais, tem por objetivo consolidar o comércio internacional brasileiro e reduzir a dependência do país em relação a determinados parceiros comerciais”, afirma Chang.  ”Neste contexto, os países do Leste e Sudeste Asiático são novas fronteiras a serem exploradas pelo comércio nacional”.

A pesquisa constatou que o padrão das exportações brasileiras para os países em questão tornou-se mais especializado em produtos com menor intensidade tecnológica. “A pauta de exportação brasileira para a China e o Japão tornou-se mais concentrada em produtos primários e baseados em recursos naturais. Isto implica que a complementaridade entre a economia brasileira e a chinesa e japonesa é fator preponderante para definir o padrão das exportações brasileiras para esses países. Assim, a necessidade dos dois países em importar recursos naturais e matéria prima para suas produções é o que define as exportações brasileiras”, explica o pesquisador.

Vantagem

Segundo o estudo, as exportações brasileiras para esses mercados asiáticos tornaram-se mais especializadas em produtos para os quais o país apresenta vantagem comparativa e cuja contribuição ao saldo comercial brasileiro é positiva. Carnes, sementes, grãos, plantas medicinais e minérios, no caso do mercado chinês e ferro, aço e alumínio e carnes para o mercado japonês. “A concentração das exportações em tais produtos é interessante, uma vez que ao deter certa vantagem sobre seus concorrentes, o Brasil pode exportá-los a preços mais competitivos, superando a concorrência no mercado dos países importadores”, explica.

Apesar de o Brasil estar aproveitando o bom momento econômico, Chang afirma que um próximo passo para incrementar as exportações seria identificar e explorar nichos de mercado nos quais os produtos brasileiros ainda não competem, seja por não ter uma produção direcionada para tais mercados, seguindo os padrões exigidos pelos chineses e japoneses, seja por falta de divulgação da parte brasileira e, consequentemente, de conhecimento do mercado chinês e do mercado japonês.

O pesquisador observa que os produtos para os quais o Brasil apresentou vantagem comparativa nas duas últimas décadas, como preparados alimentícios de carne, peixe e crustáceos, preparados de legumes, verduras, frutas e castanhas e preparados alimentícias diversos, além de madeira e lenha, tem aumentado tanto no mercado chinês quanto no japonês. No entanto, a participação brasileira nestes mercados além de não ter aumentando, não atingiu nem 1%. Esta mesma situação é válida para o cacau no mercado chinês.

“O Brasil está perdendo oportunidades nestes nichos. Devido às distâncias geográficas e culturais, o apoio do governo, por meio de promoção de produtos brasileiros em feiras e exposições em solo chinês e japonês, bem como a realização de missões comerciais, é essencial para o aprofundamento das relações comerciais com tais países”, conclui Chang.

Mais informações: email mateus.chang@usp.br

.