Especializada em tecnologia na educação, Escola do Futuro amplia leque

Foto: Marcos Santos/USP Imagens

Com a premissa de estudar as novas tecnologias na área da educação, foi criado em 1989 o Núcleo de Novas Tecnologias de Comunicação aplicadas à Educação – a Escola do Futuro (EF) da USP, sob a coordenação científica do professor Fredric M. Litto, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP.

Inicialmente, ela consistia em um laboratório da ECA, mas em 1993 instituiu-se como um Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP), subordinado à Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP) da Universidade. Hoje, a Escola do Futuro aposta em parcerias com o setor público e privado, e estende seu leque de estudos para além da educação.

A linha de pesquisa que integra o Observatório da Cultura Digital busca gerar inovação no campo das redes e sua propagação cultural. “Antes estudávamos a aplicação da tecnologia só na educação. Agora estamos também dando um enfoque à cultura digital,  em como as pessoas se comportam frente à tecnologia e o que isso causa na sociedade”, afirma Samantha Kutscka, assessora de Relações Institucionais da EF.

A Escola também valoriza cada vez mais a integração de saberes. “Diferentemente de outros núcleos de pesquisa, somos transdisciplinares. Temos professores da ECA, da Poli e da Educação”, aponta Samantha.

O núcleo tem investido, ainda, em parcerias com universidades de outros países que fazem esse mesmo tipo de trabalho, como a Universidade do Porto, a Universidade de Aveiro e a Universidade de Coimbra , em Portugal; a Universidade Carlos III de Madrid; a Royal Holloway University of London (RHUL) e a Universidade de Austin, nos Estados Unidos.

Projetos

Entre os atuais projetos, está o Acessa SP, programa de inclusão digital e protagonismo social ativo há 8 anos, em parceria com o Governo do Estado de São Paulo. Com cerca de 480 telecentros no estado, 720 monitores capacitados, 42 milhões de atendimentos e um milhão de usuários cadastrados, ele oferece para a população o acesso às novas tecnologias, principalmente a internet, procurando contribuir para o desenvolvimento profissional e pessoal dos cidadãos.

Em parceria com a prefeitura de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, e com a Secretaria da Educação, o projeto Entremeios capacitou 600 professores da rede pública a utilizar as Tecnologias de Informação e Comunicação nas salas de aula, inserindo-os no ambiente virtual através da criação de uma rede social de aprendizagem.

Entre iniciativas já finalizadas, estão as Investigações Ambientais na Escola, em que alunos de escolas públicas de ensino fundamental e médio elaboraram projetos investigativos na área de ciências, utilizando uma comunidade virtual para discutir e se comunicar entre si. As pesquisas foram desenvolvidas junto às escolas municipais de Cubatão, em São Paulo, em parceria com o Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema) da USP.

A tecnologia na sala de aula

Acessa SP | Foto: Divulgação

A juventude hoje está inserida em um processo de mudança na forma de ensino. Estamos lidando com a era da informação, em que os estudantes são inundados de todos os lados com novas tecnologias, redes sociais e equipamentos eletrônicos. A maneira tradicional de educação está perdendo sua força, e algo precisa ser feito para atrair a atenção desses jovens que têm tantas possibilidades à sua disposição.

“O comportamento das pessoas perante as mídias muda a forma de ensinar. Se a gente tem um apelo com o jovem, que é a tecnologia, por que não utilizá-la a nosso favor?”, questiona Samantha. Para ela, porém, o problema inclui a falta de incentivo e estímulo aos educadores. Sem uma política de valorização do professor, ele não tem iniciativa para inovar dentro da sala de aula.

O que a Escola do Futuro busca é mostrar que existem novos caminhos e possibilidades, e que a tecnologia não veio para prejudicar a formação dessa nova geração. Pelo contrário, ela pode ser utilizada a favor da educação, estimulando os estudantes a participarem da aula e aprenderem através de interfaces digitais.

Linhas de pesquisa

Em sua primeira fase, a linha de pesquisa Comunidades virtuais de apredizagem e prática pretendia implementar propostas inovadoras que ampliassem as possibilidades do ensinar e do aprender, utilizando recursos como a internet e a multimídia. Alguns projetos educacionais eram feitos em parceira com a Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE), da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo.

A partir de 2006, a coordenação científica passou a ser exercida pela professora Brasilina Passarelli, do Departamento de Biblioteconomia e Documentação da ECA. O projeto passou a investir no desenvolvimento de estudos e pesquisas sobre a sociedade do conhecimento e seus impactos nas áreas da Comunicação, Educação e Informação.

Em 2008 foi instituído o Observatório da Cultura Digital, que já culminou em dissertações de mestrado, teses de doutorado, livre-docência e projetos de pós-doutorados.

A Escola do Futuro fica na Av. Prof. Lúcio Martins Rodrigues, travessa 4, bloco 18, Cidade Universitária, São Paulo.

Mais informações: site www.futuro.usp.br.