Núcleo da FFLCH estuda a origem e o caminho das ideias

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O episódio em que a queda de uma maçã teria inspirado o britânico Isaac Newton a desenvolver a teoria da gravidade já é um clássico na história da ciência. Pouco se sabe, porém, qual o caminho percorrido por outros grandes pensadores até chegarem aos seus conceitos e ideias geniais. Realizar esse trabalho de pesquisa, assim como diversos outros tipos de estudos, é o papel do Núcleo de Estudos em História da Cultura Intelectual, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Fundado há cerca de dois anos, o Núcleo surgiu da necessidade que a professora Sara Albieri enxergou em promover maior diálogo entre as áreas de pesquisa da Universidade. Segundo ela, mesmo dentro da FFLCH, os estudos estavam muito especializados e profundamente focados em aspectos pequenos de uma ou outra questão. “Descobri essa área de pesquisa que estava esquecida e pouco revitalizada, que eram os estudos de história intelectual”, diz.

A História da Cultura Intelectual é uma área que se desenvolveu no século XX, sobretudo em países anglófonos, mas que também possui correspondentes em outras regiões, como na Alemanha (História dos Conceitos) e na França (História das Ideias ou das Mentalidades). “Achei que era o momento de tentar atualizar esse campo de trabalho e congregar as Humanidades”, afirma Sara.

Nesse sentido, as pesquisas do Núcleo englobam a produção de ideias, livros, sistemas e correntes intelectuais, e analisam como esses conhecimentos surgem, se espalham, são recebidos e, eventualmente, assumem outras formas. Para a professora, realizar esse trabalho também envolve estudos históricos, pois é preciso analisar como esses elementos foram se desenvolvendo e adquirindo características em diferentes épocas e lugares. “Nós estudamos não só a história da cultura, mas também a história da filosofia, da ciência e das ideias científicas, dos intelectuais e seus trabalhos”.

Seminários e revista virtual

Além da produção acadêmica, o Núcleo de Estudos em História da Cultura Intelectual se preocupa em organizar eventos e publicações para compartilhar o conhecimento. Por esse motivo, já realizou, em 2010, a primeira edição do Seminário de História Intelectual, que teve como tema as “Questões de método”. Em junho desse ano, o Núcleo vai promover outro evento que, dessa vez, será mais focado em história das ideias científicas, devido a um encontro anual da Sociedade Brasileira de História da Ciência, que a USP receberá no mês de setembro.

Segundo a professora, outro projeto do Núcleo em 2012 é a criação de uma revista virtual, com as pesquisas realizadas pelo grupo. O nome da publicação sera Intelligere, que em latim significa “compreender”, no sentido de realizar um esforço intelectual para entender algo. Sara explica que essa escolha derivou de um ditado latino, que se tornou famoso pelo filósofo racionalista Bento de Espinoza:

“Não rir das ações humanas, não deplorá-las, nem odiá-las, mas entendê-las .”

Parcerias e difusão

No início, o Núcleo reunia apenas os pós-graduandos orientados por Sara. Com o passar do tempo, mais professores e pesquisadores de outras instituições brasileiras e estrangeiras fixaram-se ao grupo e passaram a compor a rede na qual o Núcleo se tornou. As parcerias incluem a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade Federal de São Carlos (UFScar), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade de Brasília (UnB) entre outras. Há também, em andamento, a construção de parcerias internacionais, com a Foundation for Intellectual History, de Londres, a University of Massachusetts e a University of California.

Agora, a ideia é promover mais encontros entre os membros e abrir essas reuniões para os alunos da graduação.

“A nossa graduação em humanidades está muito divorciada da pesquisa que é feita na pós graduação”, analisa Sara.

Também no sentido de estender o alcance do Núcleo, foram realizados alguns cursos de difusão, com foco no público externo à Universidade. O primeiro desses eventos aconteceu em 2011 e introduziu um debate sobre História Pública. “Foi um estudo sobre os modos como a História é comunicada fora do ambiente acadêmico”, diz a professora. Por causa do sucesso do curso, as aulas se tornaram um livro sobre o assunto, e outros eventos semelhantes foram organizados.

De acordo com Sara, tais projetos, cursos e seminários se afinam com o interesse do Núcleo, que é o de atuar em duas vertentes principais: por meio da pesquisa acadêmica, incentivando as discussões especializadas, as teses e publicações científicas; e através da aproximação com o público comum. Tudo isso, sobretudo, baseando-se em estudos interdisciplinares. “A ideia é fomentar o diálogo”, completa.

Mais informações: http://histint.vitis.uspnet.usp.br

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