Pesquisa realizada na Esalq aprimora o cultivo de gérberas

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Caio Rodrigo Albuquerque / Assessoria de Comunicação da Esalq

O mercado de flores movimenta, no Brasil, um montante de aproximadamente 1 bilhão de dólares ao ano. Para atender essa demanda, produtores de gérbera de corte cultivam variedades competitivas no mercado externo, além de atender o mercado interno. “Entretanto, para a obtenção de elevada qualidade e produtividade dessa flor, o manejo da nutrição deve ser adequado e rigorosamente controlado”, comenta Sueyde Fernandes de Oliveira, engenheira agrônoma, que estudou a influência da aplicação de cálcio (Ca) e silício (Si) na água de irrigação (fertirrigação) em características qualitativas e produtivas de gérbera.

O trabalho foi desenvolvido no programa de Pós-graduação em Fitotecnia, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP e teve orientação de Simone da Costa Mello, professora do Departamento de Produção Vegetal (LPV). De acordo com o estudo, as informações sobre a nutrição de gérbera de corte na literatura ainda são escassas, a nível nacional. Dessa forma, foi possível obter informações sobre os efeitos do cálcio e do silício na produção de capítulos e no aumento da vida pós-colheita dessa flor. “A escolha destes elementos para estudo foi devido aos efeitos favoráveis na pós-colheita, pois, segundo a literatura, o cálcio apresenta função estrutural nas plantas por se depositar na parede celular, e o Si por reduzir a transpiração nas plantas e aumentar a resistência ao ataque de insetos. No entanto, não tem muitos trabalhos na bibliografia em que se estude o efeito deste elemento na pós-colheita de flores” explica.

Experimento

Entre novembro de 2009 e setembro de 2010, o experimento foi conduzido em casa de vegetação na área experimental do LPV, com o objetivo de estudar três níveis de cálcio (7,5; 10 e 12,5 mmol L-1) e quatro níveis de silício (0; 2,95; 4,43 e 5,89 mmol L-1), aplicados via solução nutritiva. A partir do início das aplicações de cálcio e silício, na fase reprodutiva, foi registrado semanalmente o número de hastes florais por planta. No final da fase vegetativa, foram avaliados o número de folhas, a área foliar, a massa seca e os teores de nutrientes nas folhas. Já na fase reprodutiva, o crescimento e produção da gérbera foram avaliados pelo número de folhas, área foliar, massa seca das folhas, hastes e capítulos. Nesses mesmos períodos também foram determinados os teores de nutrientes nas folhas, hastes e capítulos florais, longevidade e perda de massa das flores no período pós-colheita, além da qualidade das flores em seu ponto de colheita, avaliada por meio do comprimento e diâmetro da haste, diâmetro do capítulo e intensidade da coloração das pétalas. No período pós-colheita, as flores foram avaliadas considerando quantos dias estas se caracterizavam como comerciais.

A pesquisa revelou que a aplicação de 2,95 mmol L-1 de silício resultou em maior número de flores com longevidade comercial, determinada pelo número de dias para o aparecimento dos seguintes sintomas: haste com pétalas desbotadas e/ou escurecidas; presença de manchas e/ou doenças; haste murcha; haste muito curvada ou tombada; haste com mais da metade dos discos florais visivelmente abertos. A dose de 400 mg L-1 de cálcio reduziu a perda de massa das flores durante o período pós-colheita. “As informações obtidas auxiliam o produtor no manejo de gérbera e o setor de pesquisa na área de floricultura, contribuindo para os estudos relacionados à nutrição dessa espécie”, finaliza.

Mais informações: (19) 3447-8613 e (19) 3429-4109/4485, email acom@esalq.usp.br, site www.esalq.usp.br/acom

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