USP chega a Santos e recepciona novos alunos

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“Faltava a ida da USP ao mar”, declarou o reitor João Grandino Rodas aos alunos, docentes e autoridades presentes nesta quarta-feira (29), durante a aula inaugural do curso de Engenharia de Petróleo no novo campus da Baixada Santista da Escola Politécnica (Poli). Acompanhado do diretor da Escola, José Roberto Cardoso, além de políticos locais, tais como o prefeito de Santos, João Paulo Tavares Papa e do secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, Paulo Alexandre Barbosa, o reitor ressaltou a importância do novo campus “que não nasce do zero, mas com base na experiência consagrada da Escola Politécnica”.

Assim como a Escola Politécnica, fundada em 1893 após uma tentativa infrutífera de se estabelecer uma faculdade de engenharia em São Paulo, o campus de Santos já havia buscado a implantação na década de 1980, como explica o diretor José Roberto Cardoso. Entretanto, foi somente a partir de 2011, com a experiência adquirida nos últimos 30 anos, que o plano de trazer a Escola para a Baixada finalmente entrou em vias de concretização. “O objetivo agora é se arraigar à região, participando de seu desenvolvimento, mantendo o espírito inovador e empreendedor”, declara o professor.

Recordando-se do esforço da Escola ao construir o primeiro computador brasileiro em 1972, José Roberto Cardoso apresentou aos alunos a tradição de uma carreira que, recentemente, volta suas atenções ao recurso natural que movimenta economias internacionais, o petróleo. Com cerca de 4500 horas de curso, os 10 estudantes selecionados pelo vestibular da Fuvest têm pela frente uma árdua tarefa, tornando-se parte da história não apenas da Universidade, como também da profissão.

O curso, que já existe no campus da Cidade Universitária, mas que será gradualmente extinto, forma profissionais para uma área que possui demandas particulares. O engenheiro de petróleo formado pela Poli será capacitado para atuar em diversos segmentos da cadeia produtiva do petróleo, desde a pesquisa de novas jazidas até a produção de petróleo e gás natural. Caberá a ele, entre outras atribuições, a tarefa de fazer análises econômicas e avaliação de reservatórios, auxiliando em projetos de construção de plataformas e poços de petróleo.

No trilha do pioneirismo

Com uma concorrência considerada alta – 42,8 candidatos por vaga – a graduação em Engenharia de Petróleo reúne um pequeno contingente de estudantes de diversas regiões do país. Vinda de fora do Estado, a caloura Laura de Macedo Costa trocou Belo Horizonte pelo litoral santista motivada pela admiração pela química e física, matérias essenciais na formação de um engenheiro. Apoiada pela família, a estudante optou pelo curso de Engenharia de Petróleo após ter visitado uma mostra em sua cidade sobre o assunto. Comprometido a subir e descer a Serra nos primeiros meses de curso, o aluno paulistano Erik Shimabukuro, estreante no vestibular, não teve dúvidas ao escolher a carreira. “Foi minha primeira opção desde sempre”, afirma.

Considerados, nas palavras do prefeito João Paulo Tavares Papa, como parte de um projeto de transformação da região, os alunos serão os participantes iniciais de um plano que prevê a expansão da Universidade de São Paulo na região nos próximos 50 anos.

Apesar de estarem vivenciando um princípio diferente das outras recepções de calouros que ocorrem nesta semana nos demais campi da USP, a turma se mostrou empolgada ao ser recepcionada com pompa de desbravadores. “A história de São Paulo se inicia com o descer do planalto”, relembra o reitor ao se referir ao movimento das Bandeiras paulistas, comparando a iniciativa passada com os eventos do presente. Mesmo não sendo legítimos bandeirantes, os primeiros alunos da Poli de Santos aceitaram a tarefa de se reunirem com docentes e a Reitoria em agosto deste ano, para explorarem juntos as demandas do novo curso. “Queremos fazer deste campus uma USP diferente”, explica Rodas ao mencionar a atuação em conjunto com os estudantes.

A USP em Santos funcionará num prédio tombado no bairro de Vila Mathias, no centro da cidade. O edifício, de 1900, foi projetado por Ramos de Azevedo, primeiro vice-diretor da Politécnica. A universidade ocupará o segundo piso do prédio, com um anfiteatro, seis salas e banheiros. As aulas começam a partir da próxima semana.

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