PRCEU avalia ações voltadas a memória e difusão de arte e conhecimento

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Silvana Salles / Jornal da USP

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária apresenta balanço do Programa de Editais, que em suas duas edições selecionou mais de 200 projetos voltados à memória e à difusão de arte e do conhecimento

Em março, nos primeiros momentos do contingenciamento de recursos que a USP vem enfrentando, a professora Maria Arminda do Nascimento Arruda comunicou que o Programa de Editais da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária não teria uma nova edição em 2014. O foco do órgão neste ano seria, dessa forma, um processo de acompanhamento, avaliação e divulgação dos resultados das duas edições realizadas. Esse processo culminou, no final de novembro, com a apresentação de um balanço e a publicação de um livreto com os indicadores do programa.

O Programa de Editais começou a ser delineado ainda em 2011, com os objetivos específicos de preservar a memória universitária e os acervos culturais da USP, fomentar a difusão da produção artística, cultural e científica da Universidade e construir mecanismos institucionais de desenvolvimento de novas iniciativas nesses setores. Em 2012, a Pró-Reitoria optou por um modelo de edital o mais abrangente possível, para permitir o acolhimento de um maior número de boas propostas e o mapeamento de áreas de carências, possíveis parceiros e focos de interesse predominantes.

Reunindo as edições de 2012 e 2013, foram classificados, ao todo, 244 projetos – cerca de 50% dos inscritos. Os projetos representaram as três grandes áreas do conhecimento. Em 2012, foram abertos três editais, nas categorias Memória USP, Preservação de Acervos e Patrimônio Cultural na USP e Intercâmbio de Atividades de Cultura e Extensão. Foram aprovados 129 entre 216 inscritos.

Em 2013, apesar do crescimento do número de inscrições, que chegou a 255, foram contemplados 115 projetos. Os editais ganharam ajustes e englobaram as categorias Preservação de Acervos Documentais, Memórias e Monumentos, Difusão e Intercâmbio de Atividades de Cultura e Extensão e Museus e Coleções Museológicas. Esta última categoria foi criada a partir de uma demanda acumulada identificada entre os projetos inscritos no primeiro ano, para atender aos museus e coleções de forma mais estruturada. Foram aprovados 26 projetos especificamente nessa modalidade.

Segundo a pró-reitora Maria Arminda, o programa teve ampla adesão, com a participação de todas as unidades da Universidade. “Houve adesão dos professores, mas também de funcionários e estudantes. Antes, não era permitido aos alunos demandar apoio para projetos, e o Programa de Editais teve uma dimensão de vanguarda ao incluí-los”, afirmou a pró-reitora durante o evento que divulgou o balanço e as avaliações de perspectivas da iniciativa, que aconteceu no dia 27 de novembro, no auditório da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP.

Cronograma

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

Os recursos destinados aos projetos contemplados totalizaram mais de R$ 17 milhões em cada edição, sendo que os valores médios por projeto foram de R$ 133 mil em 2012 e R$ 156 mil em 2013.

De acordo com a professora Marina Mitiyo Yamamoto, uma das coordenadoras do Programa de Editais, os projetos não atendidos somariam outros R$ 11,6 milhões em 2012 e R$ 21,9 milhões em 2013. “Um montante de aproximadamente R$ 10 milhões por ano seria bastante desejável para investir nesses projetos e acervos destinados à difusão para a sociedade”, opinou Yamamoto, durante o evento.

O professor José Tavares Correia de Lira, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), também coordenador do Programa de Editais, lembrou que os projetos aprovados na segunda edição entrarão em 2015 ainda recebendo recursos, já que a crise financeira da USP obrigou os repasses do programa a serem parcelados, retardando os cronogramas de execução das iniciativas.

Quanto às perspectivas para o futuro, Lira acredita que os produtos que resultaram dos projetos já finalizados podem ser candidatos a receber novas formas de apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitárias. “Algumas atividades produziram material significativo, como publicações, documentários, sites que estão em funcionamento e projetos didáticos que foram estruturados a partir dos editais. Talvez seja interessante trabalhar no sentido de dar apoio e visibilidade a esses projetos, como possibilidade de investimento”, disse ele.

Os docentes que avaliaram o programa ressaltaram como um dos aspectos mais importantes o fato de os editais terem proporcionado verbas para o tratamento de arquivos que os órgãos centrais da Universidade sequer sabiam que as unidades guardam. A avaliação que foi feita é de que o tratamento desses arquivos e coleções tem grande relevância para a construção e fortalecimento da memória da USP.

“A memória é o elo que une as faculdades. É importante que haja estudos conjuntos entre diferentes áreas, para que se entenda a Universidade como algo comum a todos”, afirmou Maria Cecília França Lourenço, professora do Departamento de História da Arquitetura e Estética do Projeto da FAU.

Obras paralisadas retomadas

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

Dois equipamentos culturais sob responsabilidade da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP que hoje estão fechados para reforma terão as obras retomadas. A pró-reitora Maria Arminda do Nascimento Arruda acredita que o Anfiteatro Camargo Guarnieri possa ser entregue com novas instalações no final de 2015. O trabalho de reforma e ampliação do anfiteatro foi paralisado devido às restrições orçamentárias no início do ano.

Localizado na Cidade Universitária, junto à Praça do Relógio, o anfiteatro está fechado desde 2012. Quando for reaberto, o local deverá atender às atividades ligadas ao núcleo de artes performáticas da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária, que incluem a Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) e o Coral da USP (Coralusp).

Já a Estação Ciência teve solucionada a questão jurídica que atrasou o início das obras de restauro do espaço. De acordo com a professora, a dificuldade estava no decreto de cessão da área, que é do governo estadual, à Universidade: o termo cedia somente 800 m² do prédio à USP, mas o acervo e as atividades lá realizadas já ocupavam 7 mil m². No entanto, o local segue sem previsão de reabertura.

O museu está fechado desde março de 2013, quando a USP recebeu autorização do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) a autorização para proceder à reforma. A autorização era obrigatória porque a Estação Ciência está instalada em um edifício tombado como patrimônio histórico.

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