Violino de 1720 e rodízio de maestros marcam temporada 2012 da Osusp

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Luciene Antunes, especial para o USP Online

A temporada 2012 da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp) estreia no domingo (11), às 17 horas, na Sala São Paulo. O concerto de abertura, regido por Wagner Polistchuk, tocará obras de John Adams, Felix Mendelssohn, Witold Lutoslawski e Dmitri Shostakovich. O Concerto para Violino em mi menor, Op.64, de Mendelssohn, contará com a participação da violinista solista americana Elizabeth Pitcairn.

A obra de Felix Mendelssohn, com 29 minutos de duração, será tocada por um instrumento especialmente famoso na história da música clássica e da família do compositor, um violino Stradivarius (The Red Mendelssohn) de 1720, que atualmente pertence à Elizabeth Pitcairn. O instrumento serviu de inspiração para o filme The Red Violin (França. 1998. 131 min.). O longa conta a história de um violino perfeito – o “violino vermelho” – e de seus vários donos, que atravessa três séculos e passa por cinco países.

Uma curiosidade é uma listra vermelha no lado superior direito do instrumento – cuja origem é desconhecida na vida real. O filme conta que o violino foi pintado com o sangue da esposa de seu construtor, que morrera durante um parto. Após passar aproximadamente 200 anos desaparecido, The Red Mendelssohn foi encontrado em Berlim em 1930, com um herdeiro de Felix Mendelssohn. Em 1990, o avô de Elizabeth Pitcairn comprou o violino em um leilão da Casa Christie em Londres. Elizabeth manteve-se discreta sobre a posse deste instrumento até que sua carreira como solista, após três décadas de intensos estudos, fez com que ela exibisse seu violino nos palcos internacionais.

Elizabeth, que vem pela primeira vez para a América do Sul, passará seis dias em São Paulo, antes de seguir para Hong Kong. No quinta-feira (8), antes do concerto na Sala São Paulo, Elizabeth ministra uma masterclass aberta ao público em geral no Auditório da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, das 13h30 às 15h30. No sábado (10), às 10 horas, a solista participa de outra masterclass, desta vez na Escola de Música do Estado de São Paulo Tom Jobim (Emesp), que fica no Largo General Osório, 147, sala 303, Luz.

“Estou muito ansiosa para tocar pela primeira vez no Brasil, com Wagner Polistchuk e a Osusp, nessa sala magnífica da qual tanto ouvi falar, a Sala São Paulo”, diz Elizabeth Pitcairn, recentemente nomeada diretora artística do Festival de Música de Câmara de Luzerne, na Suíça e integrante do corpo docente da Escola Colburn, em Los Angeles, Califórnia, onde mora.

Rodízio de regentes

Em 2012, a Osusp terá cinco maestros que se alternarão durante o ano como maestros convidados – incluindo duas apresentações de Ligia Amadio, que de 2009 a 2011 esteve à frente dos músicos da orquestra. O maestro Wagner Polistchuk, que abre a temporada 2012, fará três apresentações.

“Nesse primeiro concerto escolhi obras que denotassem um novo passo em direção à modernidade e inovações estilísticas em seus respectivos tempos”, diz o Polistchuk, que tem se apresentado à frente das mais importantes orquestras do Brasil, como a Osesp (onde também ocupa, desde 1985, a posição de trombone solo) e sinfônicas do Theatro Municipal de São Paulo, da USP e da Bahia.

Ricardo Bologna, timpanista solista da Osesp, professor da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP e regente da Orquestra Sinfônica Jovem Municipal, regerá dois concertos. O brasileiro Marcelo Lehninger, regente assistente da Orquestra Sinfônica de Boston, nos Estados Unidos, vem em maio ao Brasil especialmente para conduzir a Osusp.

O uruguaio radicado na Alemanha Nicolás Pasquet, professor de regência da Liszt School of Music Weimar, na Alemanha, vem fazer um concerto no Brasil em setembro. Sua vinda dará início a um convênio firmado entre a universidade e a Liszt, que é uma das mais importantes escolas de música daquele país. Além de reger um concerto em setembro, Pasquet também vai ministrar uma masterclass aberta a alunos de regência no Colégio Santa Cruz.

O novo sistema de rodízio de vários regentes convidados faz parte de um propósito maior. “A Orquestra da USP deve atender aos princípios da universidade, estar envolvida em pesquisa, projetos de extensão e inovação. Sempre estivemos envolvidos, mas sentimos a necessidade de aumentar os laços com outras orquestras e grupos acadêmicos em todo o mundo. Essa diversidade de regências nos proporcionará uma riqueza ainda maior de trocas de experiências e aprendizado entre os músicos da Osusp e músicos de outras instituições”, diz o professor Edson Leite, vice-diretor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP e diretor da Osusp.

O anfiteatro do Colégio Santa Cruz, no Alto de Pinheiros, tem sido a sede dos ensaios regulares e abertos da Osusp durante o período de fechamento do Teatro Camargo Guarnieri, em reformas desde janeiro. O ensaio aberto da apresentação de estreia da Osusp acontece no Colégio Santa Cruz, que fica na Rua Orobó, 277, Alto de Pinheiros, na sexta-feira (9), das 12 às 13 horas. A entrada é franca.

As assinaturas e os ingressos avulsos para a estreia na Sala São Paulo podem ser adquiridos pelo site Ingresso Rápido. A Sala fica na Praça Júlio Prestes, 16,  Centro, São Paulo. 

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