Professor da FEA personifica a multidipliscinaridade

Da Assessoria de Comunicação da FEA

Professor José Raymundo Novaes Chiappin | Foto: Divulgação/FEA

Qual seria a ligação entre Filosofia, Física, Economia e Direito? Para o professor José Raymundo Novaes Chiappin, do Departamento de Economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da USP, a integração de conceitos dessas áreas do conhecimento foi o caminho que lhe permitiu desenvolver ideias novas, criar um método de reconstrução de teoria filosófica e pesquisar fundamentos da racionalidade na solução de problemas e fenômenos cooperativos que ajudam a entender a construção da civilização ocidental.

A graduação em Direito concluída em 2011 não aconteceu por acaso e coroou uma extensa linha de trabalho. Com o artigo “O direito como ciência e a teoria da interpretação de Kelsen”, o professor Chiappin se destacou entre especialistas do Direito Civil. Publicado na Revista do Instituto dos Advogados de São Paulo, em 2009, foi posteriormente escolhido para integrar a coleção Doutrina Essencial do Direito Civil, organizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, que celebra os 100 anos da instituição. Mais recentemente foi convidado para ministrar um curso sobre teoria da decisão judicial para a Escola da Procuradoria do Estado de São Paulo e o curso de Direito e Desenvolvimento na pós da Economia.

Projetos para 2012

“O que me move são os desafios e as oportunidades para ampliar o conhecimento. Sou muito grato à USP porque só aqui há espaço para desenvolver uma linha de trabalho com essa diversidade. Gosto de estudar e, por isso, fui integrando conceitos de áreas que aparentemente não teriam ligação. Busco uma linguagem comum. Quero entender como as coisas acontecem e funcionam”, comenta professor Chiappin.

Nos anos 1970, Chiappin deixou Arapongas (PR) para estudar na USP. Fez mestrado e doutorado em Física pelo Instituto de Física da USP (1979 e 2005) na área de mecânica estatística; Master e Ph.D. em Filosofia pela Universidade de Pittsburgh, Pennsylvania (1989); pós-doutorado em Relações Internacionais pelo Departamento de Ciência Política da USP (1992); doutorado em Economia pelo Departamento de Economia da USP (1997).

Em 2005, foi convidado pelo professor Ricardo Abramovay, chefe do Departamento de Economia, a assumir os cursos de microeconomia na graduação. Depois de convencê-lo a defender a tese de livre docência na Economia, o professor Carlos Roberto Azzoni, diretor da FEA, pediu para que assumisse o recém-criado curso de Economia e Direito na pós-graduação, no lugar da professora Elizabeth Farina que assumiria o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE). Tornou-se professor do Departamento de Economia, em 2009, por meio de concurso.

“Na monografia de conclusão do curso de Direito, estudei o Plano Real e as instituições de estabilização, agora na perspectiva do Direito como instrumento de construção das instituições e das tecnologias sociais que entram na solução do problema da emergência e conferem estabilidade e eficiência aos mecanismos de cooperação”, explica o professor.

Na sua avaliação, o Estado Nação com a arquitetura institucional do Estado de Direito se compõe com o mercado como solução para o problema da emergência e estabilidade da cooperação entre indivíduos racionais interagentes em ambiente de recursos escassos. “Essa tecnologia social se mostrou eficiente para estabelecer e garantir os direitos do homem e promover a paz social. Foi desenvolvida pela ciência moderna, física e social, que esculpiu a civilização ocidental e a transformou no centro de poder mundial, e, agora, se universaliza. O modelo de Ising e a teoria dos jogos são instrumentos importantes para entender os fenômenos cooperativos”, afirma.