Pesquisa desenvolvida na EERP traça perfil da Aids em Ribeirão Preto

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Marcela Baggini / Assessoria de Comunicação do Campus de Ribeirão Preto

Pessoas acima de 40 anos, solteiras (incluindo divorciados e viúvos), sem um parceiro fixo e com ensino fundamental incompleto. Essas são as principais características dos portadores da aids, segundo resultados de pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP, que traz o perfil das pessoas que vivem com a doença no município de Ribeirão Preto.

Após entrevistar 301 pessoas, entre julho de 2011 e fevereiro de 2012, nos Serviços Ambulatoriais Especializados (SAE) do Programa DST/aids de Ribeirão Preto, a enfermeira Aline  Andrade observou que o diagnóstico da doença foi realizado somente após a maioria dos pacientes apresentarem sintomas e, até mesmo, doenças oportunistas, como candidíase oral e tuberculose.

Segundo Aline, a maioria das pessoas que vivem com aids (PVHA) em Ribeirão Preto é composta por adultos com idade entre 40 e 64 anos. O estudo identificou que o número de homens infectados ainda é alto, mas proporção foi semelhante entre os sexos.

“O aumento do número de casos entre as mulheres refere-se ao processo de feminização do HIV/aids e acompanha a tendência nacional, observada desde a década de 1990, além das questões que envolvem o fenômeno da heterossexualização da epidemia e as relações de gênero”, descreve Aline.

Outra quebra de paradigmas presente no estudo diz respeito ao fato da maioria das PVHA da cidade possuir baixa escolaridade e serem, predominantemente, heterossexuais. “Ao contrário do comportamento observado no início da epidemia no Brasil, cujos casos identificados apresentavam padrões elevados, elitizados e com orientação homossexual”, conta a pesquisadora.

Quanto ao perfil clínico, quando os entrevistados foram diagnosticados com aids, já apresentavam sintomas e a via sexual foi a provável fonte de transmissão do HIV. “As principais motivações para obtenção do diagnóstico ocorreram devido ao aparecimento de sinais e sintomas da doença, seguido pelo diagnóstico do parceiro” afirma a enfermeira.

A pesquisa também aponta que 58% dos participantes sofriam com outras condições crônicas que, em algumas vezes, eram decorrentes do HIV/aids e do uso dos antirretrovirais. “Podemos citar como exemplo a hipertensão arterial sistêmica, que é agravada também pelo aumento da faixa etária.”

Além de trazer o perfil sociodemográfico deste público, a pesquisa também evidenciou que mesmo fazendo acompanhamento nos ambulatórios especializados, mais da metade das PVHA apresentavam uma condição de saúde que favorece a instabilidade da doença, comprometendo seu adequado controle e refletindo na taxa de internação e mortalidade atribuído ao HIV/aids.

A dissertação de mestrado Pessoas que vivem com HIV/aids: uma análise a partir do perfil sociodemográfico e das condições de clínicas, foi orientada pela professora Aline Monroee contou com o apoio do grupo operacional GEOHAIDS. Os resultados foram apresentados no segundo semestre de 2014.

Mais informações: (16) 98821-9665, email aline.crisandrade@hotmail.com

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