Novo núcleo reúne unidades da USP por soluções para mudanças climáticas

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Nesta segunda-feira (12), no auditório do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférias (IAG) uma  conferência marcou a abertura do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Mudanças Climáticas da USP.

O evento teve a presença dos professores Tércio Ambrizzi, do IAG, coordenador do projeto, e Paulo Artaxo, do Instituto de Física (IF) da USP, vice-coordenador. Participaram também Pedro Leite Dias, diretor do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), e Ildo Luis Sauer, diretor do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP, além de Marco Antonio Zago, pró-reitor de Pesquisa da USP, e Volf Stainbaum, da Secretária Municipal do Verde e Meio-Ambiente.

Batizado de Incline (Interdisciplinary Climate Investigation Center), este novo NAP tem como objetivo desenvolver modelos mais detalhados sobre o comportamento climático no Brasil, visando uma atuação em conjunto com a iniciativa pública na tentativa de realizar ações mais eficientes nas questões que tangem o clima.

Integram o projeto a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), o Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena), o Instituto de Oceanografia (IO), o Instituto de Física (IF), o Instituto de Geociências (IGc), a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), a Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), o IAG, o Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (Procam), a Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) e a Faculdade de Saúde Pública (FSP).

O principal objetivo, segundo o professor Tércio Ambrizzi, é que o grupo se torne um “polo agregador na temática de mudanças climáticas”, tornando-se referência nacional e internacional no assunto. Além disso, ele ressalta a importância desta discussão no atual momento:  “vinte anos após a Rio-92 devemos ver quais objetivos foram conseguidos e quais devem ser buscados no futuro.”

Paulo Artaxo, vice-coordenador do projeto, ressaltou a necessidade de que as pesquisas não se detenham apenas no âmbito meteorológico, mas que se expandam os limites de estudo do projeto:

“A abordagem será a mais ampla possível, discutindo também as consequências sociais e econômicas das transformações do clima.”

O diretor do LNCC, Pedro Leite Silva, comentou sobre as dificuldades da realização de projetos que tenham o clima como tema. “Não existe certeza nas tomadas de decisão acerca do clima; os processos que o envolvem são muito complexos”, declarou.

Silva afirmou ainda que as pressões políticas advindas das constantes requisções aos cientistas por parte dos governos e as incertezas com relação ao clima fazem da USP um “ambiente propício para a criação de uma visão independente”.

União

A necessidade de junção dos diferentes departamentos e unidades da USP nas pesquisas de amplo espectro foi tema constante na fala dos conferencistas. “Os grandes temas não devem ser tratados por pequenos grupos, mas por todos, de forma associada”, afirmou Marco Antonio Zago. Para o pró-reitor, “a pesquisa se atrelou ao modelo departamental, e isso é limitador”.

Ildo Sauer, diretor do IEE, declarou que a busca por soluções cooperativas é enriquecedora do ponto de vista da pesquisa. “Devemos revisitar antigos paradigmas buscando novas soluções com os recursos disponíveis”.

O professor Paulo Artaxo ressaltou a importância de estender o núcleo para além das dependências da USP, entrando em contato com as pesquisas desenvolvidas em outras universidades. “O núcleo não deve se fechar na USP, ela não é isolada dos demais polos de pesquisa nacional”, defendeu.

Em termos de relações governamentais, Volf Steinbaum lembrou sobre a necessidade de um estreitamento cada vez maior entre a USP e o governo. “A Universidade deve contemplar a sociedade de forma mais dinâmica. É preciso que se aplique o conhecimento científico na administração pública e nos processos produtivos”, concluiu. 

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