Pesquisa da FFLCH revela que cartões postais não mostram São Paulo em sua totalidade

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Bruno Capelas / Agência USP de Notícias

Pesquisa desenvolvida na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP revela que os locais retratados pelos cartões-postais de São Paulo estão distribuídos de maneira desigual na cidade. No estudo Ícones urbanos na metrópole de São Paulo, a professora e turismóloga Viviane Veiga Shibaki coletou a produção dos dois principais estúdios da cidade, a Brascard e o Studio Stajano, e dividiu-os em regiões da cidade e temas específicos, percebendo uma ausência de retratos das zonas periféricas.

“São Paulo é muito mais que o centro que predomina nas imagens. Não é só o miolo. Existe pobreza, existem os subúrbios, tem até uma reserva indígena. É preciso mostrar a cidade para as pessoas”, diz a pesquisadora. No mapa abaixo, é possível observar a distribuição dos postais pela cidade. Eles também foram divididos em seis temas pela turismóloga: Avenida Paulista, Centro Velho, Bairros, Ibirapuera, Estádios de Futebol e Região de Pinheiros. Na visão da Viviane, cada postal dá força à ideia de um ícone urbano.

“É a memória coletiva que legitima um ícone. Isso acontece com os postais, e por meio deles que se identifica uma cidade. Em Nova Iorque é assim, em Londres é assim, em Paris é assim. São Paulo não foge a essa regra”, afirma a professora, que foi orientada pelo professor Júlio César Suzuki em sua tese de doutorado na FFLCH.

Viviane, que em sua dissertação de mestrado tratou da Avenida Paulista, afirma que a famosa rua é um dos maiores ícones da cidade: “Apesar de nos últimos anos ter acontecido uma forte campanha para que a Ponte Estaiada se tornasse o maior símbolo paulistano, a Paulista ainda merece esse título. Há uma diferença muito grande entre uma ponte de concreto, na qual apenas passam carros, para uma avenida pela qual trafegam pessoas 24 horas por dia”.

Estúdios

A pesquisadora aponta características peculiares de cada estúdio. O Studio Stajano tem como pontos fortes, segundo ela, o predomínio de panorâmicas e vistas aéreas dos pontos turísticos e a utilização de um tamanho diferente de papel (10 centímetros [cm] x 22 cm, contra os 10 cm x 15 cm usuais).

“A ideia da cidade grande aparece melhor na panorâmica, mostrando o ícone dentro de um contexto. Outro ponto interessante sobre Stajano é que ele é um fotógrafo uruguaio, tendo uma visão externa de São Paulo”. Por sua vez, a Brascard se destaca por ter um acervo maior e por se focar mais nos ícones especificamente. “A produção deles tem cerca de 25 anos, enquanto o Stajano começou suas atividades em 1994”, explica a professora.

Uma consideração feita por Viviane é a de que os postais estão mudando de papel, deixando de terem sua função de transmitir mensagens para tornar-se souvenires. “Hoje, as pessoas têm câmeras digitais, celulares e cartões virtuais para registrar os locais que visitaram, não precisando mais de um postal para mostrarem aos seus próximos aonde estiveram. Virou artigo de colecionador”, diz.

Outro ponto abordado pela professora é o de que poucos lugares na cidade vendem postais: “Na minha pesquisa, procurei observar isso. Pouquíssimas bancas além das da Avenida Paulista ainda comercializam o produto. Para uma cidade que é turística, e pretende ser mais ainda, como São Paulo, é muito pouco”, opina.

Mais informações: email  vvshibaki@usp.br, com Viviane Veiga Shibaki 

Pesquisa da FFLCH revela que cartões postais não mostram São Paulo em sua totalidade
Editoria: Sociedade - Autor: - Data: 13 de março de 2012

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