Uso de fralda descartável em adulto pode ser prejudicial, aponta estudo da EERP

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Marcela Baggini / Serviço de Comunicação Social da Prefeitura do Campus de Ribeirão Preto da USP

Pesquisa aponta que o uso indiscriminado de fraldas descartáveis em adultos está associado a altas chances de infecções e lesões no primeiro mês de uso. O trabalho foi realizado pela enfermeira Mônica Franco Coelho, na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP. De acordo com a pesquisadora, a fralda é utilizada como uma forma de facilitar o trabalho da equipe de enfermagem em algumas unidades de saúde.

“A fralda descartável é importante na assistência ao paciente hospitalizado, no entanto, o uso não é pautado em dados de pesquisas, mas sim na prática dos profissionais das instituições”, conta Mônica, que hoje é professora de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Foi a partir de uma afirmação como “fralda é coisa de criança ou de pessoas incapazes” que a pesquisadora decidiu analisar a utilização de fraldas em hospitais. Os resultados apontam que há uso indiscriminado e que este dispositivo, quando não utilizado de maneira adequada, pode trazer prejuízos à saúde do paciente.

O estudo também aponta que infecções no trato urinário (ITU) e lesões cutâneas são comuns nos 30 primeiros dias de uso da fralda descartável em pacientes adultos hospitalizados. “O paciente adulto se sente infantilizado, constrangido por estar nessa condição”, ressalta Mônica. “As fraldas aumentam a temperatura e desconforto da região íntima, além de promover o contato e permanência da urina, por exemplo.”

A enfermeira afirma que pesquisas científicas que analisam o uso de fraldas estão voltadas à pediatria. “Quando estava produzindo minha tese, não encontrei, na literatura nacional e internacional, um artigo que caracterizasse o perfil do paciente adulto usuário deste dispositivo e definisse ações efetivas na prevenção de problemas associados ao uso da fralda.”

Quem são os usuários

Ao analisar 183 pacientes internados entre os meses de março e maio de 2014 no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de São Paulo (HCFMRP) da USP, foi possível detectar que “o uso de fraldas não se restringe a pacientes idosos”.

“A maioria dos participantes da pesquisa era composta por homens (62,3%), casados (30,1%) e com idade média de 54 anos”, conta a pesquisadora. “O motivo da internação foi predominante os traumas e as doenças cardiovasculares e do aparelho digestivo”, completa.

O estudo também aponta que estes pacientes utilizaram fraldas por volta de dez dias que, de acordo com os resultados, foi considerado o período crítico com maior possibilidade de desenvolvimento de infecções e lesões.

“Como este foi o primeiro estudo na área, se fazem necessários outros estudos para compararmos os dados obtidos”, afirma a pesquisadora.

O papel da enfermagem

“A assistência de enfermagem deve estimular o paciente na realização das atividades que a condição clínica e emocional lhe permite realizar”, diz a pesquisadora. “O uso da fralda é uma estratégia a ser utilizada em casos nos quais o paciente está grave, acamado, não tem controle sobre as suas eliminações e quando a saída do leito é contraindicada.”

Mônica ressalta ainda que o uso indiscriminado da fralda traz danos não só a saúde física, mas também para a emocional, com a associação feita pelos pacientes de que “a fralda é coisa de criança, o que causa desconforto e vergonha”.

A tese de doutorado “Impacto do uso de fraldas descartáveis no paciente hospitalizado: estudo de análise de sobrevivência” utilizou dados preliminares de uma pesquisa também realizada na EERP por Thaís Christini da Silva, do grupo de estudos da professora Alessandra Mazzo, também orientadora desse estudo, defendido no final de 2014.

Mais informações: (11) 99891-7038 e-mail monicaeerp@gmail.com

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