Guarda Universitária recebe formação em direitos, gêneros e sexualidade

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Um dos maiores problemas na ocorrência de violência na Universidade, seja a praticada de forma velada, por meio de preconceitos, seja a que acontece em eventos como as recepções de calouros, é que ela nem sempre resulta em denúncias formais. As vítimas ou testemunhas temem se expor.

Na opinião da professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, Heloisa Buarque de Almeida, que está à frente do Programa USP Diversidade, a situação se agrava diante da inexistência de um órgão de atendimento que abarque as denúncias. “O USP Diversidade não tem a função de atendimento e a Universidade precisa de uma estrutura para isso. E que ela seja centralizada, que saia das unidades, justamente para ter mais isenção e para que seja feita justiça, já que é necessário punir também, o que é muito difícil de se fazer”.

Foto: Marcos Santos / USP Imagens
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Foi a partir dessa constatação que Heloísa, juntamente com o Núcleo de Estudos dos Marcadores Sociais da Diferença (Numas) na Antropologia, pensou em várias ações preventivas. Nos dias 11 e12 de fevereiro, por exemplo, acontece o curso Formação de Direitos, Gêneros e Sexualidade, destinado aos guardas universitários, mas igualmente voltado aos profissionais da vigilância da USP terceirizados e aos funcionários do Conjunto Residencial da USP e das demais unidades acadêmicas.

O curso, segundo a professora, busca refletir, inclusive, sobre o comportamento própria Guarda Universitária, daí o enfoque em direitos. “Muitas vezes os seguranças agem de forma errada, por exemplo ao abordar um casal gay que se beija. Se um casal heterossexual pode se beijar no corredor, o outro casal também pode”, comenta Heloísa, que explica que a Guarda é muito pequena, já que a maior parte dos seguranças é composta por terceirizados, o que torna mais difícil o acesso a eles.

Assim, numa proposta mais educativa e preventiva, direitos da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e trangêneros), direitos das mulheres e racismo vêm à pauta.

A ideia do curso surgiu já em meados de 2014, e apenas agora sai do papel, com apoio da Superintendência de Prevenção e Proteção Universitária da USP.

Quando se tem que é à Guarda Universitária que se recorre ante qualquer ocorrência no campus, sendo ela a encarregada por levar as pessoas à delegacia ou ao pronto-socorro, a professora Heloisa espera que, além de prepará-la melhor, o curso sirva para apoiá-la nas funções que exerce.

Outras atividades

portal20150128_2Para a semana de recepção dos calouros está programado um dia de atividades na FMUSP. A professora, porém, ressalta que apesar de as atenções se voltarem de imediato para a FMUSP, o trote é encarado de forma violenta em diversas outras unidades e nos campi do interior. “Em geral os cursos mais prestigiosos são os que têm mais problemas com o trote. E, obviamente, a Guarda Universitária não tem como lidar com isso sozinha. Podemos ajudar a prepará-la a coibir as agressões.” Além disso, Heloisa ressalta a necessidade de se mudar a estrutura de apuração dos casos, o que exige, inclusive, alterar estatutos e lidar com burocracias: “Não vai ser um curso sozinho que vai resolver os problemas de violência na Universidade.”

Informalmente, o USP Diversidade – parte do Núcleo de Direitos da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária (PRCEU) – também está recebendo apoio na montagem de uma pesquisa online para mapear os casos de discriminação, violência e abuso. A pesquisa, quantitativa e anônima, conta com o auxílio de membros da comunidade – professores e alunos – da FFLCH, do Instituto de Física (IF), da Escola Politécnica (Poli) e da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA).

Mais informações: email diversidade@usp.br

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