Professor do IF será empossado em maio como membro titular da ABC

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Da Assessoria de Comunicação do Instituto de Física 

No Brasil desde 1973 e naturalizado brasileiro, o professor Aldo Felix Craievich, do Instituto de Física (IF) da USP, acaba de ser eleito Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC), na Área de Ciências Físicas. A posse acontecerá em maio deste ano, no Rio de Janeiro. Para o ingresso na ABC existe um período prévio de propostas de nomes de candidatos apresentadas pelos acadêmicos e depois uma eleição da qual participam todos seus membros.

Argentino de nascimento e descendente de croatas, Craievich se formou como físico no Instituto Balseiro de Bariloche, Argentina em 1964, iniciou suas atividades de ensino e pesquisa no Instituto de Matemática, Astronomia y Física da Universidad Nacional de Córdoba, na Argentina e realizou seu trabalho de doutorado no Laboratoire de Physique des Solides da Université Paris-Sud,Orsay, França (1966-69).

O primeiro passo para imigrar para o Brasil foi dado durante um congresso de física no Chile, em 1972. “Conheci ali a professora brasileira Yvonne Mascarenhas, que leciona no Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e no Instituto de Química de São Carlos (IQSC), que pouco depois me convidou para trabalhar em seu Laboratório de Cristalografia. A princípio, meu plano era ficar apenas um ano no Brasil, mas desde o início foram aparecendo novos e interessantes projetos e desafios que decidi assumir, e estou aqui até hoje”, resume.

Trabalhou no então Instituto de Física e Química de São Carlos (IFQSC) de 1973 a 1980. “No IFQSC fui um dos responsáveis pela implantação do primeiro aparelho de espalhamento de raio X a baixos ângulos do Brasil e iniciei ali pesquisas pioneiras  sobre separação de fases de sólidos vítreos e sobre transições de fase de cristais moleculares”, lembra Craievich.

Desde 1980 é Membro Titular a Academia de Ciências do Estado de São Paulo.

Foi coordenador do Comitê Executivo e membro do Conselho Técnico Científico do Projeto Radiação Síncrotron do CNPq, sediado no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (1983-1985) e, posteriormente, vice-diretor e chefe do Departamento Científico do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas (1987-1997). No LNLS, entre outras atividades, foi responsável pelo projeto e construção das linhas de luz e pelo programa de formação de futuros usuários. Em julho de 1997, o LNLS foi aberto aos usuários externos, começando, assim, a nova fase de operação com todas as características que eram esperadas de um Laboratório Nacional.

Ingressou ao IF como Professor Titular em 1987 e começou a trabalhar em tempo integral a partir de 1998. Foi chefe do Departamento de Física Aplicada de 2002 a 2006 e presidente da Comissão de Pesquisa de 2006 a 2008. Desenvolve pesquisas na área de física da matéria condensada, atuando em diversos temas, tais como mecanismos de formação de materiais nanoestruturados, transições e estabilidade de fases de nanomateriais e caracterização estrutural de materiais nanocristalinos. “São pesquisas de caráter básico, mas os diversos nanomateriais que estudamos podem ser eventualmente aplicados como catalisadores ou como partes de novas fontes de energia e de dispositivos eletrônicos nanoestruturados”, explica.

“Considero minha eleição como membro da ABC como um reconhecimento da comunidade científica brasileira ao meu longo trabalho como pesquisador e docente e à minha responsabilidade em projetos importantes e pioneiros em várias instituições brasileiras”, resume ele. “Creio que, embora as características de meu trabalho sigam sendo essencialmente as mesmas depois da posse como membro da ABC, meu ingresso representará uma oportunidade para colaborar nas diversas atividades fins da Academia para as quais minha competência venha a ser útil”.

Já aposentado, aos 75 anos, mas ainda trabalhando como Professor Sênior no IF e como Pesquisador 1A do CNPq, ele continua participando de vários projetos em colaboração com grupos de pesquisa brasileiros e argentinos, ministra frequentes palestras e cursos curtos sobre SAXS e aplicações de luz síncrotron no Brasil, em outros países da América Latina e na Europa, e é co-editor da revista Journal of Synchrotron Radiation.

“Sinto-me neste momento feliz e ainda bem disposto para continuar o meu trabalho de pesquisa e realizar as tarefas docentes para as quais minha experiência possa ser considerada útil no Brasil e no exterior”, diz ele.

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