Pesquisadores da FZEA desenvolvem sensor que mede à distância emissão de metano na pecuária

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Julio Bernardes/Agência USP de Notícias

Interligar o mundo químico-molecular com a internet é a meta das pesquisas do Laboratório de Física Aplicada e Computacional (LAFAC) da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP, em Pirassununga. Os pesquisadores do LAFAC, em parceria com cientistas brasileiros e do exterior, desenvolvem sensores de baixo custo para realizar medições que podem ser acompanhadas à distância. Os sistemas servirão, entre outras funções, para medir a emissão de gás metano em locais de produção de gado e monitorar a qualidade da água nas fontes de abastecimento.

Os sensores são compostos por polímeros que sofrem reações químicas em contato com substâncias específicas, como por exemplo amônia ou gás carbônico. “Essas reações geram sinais elétricos que podem ser transmitidos por redes sem fio”, afirma o professor Ernane Xavier da Costa, da FZEA, que coordena a pesquisa. “Com a transmissão, é possível acompanhar pela internet o que está acontecendo nos locais de monitoramento”.

Os pesquisadores do LAFAC atuam em conjunto com o National Center for Sensor Research da Dublin City University (Irlanda), que desenvolveu um sistema de sensores para gás metano, sob a coordenação do professor Desmott Diamond. “O método utiliza computação em nuvem (cloud) para transmitir os dados e realizar as análises em tempo real”, diz o professor.

Protótipos dos sensores de metano já se encontram em funcionamento na Irlanda. “Estes sistemas serão trazidos para o Brasil, para serem testados inicialmente na FZEA, e depois em fazendas de gado”, aponta Xavier. “A ideia é criar sensores inteligentes que sirvam para monitorar a produção animal e de alimentos”.

Intercâmbio

De acordo com o professor, as pesquisas com os sensores envolvem zootecnistas, engenheiros de alimentos, físicos, engenheiros elétricos e mecatrônicos. O intercâmbio internacional teve apoio da Coordenadoria de Apefeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Alunos da FZEA deverão ir até a Irlanda para estudar o desenvolvimento dos sensores e aprenderem as técnicas de calibração e uso do sistema, para realizar sua implantação no Brasil. Ao mesmo tempo, pesquisadores irlandeses virão ao País para realizar experimentos e proferir palestras sobre os sensores.

O projeto de um sensor para monitorar água in situ teve a aprovação da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). “A ideia é implantar sensores em comunidades carentes para monitorar a qualidade da água potável consumida nesses locais, criando um sistema de alerta via internet”, diz o professor da FZEA. “Outra utilização possível é o monitoramento da água que é tratada em sistemas de fotocatálise, que aproveitam a luz solar para fazer a purificação”.

Um microsensor polimérico de baixo custo para gás amônio foi desenvolvido em parceria com o Laboratório de Microeletrônica da Escola Politécnica (Poli) da USP. Um pedido de patente do sistema está encaminhado por meio da Agência USP de Inovação.

Mais informações: email ernane@usp.br, com Ernane Xavier da Costa 

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