Empresa com origem em laboratório do IFSC desenvolve técnica que reduz custos de cosméticos

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Da Assessoria de Comunicação do IFSC

Uma empresa originária do Laboratório de Nanomedicina e Nanotoxicologia (LNN) do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP irá produzir cosméticos otimizados combinando a extração de óleos vegetais (cravo e pimenta rosa, entre outros) com nanoencapsulamento. Os produtos terão maior eficácia, sendo minimamente invasivos e sem prejudicar a saúde da pele. Até o final do ano, as nanocápsulas devem estar disponíveis para comercialização, podendo reduzir o preço dos cosméticos.

O nanoencapsulamento, técnica que tem revolucionado diversas áreas da saúde, consiste no aprisionamento de moléculas de uma substância dentro de partículas formadas por outra substância, resultando em cápsulas biodegradáveis, de tamanho nanométrico. A empresa Nanomed irá produzir essas nanopartículas para encapsular moléculas diversas, sobretudo na área de cosmetologia, de acordo com a demanda das empresas interessadas.

“Iniciamos nosso trabalho, contando com a colaboração de produtores do Nordeste, de onde vem plantas de extração verde, sem uso de solventes orgânicos, para obtenção dos óleos vegetais”, conta Paula Barbugli, pesquisadora do LNN. O interesse maior em nanoencapsular moléculas é dar estabilidade aos produtos finais. “Alguns princípios ativos, nos veículos farmacêuticos onde são utilizados, são os mesmos no produto final. Inseridos diretamente nas fórmulas, seja de medicamentos ou de cosméticos. Alguns ativos se tornam muito instáveis, o que significa dizer que se degradam muito rápido”, conta a pesquisadora.

Já nas nanocápsulas, a estabilidade é maior, ou seja, no caso de um creme hidratante, por exemplo, a penetração será mais rápida e profunda na pele e os efeitos serão visíveis em muito menos tempo. “Poderemos disponibilizar as cápsulas com os princípios ativos mais estáveis e com maior poder de permeação”, afirma Paula.

Técnica

No mercado, algumas empresas do setor de cosméticos já aplicam a técnica do nanoencapsulamento.  “Em nosso projeto, desenvolveremos sistemas que poderão ser adicionados em fórmulas em creme ou em gel”, explica Paula. “Trabalharemos, em princípio, com óleos essenciais, algumas vitaminas e aminoácidos nanoencapsulados.”

De acordo com a demanda de outras empresas, a Nanomed irá produzir determinados tipos de cápsulas farmacêuticas e/ou cosméticas. “Tudo dependerá da demanda das empresas clientes. Disponibilizaremos dois sistemas básicos: um com nanopartículas sólidas poliméricas e outro de nanopartículas lipídicas sólidas”, adianta a pesquisadora.

O projeto, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), por intermédio do programa “Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE)”, deve, obrigatoriamente, apresentar resultados concretos até o final do ano. Mas, ao que tudo indica, isso será possível — incluindo a comercialização das nanocápsulas.

Em relação ao custo do produto, Paula não arrisca valores. “Hoje, no Brasil, esse tipo de insumo é em sua maioria importado. Nós pretendemos, como empresa nacional, produzir tais insumos com a mesma qualidade e segurança que as empresas estrangeiras, mas com preços melhores, o que irá refletir em um produto final mais barato aos consumidores”, afirma.

As nanocápsulas do LNN, depois de produzidas, serão vendidas às empresas interessadas, que poderão baratear os milagrosos produtos e oferecer aos mais — ou menos — vaidosos uma chance maior de passar uma rasteira nos sinais do tempo.

Mais informações: email pabfarma@yahoo.com.br, com Paula Barbugli 

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