Parceria da USP com Prefeitura e SUS vai investigar saúde do paulistano

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Foto: Edson Hatakeyama / PMSP
Foto: Edson Hatakeyama / PMSP
Entrevistadores passam por treinamento para o ISA Capital

Melhorar os atendimentos de saúde e propor estratégias de prevenção exige um conhecimento amplo sobre as principais doenças que acometem a população e as condições de acesso aos serviços de saúde, em especial em uma cidade como São Paulo, que abriga quase 12 milhões de habitantes. São informações que não estão disponíveis em hospitais ou bases de dados e exigem, periodicamente, a realização de pesquisa direta com as pessoas. É por isso que, em meados de 2014, foi iniciada a terceira edição do Inquérito Domiciliar de Saúde no Município de São Paulo (ISA Capital).

Realizado pela Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, sob coordenação do professor Chester Luiz Galvão Cesar, em parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo e o Sistema Único de Saúde (SUS), o ISA Capital 2014 será composto de 4250 entrevistas, com paulistanos de todas as regiões. Os domicílios são escolhidos por sorteio e visitados por agentes identificados, que aplicam os questionários junto às famílias. Os dados coletados vão fundamentar pesquisas na área de saúde e servir de apoio à Secretaria Municipal de Saúde, que é uma das financiadoras do projeto, para melhorar a qualidade dos atendimentos. Além disso, será avaliado também o uso de medicamentos e sua distribuição à população.

Foto: Edson Hatakeyama / PMSPxxxxxxxxxxxxx
Foto: Edson Hatakeyama / PMSP

O histórico dos inquéritos anteriores, bem como as publicações geradas a partir dos dados coletados podem ser acessados no site da Prefeitura.

Saúde em questão

Coordenador de campo da pesquisa, Cleiton Eduardo Fiorio  explica que o questionário é composto de várias perguntas, e que dependendo do sexo e idade do entrevistado, bem como das doenças que afirmam ter, algumas são excluídas ou então complementadas. “Muitas perguntas se referem a doenças crônicas. Se o entrevistado referir ter hipertensão, uma série de perguntas sobre esta doença serão feitas. Em caso negativo, este bloco é encerrado, passando para outro”. As doenças crônicas, como diabetes, artrose e vários tipos de câncer, estão entre as que mais afetam a população idosa. O inquérito pode revelar como está a saúde deste segmento e comparar os dados com os obtidos dez anos atrás.

Fiorio é doutorando em Medicina Preventiva na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) e sua tese vai tratar da prevalência de doenças crônicas referidas no município de São Paulo a partir dos dados obtidos pelo ISA Capital.

“Perguntaremos também sobre realização de atividades físicas, hábitos alimentares, saúde emocional, comportamentos de saúde (alcoolismo e tabagismo, por exemplo), uso de medicamentos, entre outros temas”, completa. Segundo Fiorio, a pesquisa revelará as doenças que estão ocorrendo com mais frequência, tornando possível verificar as mudanças que aconteceram ao longo dos anos, além de permitir identificar deficiências no atendimento à população.

O último levantamento do ISA Capital, realizado em 2008, revelou, por exemplo, que a justificativa mais frequente para a não realização do exame de Papanicolau foi a afirmação “Não era necessário/Sou saudável”. O estudo revelou ainda diferenças significativas de sobrepeso em homens em relação às mulheres, e também de adultos jovens em relação às demais faixas etárias, entre diversos outros dados que poderão ser comparados em relação ao levantamento mais recente.

Recebendo a equipe

A abordagem feita nos domicílios envolve, por vezes, alguns desafios. Muitos moradores, por desconhecer a iniciativa, mostram desconfiança em relação aos pesquisadores. Por isso, a equipe é identificada com crachá da FSP, com as logomarcas da Prefeitura, do SUS e da Coordenação de Epidemiologia e Informação (CEInfo).

“Com as mudanças sociodemográficas, atualmente enfrentamos um cenário inédito: dificuldades para realizar entrevistas nas comunidades de menor renda também”, comenta o coordenador de campo da ISA Capital 2014. Essa população, que anteriormente era encontrada mais facilmente em casa, hoje desenvolve diversas atividades e têm mais medo de serem vítimas de violência.

Até o momento, foram realizadas 1196 entrevistas e a equipe conta com a colaboração dos moradores para a conclusão da pesquisa, em especial em prédios e condomínios, onde é fundamental a colaboração de síndicos, porteiros e zeladores. Os responsáveis informam que todos os dados coletados são confidenciais e sigilosos, sem identificação do entrevistado.

Como identificar os pesquisadores?
• Todos os profissionais portam crachá da Faculdade de Saúde Pública, com as logomarcas da Prefeitura, do SUS e da CEInfo
• Os entrevistadores estarão portando um tablet para a coleta de dados
• É possível confirmar a identidade de todos os membros da equipe pelos sites http://e.usp.br/289 ou http://goo.gl/LL6ewK
• A confirmação também pode ser feita pelo número (11) 3397-2239
• O entrevistador fornecerá uma carta informando os detalhes da pesquisa
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