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Marcos Santos / Jornal da USP

Multidisciplinaridade marca Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica

Publicado em Pesquisa, USP Online Destaque por em

Victória Pimentel / Jornal da USP

Mais de 500 estudantes de graduação da USP e de outras universidades do Brasil e do exterior participam do 22º Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica, realizado na Escola Politécnica

“A palavra de hoje é multidisciplinaridade, com todo mundo, de todas as áreas, interagindo”, destacou o professor Antonio Cláudio Tedesco, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCRLP) da USP, um dos organizadores da 22ª edição do Simpósio Internacional de Iniciação Científica e Tecnológica (Siicusp) da USP, que aconteceu nos dias 11 e 12 de março, na Escola Politécnica.

Uma iniciativa da Pró-Reitoria de Pesquisa da Universidade, o evento contou com a participação de cerca de 540 alunos de graduação da USP e de outras instituições, como a Rutgers – School of Environmental and Biological Sciences, de New Brunswick, nos Estados Unidos, com trabalhos de cinco de suas alunas. Foram apresentados projetos de pesquisa nas áreas de humanas, exatas e biológicas. Segundo o professor Carlos Eduardo Ambrosio, docente da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA) da USP e membro da comissão organizadora do simpósio, a interação entre as mais diferentes áreas é o grande destaque do evento.

Além de apresentarem seus trabalhos, os alunos atuaram também como avaliadores das pesquisas de seus colegas – o que, segundo o professor Tedesco, abre espaço para questionamentos inovadores, de modo a enriquecer os projetos dos participantes.

Projetos

siicusp-02Os trabalhos apresentados no 22º Siicusp abordaram as mais diferentes temáticas, entre elas saúde, tecnologia, ambiente, economia, história, arte, literatura e direitos humanos. O estudante de Direito Lucas Marin Cebrian, da Universidade Paranaense (Unipar), realizou um estudo investigativo sobre acessibilidade dos deficientes auditivos no processo de avaliação do Detran para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), uma vez que pessoas surdas encontram muitas barreiras para tirar a carteira de motorista, especialmente em relação à prova teórica, realizada inteiramente na linguagem escrita.

Cebrian destaca que já existe uma série de leis que asseguram os direitos das pessoas com deficiência auditiva, entre elas a Lei de Libras, sancionada em 2002, que qualifica a Linguagem Brasileira de Sinais (Libras) como meio oficial de comunicação e expressão. Na prática, porém, elas não se mostram suficientes. Ele explica que, como a Libras não está necessariamente vinculada à língua portuguesa, as pessoas surdas podem sentir dificuldade na hora de realizar a prova escrita. Segundo ele, o ideal seria a realização da prova com a ajuda de intérpretes ou através de vídeo, afirmando que ambas as alternativas já são realizadas no País: a prova em vídeo é aplicada no Distrito Federal há quatro anos, enquanto a presença de intérpretes é autorizada em maior número de Estados, sendo, porém, um processo muito complexo e burocratizado.

siicusp-03A estudante de graduação em Engenharia de Materiais da Escola Politécnica da USP Renata Vazgauska Inacio, por sua vez, desenvolveu em sua pesquisa um método de reciclagem dos cartões de crédito de companhias de transporte, tomando como base o bilhete único utilizado nos ônibus circulares da USP. Uma vez que muitos desses cartões são descartados, ela percebeu que a quantidade de materiais desperdiçada é muito grande, o que no futuro viria a ser prejudicial. “Eu descobri que o cartão é feito basicamente de PVC, sendo composto também por 2% de cobre. Parece pouco, mas hoje em dia é difícil encontrar uma mina que contenha 2% de cobre. No chip do cartão, há também pequenas quantidades de ouro e prata. Assim, é preciso repensar o uso desses materiais em produtos descartáveis, que vão ser jogados fora”, explica Renata. A partir de métodos simples e baratos, em sua maioria, e físicos (que não utilizam solventes e agentes químicos), como a peneiração, ela conseguiu separar os materiais, recuperando 80% do cobre utilizado com 90% de pureza.

Na área de tecnologia, Paulo Henrique de Souza Pereira, aluno da FZEA, desenvolveu um ambiente virtual para dar suporte e conferir autonomia de navegação a máquinas e robôs agrícolas. A ideia parte da modelagem, da programação e da simulação de ambientes reais. O projeto, no caso, transforma uma plantação real de pomares de laranja em um ambiente virtual, replicando os aclives e declives e até a textura do terreno. O programa, que funciona por Wi-Fi, simula ainda sensores, utilizados também em máquinas reais, para percepção de quaisquer objetos que se aproximem do robô, além de indicar saídas lógicas de navegação, avaliando a angulação e a distância desses objetos. Segundo Pereira, como os custos que envolvem o uso de maquinário agrícola em plantações são muito altos, a criação de um ambiente virtual é muito importante, uma vez que permite a experimentação prévia.

O pró-reitor de Pesquisa da USP, José Eduardo Krieger, elogiou o nível dos trabalhos apresentados no 22º Siicusp e destacou que essa experiência é essencial na formação dos alunos: “Neste momento, eles já possuem um conjunto de dados. E agora iniciam o estágio mais importante, que é discutir, ter o seu trabalho recebido por outras pessoas, criticar e ser criticado, tendo assim outra visão, além da dos docentes e pesquisadores. É nessa rotina que consiste o trabalho da ciência”.

Multidisciplinaridade marca Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica
Editoria: Pesquisa, USP Online Destaque - Autor: - Data: 25 de março de 2015
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