Agência USP de Notícias: há 20 anos comunicando a ciência

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Da redação da Agência USP de Notícias

No dia 9 de fevereiro de 2015, a EPTV, uma afiliada da TV Globo na região de São Carlos e Araraquara (no interior de São Paulo), exibiu no Jornal da EPTV 1ª edição uma reportagem de 3 minutos e meio com o tema USP São Carlos alerta sobre a importância do cerrado no combate à crise hídrica.

Você já parou para pensar como a equipe da EPTV chegou até esta pesquisa? Como ela saiu dos laboratórios do campus de São Carlos da USP e foi veiculada no telejornal?

Pois saiba que foi por intermédio da Agência USP de Notícias! Seis dias antes, em 3 de fevereiro, foi publicado o texto Desmatamento afeta balanço hídrico do cerrado e causa erosão. A matéria serviu como uma sugestão de pauta para a EPTV produzir a reportagem.

Este é o objetivo da Agência USP de Notícias: levar os resultados das pesquisas desenvolvidas na Universidade de São Paulo aos mais variados meios de comunicação e ao público em geral.

Veja a seguir o vídeo:

Ou no link.

Veja um outro exemplo: no dia 29 de setembro de 2014, a Agência USP publicou o texto Pimentas podem auxiliar prevenção do Alzheimer. Desta vez foi o programa Globo News em Pauta, da Globo News, que se interessou pelo tema e utilizou a sugestão de pauta da Agência USP para exibir, dois meses depois, em 5 de dezembro de 2014, uma reportagem com cerca de sete minutos com o título Estudo revela que pimenta pode ajudar no combate a Alzheimer.

O destino das notícias veiculadas diariamente nos boletins da Agência USP de Notícias é amplo e variado. E o que mostra isso são relatórios periódicos gerados no sistema Google Analytics, ferramenta que permite analisar as visitas realizadas a websites. Imagine que, entre os dias 13 de fevereiro e 17 de abril deste ano, um leitor de Taiwan acessou o site da mídia. O mapa gerado na ferramenta (veja abaixo) mostra que no referido período foram mais de 57 mil acessos em praticamente todos os continentes.

Diariamente, a partir do momento em que os informativos são enviados aos mais de 6 mil assinantes da mídia, não se pode ter a ideia exata da amplitude das informações. As notícias se multiplicam das mais variadas formas: jornais, TVs, revistas, emissoras de rádios, sites, blogs, ou chegam até o email de diversos profissionais e estudantes, e outras pessoas da sociedade civil que recebem o boletim.

Ao completar 20 anos de existência, a Agência USP de Notícias vem cumprindo seu papel de disseminar a “notícia da ciência”! Além da “excelência” da sigla USP, que por si só credencia qualquer notícia, a Agência tem privilegiado o resultado do trabalho de pesquisa e angariando a confiança dos pesquisadores e estudiosos dos diversos laboratórios e institutos da Universidade.

O início

Foto: Francisco Emolo / Jornal da USP
Foto: Francisco Emolo / Jornal da USP

Foi em abril de 1995 que dois repórteres e um editor iniciaram as atividades da Agência USP de Notícias. Tinham como missão buscar nos laboratórios os resultados de pesquisas e estudos e levar a notícia a algumas redações de jornais, revistas, rádios e TVs, uma vez por semana, via fax modem.

Nesses 20 anos, a missão permanece. Mas, ao invés daqueles cerca de 70 receptores da época, atualmente mais de 6 mil recebem os informativos. E não é possível informar com precisão o caminho das notícias, visto que há o incremento das redes sociais (Facebook, Twitter, etc.).

O primeiro editor da Agência, o jornalista Melchíades Cunha Júnior, destaca as duas principais atribuições da mídia desde seu nascimento: “vulgarizar” a ciência, ou seja, disseminar ao público a produção científica produzida intramuros; e “prestar contas” à sociedade do investimento, visto que a universidade pública é custeada pela população e esta tem o direito de saber que há na instituição pessoas que se dedicam a produzir conhecimento.

“Exército Brancaleone”

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Foto: Marcos Santos

“O tempo passou e a Agência cresceu em qualidade”, avalia Cunha Júnior, que considera tais quesitos como indispensáveis a um órgão de comunicação. “Assim, a produção da Agência USP de Notícias vem sendo posta à disposição de um universo incalculável de receptores, através de plataformas diversas”, avalia o jornalista.

Cunha Júnior lembra da então “tímida agência” de 20 atrás que, segundo ele, “era tocada por uma espécie de “Exército Brancaleone”. Assim ele definia sua equipe, formada por ele e pelos jornalistas Antonio Carlos Quinto, atual chefe técnico de serviços da mídia, e Ivanir Ferreira, que hoje integra a equipe da Divisão de Relações Públicas, Marketing e Publicidade da Superintendência de Comunicação Social (SCS) da USP. O “pequeno exército” deu início àquele trabalho de transformar a pesquisa em notícia, e transmiti-la a alguns poucos jornalistas. Mas o objetivo era, de fato, atingir o grande público.

O professor Celso de Barros Gomes, que coordenava a então Coordenadoria de Comunicação Social (CCS) – atual SCS – em 1995, aponta que a criação da Agência foi uma medida altamente positiva no sentido de agilizar a circulação de informações dentro da Universidade e, principalmente, de ampliar a interação com a comunidade externa. “A Agência USP veio ao encontro dessa necessidade. É uma ideia vitoriosa, que desempenha um papel importante”, afirma.

Gomes relembra que as dificuldades iniciais foram a questão do espaço físico, a infra-estrutura e a questão do pessoal, pois uma das metas era profissionalizar o trabalho de comunicação da Universidade. Superados os problemas e com a redação instalada em espaço próprio no prédio da antiga Reitoria, na Cidade Universitária, foi possível atingir o objetivo de difundir o conhecimento produzido na USP. “Na ocasião, houve uma cooperação mais efetiva com a Agência Estado, por meio do fornecimento de notícias que deram origem a matérias de interesse da comunidade externa”, conta. “Também se buscou maior interação com os campi do interior, que passaram a informar sobre projetos e pesquisas em andamento”.

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

O jornalista Marcello Rollemberg, que atualmente é o superintendente da SCS, lembra que à época da instalação da Agência USP de Notícias, a comunicação da Universidade estava se reestruturando e se atualizando. Até então, os únicos veículos informativos eram o Jornal da USP e a Rádio USP. “A criação da Agência se dá justamente nesse ambiente de reestruturação e modernização, lançando mão de uma ferramenta novíssima na época: a internet.” Além do mais, com a Agência USP – e a posterior parceria com a Agência Estado – as notícias uspianas passaram a chegar a um público muito mais amplo do que aquele atingido pelo Jornal da USP ou pela rádio. Rollemberg destaca que a Agência veio para ampliar os horizontes noticiosos e comunicacionais da Universidade de São Paulo.

“A Agência cresceu e assumiu um papel de protagonista na veiculação e amplificação das notícias da USP não só internamente, mas principalmente para além de seus muros”, lembra o jornalista, ressaltando a importância da mídia em sua atual gestão à frente da SCS. “Eu diria que deve ser importantíssima em qualquer gestão, pelo que ela tem de disseminadora, junto a um espectro amplo de público, do que de mais importante em termos de pesquisa se realiza na Universidade. Seu papel dentro da estrutura de comunicação da USP é fundamental.”

Objeto de pesquisa

Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP
Foto: Cecília Bastos / Jornal da USP

A jornalista Marcia Furtado Avanza, atualmente na Rádio USP, deu início à sua carreira acadêmica com a dissertação de mestrado A comunicação do conhecimento: o papel da Agência USP de Notícias. Marcia, que dirigiu a Agência entre os anos de 1998 e 2001, traçou em seu estudo um histórico da comunicação na Universidade de São Paulo desde o Serviço de Imprensa, criado em 1951, até a Agência USP de Notícias, criada em 18 de abril de 1995.

“Tive muito orgulho de dirigir a primeira agência brasileira de divulgação científica”, comenta a jornalista. Quando gerenciou a mídia, os boletins eram veiculados duas vezes por semana. Ela lembra que, além de alguns jornalistas que solicitavam os informativos, o material era distribuído via Agência Estado. “Mas isso trazia uma limitação: apenas os assinantes tinham acesso”, considera. Foi daí que Marcia decidiu “diversificar” os envios, contando com o trabalho de estagiários para entrar em contato com os principais meios de comunicação de todas as capitais brasileiras e grandes cidades, especialmente do estado de São Paulo.

“Criamos nosso próprio mailing e a repercussão foi enorme. As matérias passaram a ser reproduzidas em veículos de fora de São Paulo e aproveitadas por TVs, rádios, jornais e revistas da Capital”, lembra.

Nessa época, o material era enviado por fax. Em busca de ampliar o espaço de circulação, Marcia criou um boletim impresso semanal, que passou a ser enviado para os pequenos veículos do interior via correio. “Isso porque apenas as grandes redações usavam o fax. Estávamos na ‘pré-história’ da internet.”

O mestrado

Foto: Francisco Emolo / Jornal da USP
Foto: Francisco Emolo / Jornal da USP

Ainda na gestão de Marcia, os boletins passaram a circular três vezes por semana, de forma experimental, e, em julho de 2000, passaram a ser diários. A equipe cresceu, fortalecida com o resultado positivo na divulgação de ciência e tecnologia da Universidade.

“Chegou, então, a hora de quantificar esse resultado. Desenvolvi meu mestrado analisando os dados coletados ao longo de três anos.” O trabalho com a “ciência” fez com que a jornalista buscasse a especialização, primeiro com a pós-graduação lato sensu, depois com o mestrado e, finalmente, com o doutorado.

Atualização tecnológica

Foto: Marcos Santos / Jornal da USP
Foto: Marcos Santos / Jornal da USP

De acordo com a jornalista Marcia Blasques, chefe técnico da Divisão de Mídias Online, a Agência USP sempre se preocupou em se manter atualizada tanto do ponto de vista tecnológico quanto na questão das várias linguagens jornalísticas. Segundo ela, nos últimos anos, além de mudanças no site, tanto de layout quanto de funcionalidades, a equipe investiu em formatos novos, como áudio e vídeo. Sempre com o objetivo de aproximar a pesquisa feita na USP do grande público.

“Nossa meta é dinamizar ainda mais a presença da Agência no Facebook e no Twitter, conquistando cada vez mais o público presente nessas plataformas. Também pretendemos realizar várias atualizações no site, tornando-o mais atraente do ponto de vista visual e com navegação ainda mais fácil”, afirma.

Para o atual chefe técnico de seção da Agência USP de Notícias, o jornalista Antonio Carlos Quinto, as mídias sociais são hoje ferramentas eficientes que irão ajudar cada vez mais na disseminação das notícias da mídia. Ele destaca ainda a participação da equipe na programação da Rádio USP. “Há cinco anos veiculamos um resumo de nossas notícias, diariamente, em seis edições pelos 93,7 MHz da USP FM”, conta o jornalista. O programa “No Ar, Agência USP de Notícias” tem duração média de 3 minutos, com três inserções pela manhã e três no período da tarde.

“Esta parceria com a rádio permitiu aumentar a divulgação da pesquisa produzida na Universidade”, comemora Quinto. Com a experiência de quem atua na mídia desde 1995, quando foi repórter, o jornalista vê com imensa satisfação todo o trabalho desenvolvido até hoje.

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