Em missão comercial, Brasil Ozônio leva soluções da USP para o mundo

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No coração da Cidade Universitária, uma pequena empresa tira soluções para alguns dos maiores problemas criados pela homem, literalmente, do ar, ao transformar o oxigênio que respiramos em ozônio. A Brasil Ozônio, iniciativa localizada no Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) e parceira da USP, completou 10 anos em 2015.

A empresa desenvolve, fabrica e instala soluções em processos de tratamento, sanitização, esterilização e oxidação, customizadas para as mais diversas aplicações, processos e peculiaridades. Hoje, com duas fábricas no próprio Cietec e mais de 1000 instalações, ela já é reconhecida no mundo inteiro. “Já exportamos para o Peru e para a Argentina”, afirma Samy Menasce, engenheiro e administrador a frente da empresa.

Planejando ampliar ainda mais sua rede de exportações, a Brasil Ozônio conquistou este ano a chance de participar de uma missão comercial nos Estados Unidos. A oportunidade veio após sua participação num evento anual que reuniu empresas com foco em inovação. Criado pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade (FGVces) da Fundação Getúlio Vargas, o evento consistiu numa série de encontros no decorrer de um ano, duas vezes ao mês, oito horas por dia, para a discussão de assuntos relacionados à inovação.

“O processo envolveu várias palestras, com a Apex disponibilizando uma quantidade fantástica de informação sobre exportações e condições de mercado”, diz Menasce ao contar que foram selecionadas inicialmente 12 pequenas empresas, 10 participaram efetivamente, mas apenas 5 foram convidadas para a missão.

A missão comercial será realizada no estado da Califórnia, e ocorrerá entre a última semana de maio e a primeira semana de junho. O objetivo é auxiliar as empresas a entender as características do ambiente de negócios, considerando um mercado comprador que demanda a sustentabilidade dos produtos e serviços exportados. O conteúdo técnico da agenda da viagem está em fase de construção, mas incluirá visitas ao escritório da Apex-Brasil em San Francisco e participação no evento de intercâmbio de práticas de sustentabilidade Sustainable Brands, em San Diego.

“A Apex entende que existe um campo a ser exportado nessa área”, explica o engenheiro ao revelar que os participantes foram selecionados por sua atuação e desempenho nas atividades do projeto, nos serviços oferecidos pela Apex e no grau de maturidade e estruturação de seu negócio.

Projetos em destaque

São muitas as aplicações do ozônio, tanto na indústria de alimentos, pesca, higienização de ambientes e até mesmo de instrumentos hospitalares, no entanto, Menasce destaca um de seus maiores projetos: a limpeza de água contaminada no entorno de minas, após décadas de exploração.

O consumo de água de mina é algo comum em pontos afastados dos grandes centros, entretanto nem sempre sua utilização é apropriada já que a água da nascente pode vir contaminada direto do aquífero. Uma solução eficaz é o uso do ozônio como desinfectante.

No papel de maior oxidante e antibacteriano natural do Planeta, ele atua de forma rápida na oxidação de metais e no controle microbiano da água, possibilitando o tratamento de forma pontual e econômica sem o uso de produtos químicos.

“Em Minas Gerais, na região de Poços de Caldas, ‘criamos’ a primeira mina de manganês do Brasil”, afirma o empreendedor com orgulho. Isso porque, entre 1982 e 1995, permaneceu ativa a primeira mina de urânio do país que abasteceu os reatores de Angra 1 e 2, contaminando com metais pesados, em especial, o manganês, toda a água ao redor. Em julho de 2013, a Brasil Ozônio passou a trabalhar com apoio da Fundação Patria da Marinha e do Fundo Tecnológico (BNDES Funtec) para aplicar uma solução à área. Utilizando o ozônio para reagir com os metais, em especial o manganês, a iniciativa promoveu a decantação dos poluentes. A técnica recuperou a água, liberando oxigênio, não deixando lama e permitindo que os metais decantados possam ser vendidos.

“O método anterior para conter a contaminação era o uso do óxido de cálcio (a cal)”, explica Menasce. “Mas isso não resolvia, apenas afundava os metais e secava a água no local. Hoje conseguimos economizar 85 a 90% da cal utilizada, o que também é um ganho para o meio ambiente”, pontua ele.

São ao todo 12 pesquisadores, a maioria da USP, em geral doutorandos e a equipe do próprio Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (Ipen), que trabalham para concluir o projeto.

A experiência em Poços de Caldas gerou oportunidades para o uso da técnica em minas de carvão e outros metais que geram a chamada drenagem ácida, um problema ainda sem solução definitiva. Em Criciúma, cidade com o maior número de minas de carvão do país, a Brasil Ozônio também foi convocada para auxiliar no tratamento das reservas de água contaminada. Foram criados laboratórios em quatro contêineres que higienizam as reservas ao redor das minas com ozônio, somando esforços com um processo químico/físico que devolve a água limpa para o meio ambiente.

Além da empresa, a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) também participa do projeto para encontrar formas de lidar com os rios mortos da região de Criciúma. “Todo o ativo vai para a universidade no final do projeto”, salienta Menasce.

“No peito e fazendo tentativas”

Não são poucas as aplicações da tecnologia criada pela Brasil Ozônio na solução dos mais variados problemas. Na bovinocultura, por exemplo, o ozônio promete ajudar pecuaristas a combater um minúsculo inconveniente, mas que pode gerar grandes males. Os carrapatos que aderem a pele das vacas leiteiras são fonte de aflição não apenas para os animais, mas também para seus donos. Atualmente, a solução envolve medicamentos que podem contaminar o leite ao tratarem as chamadas mastites, inflamações agudas ou crônicas das mamas.

“Com a nossa técnica, criadores podem dar um banho de ozônio nas vacas, o carrapato cai e não adere mais. O ozônio age também como germicida, não afetando a vaca e nem o leite”, explica o engenheiro.

Ainda nas fazendas brasileiras, a empresa almeja que a utilização do ozônio livre plantações dos temidos agrotóxicos, algo já testado pontualmente em safras de maracujá e tomate, e em breve, na produção do café. “Vamos no peito e fazendo tentativas”, Menasce é categórico.

Para seu idealizador, o espirito da Brasil Ozônio é o de trazer soluções. Faz-se um projeto, leva-se ao laboratório, monta-se equipe, elaboram-se análises e buscam-se parcerias. Os projetos, admite ele, são custosos, mas estão dando resultado. Tudo o que a empresa precisa agora é que “acreditem na gente”, finaliza.

Mais informações: site www.brasilozonio.com.br, email smenasce@brasilozonio.com.br, com Samy Menasce

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