Sistema detecta preditivamente a hipertensão arterial

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Rui Sintra / Assessoria de Comunicação do IFSC

Pesquisadores do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia (GNano) do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP desenvolveram um genossensor — sistema com chip ou eletrodo — capaz de detectar preditivamente a hipertensão arterial, por intermédio de uma falha na sequência do DNA. O método inovador, que também é descartável, de baixo custo e de fácil aplicação, faz parte do projeto de mestrado da aluna Thalita Rolim, com participação da pesquisadora Juliana Cancino e orientação do professor do IFSC Valtencir Zucolotto. O método é descrito na dissertação Síntese e funcionalização de nanopartículas com oligonucleotídeo para aplicação em genossensores no diagnóstico avançado de predisposição à hipertensão arterial.

Foto: Divulgação 
Imagens obtidas após a primeira hibridização (a) e após a segunda (b)

A hipertensão arterial, ou pressão alta, é uma doença crônica causada pelo aumento da pressão sanguínea nas artérias — espécies de “tubos” que distribuem o sangue bombeado pelo coração para o nosso corpo. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), em 2004, 35% da população brasileira acima de 40 anos tem pressão alta, o que representa 17 milhões de pessoas. Além disso, o Ministério da Saúde estima que 15 milhões de pessoas são hipertensas, mas desconhecem que têm a doença.

O novo método, que apresenta o resultado do exame entre 30 e 45 minutos, consiste na análise do gene da “Enzima Conversora de Angiotensina (ECA)”, que desempenha um papel importante na regulação da pressão arterial. Ou seja, qualquer anomalia neste gene pode ser um dos motivos para o aparecimento da hipertensão arterial. “Isso tudo já era conhecido pela comunidade científica e, com base nisso, construímos esse genossensor”, explica Valtencir Zucolotto.

Diagnóstico

Mesmo sendo de fácil aplicação, o professor explica que o diagnóstico deve ser feito unicamente por médicos, uma vez que não basta ter apenas o DNA do sangue, saliva, cabelo ou de outra célula, mas, sim, uma amostra extraída dele, já que o gene é formado por duas fitas e é preciso “separá-las”, hibridizando uma delas com a fita complementar localizada no eletrodo do genossensor.

Se a parte do DNA do paciente se encaixar perfeitamente na do sistema, isso significa que o teste é positivo. “Nesse caso, sempre precisamos realizar a etapa de extração do DNA, mas isso é um processo relativamente simples”, conclui Zucolotto.

Atualmente, os únicos métodos de avaliação da doença são as técnicas de PCR que, ao contrário do genossensor, exigem equipamentos de grande porte e de alto custo. A grande vantagem do sistema inovador desenvolvido no IFSC é possibilitar métodos de análise mais acessíveis, e relativamente mais rápidos. O artigo referente a esse trabalho foi já publicado na revista Biomedical Microdevices.

Mais informações: (16) 3373-9770

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