NAP-Ceru: reflexões sobre a sociedade no meio urbano e rural

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Pesquisar a respeito das relações sociais e humanas exige análises muito mais detalhadas do que simplesmente considerar proposições encontradas em livros, artigos ou outros documentos quaisquer. É necessário ir a campo e compreender os distintos aspectos da sociedade – seus fenômenos, semelhanças e diferenças. Entendendo tal  necessidade, a professora Maria Isaura Pereira de Queiroz, docente aposentada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, fundou, junto a um grupo de professores do Departamento de Sociologia, o Centro de Estudos Rurais e Urbanos (Ceru).

O centro foi criado no início do ano de 1964, e a princípio chamava-se Centro de Estudos Rurais, pois as pesquisas eram relacionadas apenas a temáticas do meio rural. A necessidade de sua criação surgiu devido à falta de verba para levar os alunos a campo, dado que as aulas abarcavam situações teórico-práticas e ir às áreas rurais era fundamental para que bons resultados fossem alcançados. Funcionando como uma sociedade sem fins lucrativos, o Ceru, através de doações, continuou a possibilitar os trabalhos em campo dos alunos.

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens

Com o decorrer do tempo, o centro se ampliou em virtude da chegada de novos pesquisadores, aumentando assim a diversidade de interesses e temas a serem estudados. De forma a se adequar às suas novas atividades o grupo passou a se chamar Centro de Estudos Rurais e Urbanos. Atualmente, o Ceru possui vínculo institucional mais amplo do que a FFLCH, pois em 1992 seus pesquisadores reivindicaram o status de Núcleo de Apoio à Pesquisa (NAP), e desde então está ligado à Pró-Reitoria de Pesquisa da USP, denominando-se NAP-Ceru.

O trabalho científico nunca é um trabalho isolado,
todas as ideias devem ser debatidas.

Os pesquisadores vinculados ao Ceru vêm de diversas universidades, entre elas a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); a Universidade Estadual Paulista (Unesp); a Pontifícia Universidade Católica (PUC); dentre outras. Segundo a professora Maria Helena Rocha Antuniassi, pesquisadora do Ceru, manter relações com diferentes universidades e pesquisadores é essencial, “o trabalho científico nunca é um trabalho isolado, principalmente na área das ciências sociais todas as ideias devem ser debatidas”, afirma.

Pesquisas

O objetivo do Ceru é desenvolver, estimular e apoiar financeiramente pesquisas na área de ciências sociais, contribuindo assim para a formação de pesquisadores – por meio de estágios e bolsas – e para o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos e sua divulgação. Atuando como um centro de estudos interdisciplinares, suas pesquisas passam pela sociologia, antropologia, história e várias outras abordagens sociais e humanas. Até então, as principais temáticas trabalhadas são: educação, família e infância, migração, cultura brasileira, biografias e religião.

Além de assuntos atrelados às particularidades de grupos sociais, os membros do Ceru também estudam aspectos próprios da sociologia. A linha “Metodologia de Pesquisa em Ciências Sociais” se propõe a esta realização. Trata-se de uma metodologia de reflexão e trabalho que focaliza fontes distintas de desenvolvimento da indagação. Nesta abordagem, as pesquisas são realizadas de forma qualitativa e quantitativa: no primeiro caso, usando recursos da história oral como forma de coleta de dados históricos de vida, relatos e depoimentos; e, no segundo, fazendo uso de linguagens de computador e internet.

Compondo as pesquisas mais recentes do Ceru, está uma investigação feita no Vale do Paraíba, localizado entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro, sobre o uso de defensivos agrícolas. O estudo, coordenado pela professora Maria Helena, se propôs a averiguar se os pequenos produtores que fazem uso de produtos químicos em suas plantações conhecem as consequências de sua utilização. “A pesquisa realizada no Vale do Paraíba foi muito gratificante, pois vários agricultores não conheciam as consequências do uso de tais produtos, e o Ceru teve um papel informativo essencial”, conta a professora Maria Helena. “Além disso, houve um intenso trabalho junto às mães da comunidade conscientizando-as que crianças e adolescentes com menos de 18 anos não devem trabalhar próximo às plantações, uma prática muito comum no local”, acrescenta.

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Foto: Marcos Santos / USP Imagens

 

Também sistematizada pela professora Maria Helena, uma das últimas pesquisas do Ceru trata sobre a população em situação de rua em São Paulo. O trabalho deu origem ao livro Desemprego, Ruptura Familiar e Solidão – Trajetória de vida da população em situação de rua em São Paulo, que contou com a colaboração dos professores François Bonvin, Cecília Carmen Pontes Rodrigues e Oscarlina Maltese Rezende.

Grande parte das pesquisas realizadas pelo Ceru estão publicadas – quer na sua íntegra, quer sob a forma de artigos – e integram os arquivos do centro, aberto à consulta de pesquisadores de diversas procedências. Ademais, o Ceru oferece ao interessado o apoio de uma biblioteca especializada, que conta com um importante acervo de materiais nacionais e estrangeiros. Para o público geral, é possível entrar em contato com as pesquisas realizadas através da revista Cadernos Ceru.

Mais informações: (11) 3091-3784, site http://www.fflch.usp.br/ceru, email ceru@usp.br

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