Grupo da FFLCH busca interlocuções entre geografia e literatura

Publicado em Cultura, USP Online Destaque por em

Criado no final de 2011, o grupo Geografia, Literatura e Arte tem como meta a criação de uma rede de discussões sobre a interação entre os três campos. “Nós estamos buscando mediações interdisciplinares, unindo também os literatos interessados em geografia que têm afinidade com estas questões”. Tal discussão, segundo um dos coordenadore do grupo, professor Júlio César Suzuki, poderia criar um novo modelo de análise literária, abarcando nela uma discussão geográfica. “Em algumas obras o entendimento geográfico do espaço é essencial para a compreensão”, justifica.

A iniciativa tomou forma em outubro de 2011, durante o nono encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Geografia (Anpege), contando com a coordenação, além do docente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, de Eguimar Felício Chaveiro, da Universidade Federal de Goiás (UFG) e Cláudio Benito Oliveira Ferraz, da Unesp.

Apesar de seu curto tempo de existência, o grupo já conta com vinte pesquisadores e dois alunos de pós-graduação, espalhados por diversas universidades do Brasil. O desenvolvimento acontece, segundo Suzuki, através dos interesses individuais dos pesquisadores que o idealizaram. “Meu interesse pessoal pela literatura data da adolescência, mas essa paixão no começo não refletia em análises das obras”, conta o professor.

Apesar do envolvimento com outras universidades, o docente afirma a necessidade de uma maior interação com outras unidades da USP, como a Escola de Comunicações e Artes (ECA). “Nós queremos convidar várias pessoas, mas as coisas acontecem de forma lenta”.

Segundo o professor, outro ponto fundamental dos estudos é ressaltar a função da literatura no apoio à geografia, já que ela proporciona panoramas diferenciados acerca de informações que antes só se poderiam ser obtidas através de documentos oficiais.

“Estamos buscamos novas leituras, nos encaminhando para as discussões sobre o que apenas a geografia não dava conta”.

Neste campo, o grupo estuda o Brasil antigo, contando com a ajuda dos livros para construir visões mais amplas acerca do cotidiano daquele tempo. “A literatura ajuda a recuperar de maneira mais densa o modo de vida”, declara.

Esta análise, porém, não se atém apenas ao modo de vida do passado, servindo também ao entendimento da realidade em que vivemos hoje. “A literatura serve como mediação para compreender plenamente os fatos que nem sempre são possíveis através apenas de entrevistas, documentos, censos demográficos e econômicos”.

Outro objetivo idealizado pelo docente é a realização de uma revista sobre a questão das interlocuções entre a geografia, a literatura e a arte, algo que hoje ainda inexiste. “Nós já realizamos discussões sobre ela e o processo já está encaminhado”. O lançamento, segundo o professor, seria para meados de 2013.

Ainda na busca por chamar a atenção de profissionais para a discussão proposta, uma das grandes metas do grupo é a realização do segundo Simpósio Nacional de Geografia, Literatura e Arte, que teve sua primeira edição realizada em 2010, na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e que deve ser realizado na USP em meados de 2013. “Nós já formatamos uma primeira proposta e isso está em aprovação no conselho departamental”, relata o professor. “Ainda estamos começando, mas nossos objetivos já estão encaminhados”, conclui. 

.