Foto: Marcos Santos

Laboratório de Inovação em Governo estimula parceria com o cidadão

Publicado em Sociedade, USP Online Destaque por em

Tradicionalmente as agências de governo são órgãos voltados à gestão, ou seja, sua função básica é servir a população e atender suas necessidades. Nos últimos anos, porém, uma série de mudanças relacionadas a aspectos populacionais, técnicos e de consumo transformou as formas de relação e integração na sociedade.Para se atualizar ao novo contexto, há uma tendência das agências se tornarem menos gestoras e mais inovadoras.

Foto: Marcos Santos
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O recém inaugurado Laboratório de Inovação em Governo tem o objetivo de promover estas novas formas de relação dentro das estruturas governamentais, oferecendo suporte teórico e prático para que isso aconteça. A apresentação do laboratório aconteceu no dia 2 de junho, na sede da Fundação do Desenvolvimento Administrativo (Fundap) – parceira da USP, das Secretarias Estaduais do Planejamento e do Desenvolvimento; da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade); e do Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam) na iniciativa.

A criação do laboratório se deu a partir da junção de interesses da Agência de Inovação do Governo de São Paulo (IGOV-SP) e do Núcleo de Pesquisas em Novas Arquiteturas Pedagógicas (NP-NAP) da USP, coordenado pelo professor Ulisses Ferreira de Araújo. Enquanto o IGOV almeja trazer a cultura de inovação para dentro dos serviços públicos de São Paulo, o NP-NAP trabalha o processo de aprendizagem com foco em problemas e projetos – o que tem tudo a ver com as questões enfrentadas no dia a dia dos gestores públicos.

A tecnologia como aliada

Foto: Marcos Santos
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O ambiente do laboratório é pautado por metodologias como o Design Thinking, estratégia que ajuda na abordagem de situações em que é preciso unir aquisição de informações, análise de conhecimentos e elaboração de propostas. Além disso, o programa volta-se para a idealização colaborativa no design de serviços públicos direcionados ao atendimento do cidadão.

Dividida em dois ambiente, somando 300 m², a parte física do laboratório conta com uma estrutura ampla e moderna. O primeiro espaço é voltado à produção –  uma sala com paredes que se descolam, otimizando a área conforme as necessidades no momento, e que podem ser usadas como lousa. O segundo espaço é repleto de acessórios tecnológicos que auxiliam na comunicação e concepção de trabalhos.

É fundamental focar a atenção no cidadão, pois ele é a razão de ser em todos os planos do governo.

Para o professor Ulisses Ferreira de Araújo, a tecnologia precisa ser entendida como aliada em processos de formação e educação. “Com esse laboratório o governo passa a dispor de um equipamento dotado de tecnologia de ponta, o que otimizará a resolução de problemas”.

Marcos Camargo, diretor técnico da Fundap, completa ao afirmar que o uso de novos equipamentos e diferentes formas de abordagem pretende, antes de tudo, sensibilizar as pessoas para a melhora na qualidade dos serviços prestados. “É fundamental focar a atenção no cidadão, pois ele é a razão de ser em todos os planos do governo”.

Inovações nas estruturas de governo

Foto: Marcos Santos
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É consenso que mesmo com um sistema informatizado à disposição há ainda grande complexidade no desenvolvimento e entrega de serviços públicos. De acordo com o professor Carlos Teixeira, do Institute of Design, de Chicago, “ a cadeia de serviços precisa ser altamente integrada para que o sistema funcione de maneira bem ordenada”, e é neste sentido que o Laboratório de Inovação em Governo trabalhará.

O laboratório permitirá que seus usuários realizem trabalhos à distância sem prejuízos na qualidade final. Por intermédio de um software, grupos poderão se reunir em um ambiente virtual que remete à realidade. Neste espaço, podem ser realizadas aulas interativas, reuniões, além da construção de projetos e trabalhos. A tecnologia ajudará para que ocorra maior integração e ainda reduzirá gastos, que inevitavelmente surgiriam com viagens e encontros presenciais. Segundo Carlos Teixeira, “essa formação concomitante é imprescindível, pois a inovação não acontece de forma isolada”.

Teixeira também chamou atenção para o fato de que a inovação era algo atípico há alguns anos, mas sua busca tem se tornado tão grande que deve ser conjunta e contínua. “Inovar requer um trabalho cotidiano, que aconteça de forma sistemática, e isso só é possível quando todos os membros da empresa estão empenhados nisso” assegura.

Outra possibilidade que surge com o laboratório é a participação dos cidadãos na criação de políticas públicas. Essa estrutura contribuirá para que as pessoas, mesmo à distância, sejam co-autoras em projetos de órgãos governamentais. “Embora a execução continue a cargo do poder público, o cidadão será ainda mais atuante nesse novo contexto”, conclui Araújo.

Mais informações: npnap@usp.br, site http://nap.usp.br/npnap

 

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